Meia se recuperou de lesões seguidas e, apesar de garantir estar bem, está sem ritmo de jogo. Números mostram erros de passe

Três cirurgias de joelho, uma recente que o tirou de campo seis meses de agosto de 2010 a março de 2011, e uma lesão muscular logo na sequência que quase o deixa fora da Copa América . Como na Copa do Mundo de 2010 , a seleção brasileira tem um camisa 10 que chega a uma competição importante sem estar 100% fisicamente – Kaká atuou na África com dores musculares e logo depois do Mundial fez uma cirurgia de joelho esquerdo para raspar a cartilagem.

Ganso e a comissão técnica asseguram que ele está bem. O jogador participou de todos os treinos desde 22 de junho, quando a seleção chegou à Argentina, mas falta ritmo ao meia, responsável pela armação das jogadas. Nos últimos 11 meses ele participou de 14 partidas apenas – Neymar , seu companheiro de Santos , por exemplo, fez mais de 40.

“Estou bem fisicamente, sem dor, sem problema nenhum. Estou jogando o máximo que posso dar”, afirmou o jogador. “O Ganso está bem, ele teve dias de treinamentos aqui antes da competição, já tinha atuado na final da Libertadores e não está atrás dos demais jogadores”, disse o técnico Mano Menezes. Mas tanto tempo parado influencia sim no futebol do jogador, ainda mais quando problemas graves de joelho tiram também a confiança do atleta.

Ganso rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo em 25 de agosto de 2010, em uma partida contra o Grêmio, em Porto Alegre. Demorou sete meses para se recuperar, mas a tempo de jogar pela Libertadores – voltou em 16 de março, contra o Colo Colo-CHI.

Fez então 12 partidas até se machucar novamente, desta vez uma lesão muscular grave no músculo adutor da coxa direita, em 8 de maio. Algo normal para um atleta que voltava havia pouco tempo de uma recuperação dolorosa, mas preocupante para o Santos, na reta final da Libertadores, e claro para a seleção, já que Mano Menezes sempre o considerou peça chave em seu esquema.

Apressou?
A recuperação foi feita em três turnos, manhã, tarde e noite. O Santos o queria na finalíssima da Libertadores, em 22 de junho e conseguiu. Ganso não jogou bem, mas esteve em campo e teve sua convocação para a Copa América confirmada.

Na seleção, teve um treinamento de campo idêntico ao dos companheiros, mas na academia fazia um trabalho preventivo. O medo da comissão técnica da seleção ainda é que ele possa ter problema muscular. Ganso tem um histórico de lesões preocupante: em 2007 rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito, ainda na categoria de base. Seis meses de recuperação e, em junho de 2010, problema nesse mesmo joelho o fez fazer uma artroscopia. Mais dois meses “de molho”.

“Estou errando muitos passes, sei disse vendo o ‘scout’ aqui da seleção. Preciso dar mais velocidade aos passes e errar menos”, disse Ganso. Se os números da comissão técnica da seleção baterem com o do Footstats ( baixe o aplicativo do iG e tenha acesso a todas as estatíticas , ou confira tudo pelo canal de Estatísticas do iG Esporte ), Ganso errou 8 passes contra o Paraguai, de 34 falhas do Brasil, ou 24% do total. Muito realmente – contra a Venezuela, no 0 a 0 da estreia, foram menos, 3, ou 10% do total do Brasil. De qualquer maneira, mesmo baleado e errando muito, Ganso deu as duas assistências para os gols de Jadson e Fred no 2 a 2 contra o Paraguai . O 10, pelo menos no sábado, decidiu.

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