Coletivas de Manchester United e Barcelona em Wembley mantêm o discurso burocrático e politicamente correto

A defesa é o melhor ataque, ao menos de acordo com as escolhas de Manchester United e de Barcelona para representar os clubes nas coletivas de imprensa desta sexta-feira, em Wembley, na véspera da final da Liga dos Campeões (sábado, às 15h45 no Brasil). O escocês Alex Ferguson selecionou para acompanhá-lo, na primeira sessão da tarde, os zagueiros Ferdinand e Vidic, também capitães da equipe. Mais tarde, o espanhol Pep Guardiola preferiu se oferecer sozinho aos jornalistas, mas antes entregou às feras da imprensa o zagueiro Puyol, capitão da equipe, e o goleiro Víctor Valdés.

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Feras? Gatinhos, talvez. Abarrotada, uma das amplas e confortáveis salas de imprensa do estádio reuniu jornalistas gentis e bem comportados. Em sua maioria, as perguntas equivaleram a passes açucarados para que os entrevistados fizessem embaixadas e chutassem a gol. No início da coletiva do Manchester United , notava-se alguma tensão no ar. Ferguson havia sido ríspido no início da semana, ainda em Manchester, com um jornalista que lhe fez uma pergunta sobre Ryan Giggs, envolvido em rumoroso escândalo extraconjugal. Na ocasião, solicitou que o jornalista fosse proibido de assistir à entrevista desta sexta-feira.

Pep Guardiola, técnico mais brilhante da nova geração, coloca novamente o seu Barcelona contra o Manchester United de 'sir' Alex Ferguson, uma lenda do futebol europeu
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Pep Guardiola, técnico mais brilhante da nova geração, coloca novamente o seu Barcelona contra o Manchester United de 'sir' Alex Ferguson, uma lenda do futebol europeu


A tentativa de intimidação parece ter sido bem-sucedida. O nome de Giggs não foi mencionado e Ferguson, sorrindo durante quase todos os 20 minutos do encontro, pode então elogiar seu adversário de amanhã, dizer que considera Guardiola um treinador “maduro” e que espera fazer em Wembley “a final da década, em que tudo pode acontecer”. Lacônicos, Ferdinand e Vidic foram apenas coadjuvantes na coletiva, contribuindo para o clima politicamente correto com mais confetes, principalmente sobre a capacidade de Pedro e Villa serem tão perigosos quanto Henry e Eto’o, que formavam com Messi o ataque vitorioso do Barcelona nos 2 x 0 contra o Manchester United na final de 2009, em Roma.

Na coletiva do Barcelona, Puyol e Valdés lembraram onde estavam no primeiro título europeu do Barcelona, em 1992, conquistado no antigo Wembley: em casa, com familiares e amigos, como torcedores comuns que vibraram com a vitória por 1 x 0 contra a Sampdoria. Foram ambos simpáticos, mas perderam o troféu de boa praça da tarde para Guardiola – que respondeu às perguntas, sempre atencioso e brincalhão, em espanhol, catalão, inglês e italiano (nesse caso, sendo interrompido pelo assessor de imprensa porque não havia tradutor disponível nesse idioma).

Para o treinador barcelonista, o Manchester é um adversário muito forte porque tem “quatro ou cinco equipes” que se revezam nas competições. Mas encontrou um tom amistoso para se referir a uma afirmação de Ferguson, de acordo com quem Guardiola teria preferido jogar na Itália a ir para o Manchester quando saiu, como jogador, do Barcelona . “Bem, eu já estava assim-assim, meio para baixo”, brincou. Modesto, disse não ser capaz de antecipar se, com uma eventual vitória amanhã, o Barcelona entrará para a galeria dos maiores times de todos os tempos.

“É impossível responder a essa pergunta. Sabemos apenas que houve o Real Madrid de Di Stéfano, o Milan de (Arrigo) Sacchi, o Santos de Pelé e outras equipes que nem mesmo cheguei a ver”, afirmou. E, à beira da falsa modéstia, agradeceu os elogios do jovem treinador do Porto, André Villas-Boas, que mencionou Guardiola como seu maior exemplo. “Não considero isso como algo pessoal, porque sou fruto de um trabalho do clube. E, na verdade, eu é que preciso me inspirar nos êxitos de Villas-Boas e dessa equipe fantástica do Porto.”

Como fizeram os colegas de Manchester , Guardiola também elogiou jogadores adversários, com destaque para o atacante mexicano Javier “Chicharito” Hernández. E, a exemplo de Ferguson, desejou também que o jogo deste sábado seja “a final da década”.

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