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Com risco de rebaixamento, time se isolou em um hotel fazenda, na região da grande Buenos Aires

A possibilidade de o tradicional River Plate ser rebaixado para a segunda divisão argentina enfureceu os torcedores e fez a delegação da equipe adotar a fuga no desembarque da viagem de Córdoba a Buenos Aires, no Aeroparque, um dia depois de perder do Belgrano por 2 a 0 no playoff do descenso. No domingo, às 15 horas, no Monumental de Nuñez, o River precisa vencer por dois gols de diferença para não descer de divisão pela primeira vez na história.

A fuga em aeroporto não faz parte da cultura dos argentinos, como ocorre no Brasil em qualquer crise dos clubes. A precaução de deixar o Aeroparque pela pista, porém, foi causada pelos acontecimentos durante e depois da derrota para o Belgrano. Os jogadores quase apanharam de torcedores no Sheraton de Córdoba depois do jogo.

“O River não pode cair, o River não pode”, gritava Mariano Rivas no saguão do Aeroparque, um dos poucos torcedores que esperava a delegação no aeroporto. Algumas pessoas com agasalho do River circularam pelo local por duas horas, falavam sempre ao telefone, rondavam a rua que dá acesso ao aeroporto, mas foram embora quando souberam que o ônibus pegaria o elenco diretamente na pista.

Rivas segurava um cartaz que pedia “ a cabeça de JJ Lopez”, apelido do técnico Juan José Lopez. A cena se tornava engraçada porque ele ficava ao lado de pessoas que seguravam cartazes com nomes comuns, como Martin e Juan, que eram aguardados em outros voos. Rivas por vários momentos chorava, descontrolado, e perguntava se “o River já chegou” a passageiros que deixavam a sala de desembarque.

A fúria dos torcedores atingiu jornalistas brasileiros do canal a cabo Sportv, que fizeram na noite de quarta-feira uma reportagem em um bar de Buenos Aires. Eles foram agredidos por torcedores do River que acompanhavam a partida pela TV, mas não tiveram ferimentos graves.

Torcida confirmada
A AFA (Associação de Futebol Argentino) decidiu nesta quinta-feira que o jogo de domingo entre River Plate e Belgrano serão disputado com a presença de torcedores nas arquibancadas. Com isso, acabou contrariando um desejo dos dirigentes do River, que preferiam que a partida fosse realizada com portões fechados. Vários ingressos já tinham sido vendidos via internet – há um programa eficiente de sócio torcedores com vantagens para comprar os bilhetes.


O jogador Román é cercado por dois torcedores do River Plate, inconformados com a derrota da equipe
AP
O jogador Román é cercado por dois torcedores do River Plate, inconformados com a derrota da equipe

No jogo de Córdoba, torcedores do River fizeram um buraco no alambrado e invadiram o campo chegando até a empurrar o meia Román. O receio de agressões fez com que o grupo ficasse isolado até domingo: eles estarão hospedados em um hotel fazenda chamado Hindu Club, na cidade de Don Torcuato, na Grande Buenos Aires.

Antes de definir ir a Don Torcuato, a diretoria do River Plate cogitou ir a Pilar, cidade próxima a Los Cardales, concentração da seleção brasileira , mas desistiu porque não havia disponibilidade no Sheraton, hotel com estrutura para receber a delegação.

Na Argentina, a fórmula de rebaixamento é diferente do que no Brasil. Há uma média da pontuação dos três últimos campeonatos para se definir os dois que vão direto à Série B e os dois que enfrentam o terceiro e o quarto colocados da Segundona, no confronto chamado de “Promocíón”, que é o duelo do River contra o pequeno Belgrano.

Para domingo, o River tem três desfalques: o capitão Almeyda, Ferrari e Román estão suspensos. O presidente do clube é Daniel Passarela, ex-jogador da seleção argentina campeão do mundo em 1978, ex-treinador (dirigiu o Corinthians ) e que sofre pressão para demitir JJ Lopez antes do jogo de domingo. A princípio, o técnico, que abismou a Argentina ao chorar no banco quando o Belgrano fez o segundo gol em Córdoba, fica.