Grupo pensa até em se unir a Salvador Hugo Palaia, mantendo racha que resultou em derrota da eleição passada

A tentativa sem sucesso de emplacar a mudança de estatuto para que a eleição no Palmeiras passe a ser direta, com votos de sócios, deixa a oposição no clube sem rumo, com parte dela cogitando, até, se unir com nomes que sofrem grande rejeição, como Salvador Hugo Palaia. A tentativa de aproximação do conselheiro que já tem mais de meio século nas alamedas do Palestra Itália é só um exemplo de que o poder deve continuar seu círculo vicioso, nas mãos do mesmo grupo que elegeu Arnaldo Tirone nas últimas eleições.

Uma das chapas mais tradicionais do Palmeiras, a UVB (União Verde e Branco), discute há quase uma semana a possibilidade de se unir a Palaia. Mesmo sendo responsável pelo racha da então situação na eleição passada, concorrendo e atacando Paulo Nobre, o candidato com mais votos na ocasião, parte do grupo vê com bons olhos ganhar os 20 votos que o ex-diretor de futebol deve agregar, tentando esquecer todo o passado que o deixa marginalizado para boa parte do Conselho Deliberativo. A possível união é até ironizada pela atual situação, ainda mais que Palaia ganhou cargo de diretor de filiação na FPF (Federação Paulista de Futebol) pelas mãos de Marco Pollo Del Nero, conselheiro palmeirense ligado a Mustafá Contursi que também é presidente da entidade.

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Marcos mostrou muito desânimo após empate contra o Avaí
Gazeta Press
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O nome que desponta como esperança e contra Palaia, pelo menos para quase 100 conselheiros, é o de Paulo Nobre. Ele ficou na 2ª colocação na última eleição e sofre rejeição por parte dos cardeais da política, que consideram que ele deveria passar por uma fila para ter o cargo mais alto da cadeia palmeirense. Ao seu lado, o nome mais forte é o de Genaro Marino, ex-diretor de futebol durante metade da década passada.

Juntos, eles tentam combater o jeito que consideram ultrapassado de politicagem, fazendo união passando por cima dos ideais que consideram certos, sempre visando a vitória nas eleições. Por isso, o triunfo da dupla é bem menos possível do que o de algum nome indicado pela coligação entre Affonso Della Mônica e Mustafá Contursi, por exemplo. Os dois ex-presidentes juntos partem de um mínimo de 140 votos, suficiente para derrotar qualquer outro candidato.

Até sabendo desse cenário que consideram tenebroso, conselheiros da oposição tentaram entrar na Justiça Comum para que o voto direto fosse pelo menos analisado no Conselho Deliberativo, mas não tiveram sucesso até então. Parte deles tenta manter uma política não agressiva de oposição, evitando entrar em atrito com Arnaldo Tirone publicamente.

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No entanto, A derrota que parece evidente, mesmo com as eleições marcadas apenas para 2013, começa a despertar alguns questionamentos que antes ficavam apenas nas salas de reuniões. Por exemplo: Como uma gestão que se gaba por ser econômica deixa um balanço com prejuízo de R$ 10 milhões na parte social nos últimos sete meses? Para eles, o único setor que pode exibir déficit é o futebol, uma vez que é preciso fazer apostas e altos investimentos para que o time possa brigar pelo topo das competições, coisa que não acontece nesta temporada.

Genaro Marino, por exemplo, usa até o Corinthians como modelo. Ele cita que o arquirrival gasta já planejando com as verbas que receberá nos anos futuros, explorando seu novo estádio e o dinheiro da Globo, coisa que a atual gestão palmeirense não faz. Além disso, segundo ele, os atuais dirigentes preferem citar sempre que o clube está quebrado e com pouco dinheiro, como se não soubessem da situação do caixa antes mesmo de assumirem o pode. “Eles sempre ficavam espalhando as contas do clube para todos os cantos”, ironiza ele.

Marcos mostrou muito desânimo após empate contra o Avaí
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Outro ponto crítico, na visão da oposição, é a relação entre Roberto Frizzo e Luiz Felipe Scolari. Eles apontam que a ligação entre o vice-presidente e o grupo Famiglia Palestra, que é vinculado à Mancha Alviverde, pode ser considerada perigosa e com a intenção de cansar o técnico, forçando-o a deixar o clube. Usam como exemplos recentes Diego Souza, que também fez gestos para a torcida e deixou o time, Vagner Love, que desistiu da guerra contra os torcedores após ter sua mulher ameaçada em um shopping center, e Vanderlei Luxemburgo, que foi demitido por Luiz Gonzaga Belluzzo com várias informações enviadas pela organizada. Eles ainda citam que foi também o grupo Famiglia Palestra que ajudava Salvador Hugo Palaia quando ele foi diretor de futebol e o time ficou bem perto de ser rebaixado mais uma vez.

O insucesso na gestão de Belluzzo, aliás, é considerado erro capital. Com grande esperança de renovação e da volta do caminho das vitórias, o ex-presidente acabou falhando e terminou o poder em uma melancólica cama de hospital, vendo um golpe acontecer no departamento de futebol. A Arena é o grande ponto de partida para que algo possa mudar. A oposição comemora, de forma irônica, que o controle do novo estádio estará, nos próximos 30 anos, nas mãos de um terceiro, que só precisará passar parte das receitas ao clube.

Alheio a tudo isso, fica o torcedor, que pouco pode fazer a não ser lamentar ao ver um time como nomes que antes eram referências, como Valdivia (considerado por Palaia seu filho no Palmeiras) e Kleber, caírem pelas tabelas, desestimulando não só palmeirenses da arquibancada, mas também dos gramados, como o ídolo Marcos.

Os mais antigos ficam se perguntando se um dia poderão comemorar novamente a data que celebraram há 69 anos, no dia 20 de setembro de 1942, quando o Palmeiras conquistou o primeiro título com o nome de Sociedade Esportiva Palmeiras. Na ocasião, o time venceu o São Paulo por 3 a 1 e o adversário se retirou de campo antes mesmo do apito final na decisão do Paulistão.

UVB assume conversas com Palaia, mas nega aliança

Em contato com o iG, Wlademir Pescarmona, um dos líderes da UVB, tentou desmentir que estaria conversando com Palaia. O detalhe é que o iG teve acesso a emails que conselheiros e sócios que são ligados a UVB trocaram. Sabendo disso, o ex-diretor de futebol se explicou.

"Claro que a gente não pode fazer política de avestruz, de enfiar a cabeça na terra. A verdade é que eu fui em uma festa organizada pelo Palaia e é claro que é um ato político. Mas eu não estou pensando em me unir agora. Apenas fui no evento dele e expliquei a todos do meu grupo que iria. Todos ficaram sabendo", disse Pescarmona. "Além disso, ainda estamos no aguardo para que Justiça Comum faça o Palmeiras chamar as eleições diretas".

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