Em entrevista ao iG, atacante fala sobre amistoso da seleção alemã contra o Brasil, em Stuttgart, na próxima quarta-feira

Brasileiro Cacau diz que foi bem recebido por companheiros na seleção alemã
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Brasileiro Cacau diz que foi bem recebido por companheiros na seleção alemã
Foto na capa dos jornais, cartaz na porta da loja oficial do Stuttgart e elogios dos torcedores locais nas ruas. Não é preciso passar muito tempo na Alemanha para notar o quando o paulista de Santo André, Claudemir Jerônimo Barretto, mais conhecido como Cacau , é adorado no país.

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Há 11 anos, o atacante vive na Alemanha. Desde 2010, ele defende a seleção local e na próxima quarta-feira terá a oportunidade de enfrentar o seu pais, em amistoso na cidade de Stuttgart.

“Meu sentimento, sinceramente, é de alegria”, afirmou ao iG o jogador de 30 anos. “Tudo que construí foi aqui na Alemanha. Não me arrependo e também não tenho tristeza ou mágoa por não ter tido oportunidade no meu país”, completa Cacau.

Modesto, o atacante que é ídolo da torcida do Stuttgart acha que não teria chances na seleção brasileira. “Nunca tive oportunidade num time profissional grande lá, então fica difícil”, afirma.

Antes de deixar o Brasil, Cacau atuou por três anos nas categorias de base do Palmeiras. Dispensado, tentou a sorte no Nacional, de São Paulo, e em uma equipe amadora de Mogi das Cruzes, até receber um convite para jogar no Türk Gücü München. O clube criado por descendentes de turcos disputava na época a quinta divisão do Campeonato Alemão. Depois, o atacante foi para o time B do Nuremberg, onde jogou a quarta divisão, até ser chamado para a equipe principal. Em 2003, foi contratado pelo Stuttgart.

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O atacante tem mais três anos de contrato com o clube e cogita encerrar a carreira jogando na Mercedes-Benz Arena, onde enfrentará o Brasil nesta quarta. Para o jogo contra a seleção brasileira, Cacau não faz planos. Se vai comemorar um gol alemão, qual o sentimento na hora do hino brasileiro ou com quem vai trocar a camisa são questões que ele afirma não saber ainda. “Deixo para ver isso na hora que acontecer”, diz ele na entrevista abaixo.

iG: Qual a sensação de jogar contra o Brasil?
Cacau: Jogo contra o Brasil sempre tem um gosto especial. Estou ansioso para ver. Meu sentimento, sinceramente, é de alegria.

iG: Não tem nenhum sentimento de dúvida ou de que podia estar do outro lado?
Cacau: Não. Falo alegria pela oportunidade de jogar contra o Brasil. Fico feliz de estar na seleção alemã. Quando criança sempre acompanhei o Brasil em jogos, Copa. Mas tudo deu certo aqui. Não me arrependo e também não tenho tristeza ou mágoa por não ter tido oportunidade no meu país.

iG: Você acha que teria chance na seleção brasileira?
Cacau: Eu não acredito que teria oportunidade no Brasil. Com 18 anos já não estava jogando numa equipe grande. Fiz categoria de base no Palmeiras, mas profissional só atuei em time pequeno. Aqui na Alemanha, quando vim foi para jogar numa equipe de quinta divisão. Depois joguei quarta divisão e cheguei onde estou. Isso me deixa feliz.

Brasileiro Cacau diz que foi bem recebido por companheiros na seleção alemã
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Brasileiro Cacau diz que foi bem recebido por companheiros na seleção alemã


iG: Você ainda pensa em jogar em algum clube do Brasil?
Cacau: No momento é uma coisa que não penso. Acho que não vai se realizar.

iG: E quando se aposentar, você pretende viver na Alemanha?
Cacau: Olha, estou há onze anos aqui.. Tudo que conquistei foi Alemanha. Penso em ficar aqui realmente. Tenho mais 3 anos de contrato aqui. Tenho um tempo.

iG: Na chegada à seleção alemã houve algum problema? Você sofreu algo por ser estrangeiro?
Cacau: Para ser sincero não tive problema nenhum. A maioria dos jogadores, eu conhecia. Fui muito bem recebido.

iG: E se fizer um gol contra o Brasil, você vai comemorar?
Cacau: Ih, isso é algo para pensar no momento.Deixa acontecer primeiro. Não tem que planejar nada. Deixar para a hora.

iG: E racismo, alguma vez você sofreu com isso na Europa?
Cacau: Nunca tive problema. No Brasil fui alertado quando vim para cá. Muito pelo contrário, sempre me trataram muito bem aqui.

iG: Já perguntaram alguma coisa da seleção brasileira para você?
Cacau: Para falar a verdade não.. A gente tem aqui um time de olheiros e eles estão sempre acompanhando todos os jogos. São muito competentes. Eu seria até um péssimo informante (risos).

iG: Você pretende trocar camisa com algum jogador da seleção?
Cacau: Nem pensei nisso. To na expectativa para jogar mesmo. Do atual time do Brasil conheço mais o Lúcio, que jogou muito tempo aqui na Alemanha.

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