Clube recebeu outras propostas, mas queria manter a camisa imaculada. Erro custou reformulação no marketing

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Patrícia Amorim (ao centro) mostra a camisa com o novo patrocínio
O Flamengo anunciou na última sexta-feira o seu novo patrocinador master . Mas isso não é sinônimo de  sucesso na empreitada da diretoria em busca de recursos depois da contratação de Ronaldinho Gaúcho , em janeiro deste ano.

O prejuízo por ficar tanto tempo com a camisa limpa é difícil de calcular, mas há quem o coloque entre R$ 12 e R$ 15 milhões. Ou seja, entre 40% e 50% do que a presidente Patrícia Amorim esperava por toda a camisa. Propostas de até R$ 16 mihões foram recusadas, com a ideia de que o uniforme deveria ser mantido imaculado, sem ser fatiado, como acabou acontecendo. Já há marcas exibidas nas mangas, nos números e agora frente e costas. O próximo espaço a ser ocupado é a barra das costas.

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O contrato com a Procter & Gamble foi fechado em R$ 6,5 milhões até o fim do ano e exibirá as marcas "Desodorante Gillette" na frente e "Duracell" nas costas da camisa. Patrícia celebra a parceira como um grande negócio, visando aos outros setores do clube, principalmente os esportes olímpicos, mas ela reconhece o erro de estratégia no início da temporada, que custou a reformulação no departamento de marketing.

“A demora aconteceu porque o mercado não respondeu. A gente imaginou uma velocidade maior para resolver isso. Precisamos ter humildade para reconhecer isso. Não há mais patrocinador master. Há a frente, costas, barra e ombros. O primeiro sinal de que nossos conselheiros compreenderam a situação foi a aprovação desse contrato”, afirmou Patrícia, mais uma vez usou Ronaldinho Gaúcho em sua defesa. “Mas temos contabilizados os 75% que o parceiro (Traffic) paga do salário dele”, emendou.

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Com passagens pelos dois lados, Ricardo Hinrichsen hoje trabalha na Brunoro Sports, mas já foi vice-presidente de marketing do Flamengo. Ele deixou o clube no começo de 2010, logo depois que Patrícia Amorim assumiu o cargo. Ele negociou o contrato com a Batavo no fim de 2009, fechado em R$ 22 milhões. A empresa, no entanto, deixou de pagar os últimos três meses e sequer cogitou renovar o acordo.

Avião decolou vazio
“O Flamengo perdeu por baixo este ano entre R$ 12 milhões e R$ 15 milhões. É o dinheiro que não se recupera mais. Um avião, por exemplo, decola lotado ou com 10 passageiros. Aqueles assentos que não foram vendidos nunca mais serão recuperados”, disse Ricardo, lembrando que a assinatura do acordo com a Procter & Gamble pode dificultar a chegada de novas propostas para 2012. “Se houver o direito de preferência, como eu acredito que tenha, vai afastar outros interessados”.

Diretor de operações da Nine, empresa que intermediou a negociação entre Procter & Gamble e Flamengo, Evandro Guimarães ainda trata a relação entre as agências e o futebol como algo novo. No caso dessa negociação, a oportunidade apareceu graças ao início do ano fiscal da empresa e a necessidade do Flamengo de captar recursos na reta final da temporada.

A força da imagem de Ronaldinho não superou os problemas do marketing flamenguista
Gazeta Press
A força da imagem de Ronaldinho não superou os problemas do marketing flamenguista

“Muitos clubes estão profissionalizando seus departamentos de marketing como Flamengo, Fluminense, Corinthians, Santos e São Paulo. Isso aumenta a aproximação de agências para que procurem acordos duradouros. No nosso caso, aconteceu tudo muito rápido e foi fácil associar uma marca de distribuição nacional a um clube com alcance nacional, no Norte e no Nordeste”, explicou Evandro, confiante na renovação do contrato por um longo tempo.

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Apesar das dúvidas sobre o acerto na decisão do Flamengo de assinar um contrato de curto prazo, há quem acredita no sucesso da nova parceria. Gerente de Marketing da Informídia, Rodrigo Barros considera os valores dentro do que oferece o mercado atualmente, mas acredita no crescimento de receitas do clube em breve.

“Potencial para aumentar o investimento de suas propriedades o Flamengo tem, dependerá da maneira como irá conduzir este relacionamento. Segundo dados da Informídia, o Flamengo teve, de janeiro a maio de 2011, 41 jogos transmitidos na TV, gerando 207 transmissões (entre ao vivo e reprises) nas emissoras abertas, fechadas e pay-per-view e obteve um total de 566 horas de exposição na TV (entre jogos e reportagens)”, revelou Rodrigo.

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