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Futebol
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Flamengo de Sucre luta para não ver extinto o sonho da elite boliviana

Primo pobre do clube carioca ajuda brasileiros na altitude, mas perde principais jogadores por falta de verba, com dívida de US$ 25 mil

Vicente Seda, enviado iG a Sucre |

Em 1966, um grupo de bolivianos amantes do futebol brasileiro teve a ideia de fundar um agremiação ligada de alguma forma a um clube do país vizinho. Pelas cores, o escolhido foi o Flamengo, que já tivera Zizinho, mas ainda nem sonhava com Zico. O Flamengo de Sucre, cidade onde o time original faz período de adaptação para o jogo contra o Real Potosí, pela pré-Libertadores, no dia 25, tem semelhanças com o primo rico carioca: depende do amadorismo para quitar suas dívidas e perde alguns dos seus principais atletas por falta de verba.

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Juan Ortega, 50 anos, ex-empregado de uma empresa de telecomunicações, hoje tenta arranjar outro serviço para poder continuar levando o sonho de ver o Flamengo de Sucre na Primeira Divisão Nacional à frente. Se não conseguir, o presidente do clube admite que terá de deixar os três mil metros de altitude da cidade mais antiga da Bolívia. A “viatura presidencial”, um carro vermelho e preto que pede manutenção à primeira vista, é a imagem do esforço que ele e sua família fazem para manter o que se tornou uma embaixada oficial do clube da Gávea na Bolívia em atividade. “Sou milionário de coração”, brinca o presidente, que gostaria de ver Zico no comando do Flamengo carioca: “Seria fantástico”.

A sede acanhada fica próxima ao Estádio Olímpico da Pátria, onde o Flamengo original faz seus treinos de adaptação à altitude. Uma saleta, com sofás cobertos de mantos rubro-negros, banners que são vendidos para arrecadar fundos e latões transformados em cofrinhos adaptados para receber contribuições. Em breve, o clube pretende colocar no ar o seu website. A sala de troféus se resume a uma mesinha aonde ficam expostas as principais conquistas da equipe boliviana, que se tornou um porto seguro para os clubes brasileiros que têm de jogar na altitude, como aconteceu, por exemplo, com o Palmeiras em 2009.

O futebol chegou a ser abandonado por falta de recursos. Em 1977 e 78, o time chegou à Primeira Divisão de Sucre, mas depois foi perdendo força até o esporte ser cortado em 1983, sendo mantido apenas o time de masters e de futebol de salão. A paixão aflorou novamente em 2007, quando o Flamengo do Rio foi à Bolívia para enfrentar a mesma equipe que terá pela frente no dia 25, pela pré-Libertadores, o Real Potosí. O clube carioca deu ao homônimo de Sucre 150 ingressos para o jogo que terminou empatado em 2 a 2 em 2007.

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Atualmente, o Flamengo de Sucre convive com dívidas. Os seus 10 diretores pagam mês a mês, do próprio bolso, US$ 70 para cobrir um buraco de US$ 25 mil contraído com falta de apoio para pagar a equipe de futebol, que custa US$ 15 mil mensais e atua por quatro meses no ano. O irmão de Juan chegou a vender sua caminhonete para ajudar a pagar a equipe que agora conta com um brasileiro, Chulapa, trazido de Itu, no interior paulista. O principal atleta, Juan Daniel Salaverri, do Uruguai, foi embora por falta de condições.

Ao contrário do Flamengo do Rio, o primo pobre de Sucre tem patrocínio. No entanto, a ajuda não cobre os gastos. O time enfrenta adversários, como o Universitário de Sucre, que fará amistoso contra a equipe de Ronaldinho Gaúcho nesta sexta-feira, com folha salarial em torno de US$ 40 mil. Juan Ortega faz um apelo por ajuda dos brasileiros. “Se o Flamengo pudesse nos ajudar de alguma forma, com dinheiro ou mesmo conseguindo um patrocínio, tudo ficaria bem mais fácil”, disse o presidente do clube que se tornou “embaixada oficial” da equipe da Gávea na gestão de Márcio Braga.

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Os resultados recentes animam. Da Quinta Divisão estadual em 2007, o Flamengo de Sucre agora disputa a Segundona nacional e tenta ascender à elite do futebol boliviano. Um sonho que Juan admite que, pelo menos neste ano, dificilmente será alcançado. Mas nada que apague a esperança de ver o vermelho e preto boliviano entre os principais times do país. Sonhar não custa nada, mas para realizar o sonho, a paixão não basta.

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