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Futebol
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Felipe fala sobre polêmicas e diz que Gaúcho contagia o Flamengo

Goleiro critica vândalos no Corinthians e mostra preocupação com o Botafogo para a semifinal

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Depois de ser considerado um dos melhores goleiros do Brasil, Felipe deixou o Parque São Jorge pela porta dos fundos. Um problema pessoal com o presidente Andrés Sanchez, como o próprio atleta, hoje no Flamengo, descreveu, o levou de São Paulo a Portugal, para o Braga. No Rio, acompanhou os recentes episódios de vandalismo no seu ex-clube e afirmou que o Corinthians tem de mudar o seu histórico de expulsar ídolos desta forma. Neste domingo, contra o Botafogo, pela semifinal da Taça Guanabara, ele tenta retomar o status de ídolo em outro clube de massa, lugar que desde a prisão de Bruno não foi ocupado a contento.

Em entrevista ao iG, Felipe não se furtou a responder sobre temas polêmicos, como a briga com o presidente corintiano e o lance na reta final do Brasileiro de 2009, no qual ficou parado em uma cobrança de pênalti de Léo Moura, do Flamengo, enquanto a torcida pedia que deixasse a bola entrar. O goleiro afirmou que a simplicidade de Ronaldinho Gaúcho vem contagiando o grupo no Ninho do Urubu e mostrou preocupação com o conjunto do rival Botafogo, já que o Flamengo, até o momento, com diversos reforços, ainda não conseguiu encher os olhos da torcida, apesar dos 100% de aproveitamento no Estadual.

Alexandre Vidal/ Fla Imagem
Felipe, do Flamengo, treina para enfrentar o Botafogo no domingo, pela semifinal da Taça Guanabara
Confira abaixo a entrevista com o goleiro Felipe:

iG: De onde surgiu o problema com o Andrés Sanchez? Era uma coisa pessoal mesmo?

Felipe: Nem eu sei como começou. Muitos dizem que foi por causa de 2007, da minha renovação, quando estive para ir para o Fluminense. Mas não sei e agora não me importa saber, acho que não foi isso. Quando saí do Corinthians, um monte de gente falou que é o sonho de qualquer jogador ir para a Europa, que eu era mercenário, mas é só pegar o meu contrato com o Corinthians e da equipe onde eu estava e ver se saí por dinheiro. Saí porque não tinha mais condição de ficar, tinha um problema grave com o presidente, que não era mais dirigente e atleta, tinha se tornado pessoal. Aquilo estava estragando a minha imagem e também prejudicando a imagem do Corinthians.

iG: A vinda para o Flamengo é uma retomada para reverter essa imagem negativa que ficou depois desse episódio ou você considera que isso já ficou para trás?

Felipe: É ruim sair da forma como saí, até pela história que eu tinha no clube. Uns acham certo, outros acham errado, é meio dividido. Fiquei chateado, tenho muitos amigos corintianos que ficaram chateados, mas já passou, já lamentei o que tinha de lamentar e agora é vida nova para todo mundo.

iG: Você avalia que neste momento a imagem do Corinthians está abalada, tanto por algumas atitudes do seu presidente, como pelos atos violentos de parte da torcida?

Felipe: Uma minoria não pode ser generalizada como toda a torcida. Torcedor quer o bem do clube. Tem uns que se dizem torcedores, mas não são. Torcedor não vai depredar o clube, não vai fazer atleta sair do clube. Essa minoria não quer o bem do Corinthians, o que aconteceu depois da eliminação da Libertadores passou no mundo inteiro. A saída do Roberto Carlos e do Ronaldo repercutiu no mundo inteiro porque são dois astros mundiais. Então essas pessoas não podem se dizer torcedores do Corinthians. Fazem atletas do nível do Ronaldo e do Roberto pedirem para sair do clube, vão ao CT quebrar carro de funcionário... Não sei se é também pelo presidente, isso não é de agora. Não foi a primeira e não vai ser a última. Isso é histórico no Corinthians. Vários ídolos saíram assim, como o Edílson e até o Tevez. Se ninguém tentar mudar, daqui a dois ou três anos vai surgir outro ídolo e vão expulsar de novo.

iG: Você protagonizou um lance polêmico contra o Flamengo, em 2009, quando a torcida pedia para você sair do gol e deixar o Léo Moura marcar de pênalti. Ele acabou marcando e você não pulou na bola. O Andrés Sanchez disse, em dezembro de 2010, que você entregou. O que você tem a dizer sobre o episódio?

Felipe: Ele disse que eu entreguei, que sou mau caráter, mas então porque ele, como presidente do clube, esperou um ano para dizer isso? Se eu sou o presidente e sei que um jogador meu entregou, eu o tiro na hora. Isso só prova o caráter dele.

iG: Depois de conviver por quase dois anos com o Ronaldo, agora você vive o dia a dia com Ronaldinho Gaúcho. Já dá para dizer quais são as semelhanças e diferenças dos dois Ronaldos?

Felipe: São dois excelentes caras. Já ganharam tudo na vida, jogam, ou jogavam, porque gostam, acho que a única diferença mesmo é o estilo de música. O Ronaldo é mais do batidão, do eletrônico, o Gaúcho gosta de samba, pagode. Se eu não estivesse junto com eles e ouvisse alguém falar: "O cara é gente boa, tranquilo", eu não acreditaria. A gente pensa que o cara já ganhou tudo na vida e não vai ser desse jeito. Ficamos muito felizes e satisfeitos de ter um cara que não precisava estar aqui, que está aqui porque gosta, fala com todo mundo, roupeiro, porteiro, está sempre alegre, brincando, não tem tempo ruim... Então isso nos alegra e faz a gente querer mostrar mais ainda nos treinamentos, mostrar que a gente pode. Vemos um cara que já tem tudo fazendo, então por que não podemos fazer também?

iG: O Ronaldinho brinca bastante. Tem alguém que ele pega mais no pé?

Felipe: Não, ele fala com todo mundo, Egídio, tem vários jogadores. Não tem um que fale mais ou menos. Está sempre alegre, brincando, se preocupa. Se está chegando o horário do treino ele se preocupa em ligar para saber, então é um cara acima da média dentro de fora de campo.

iG: Você foi contratado para suprir a saída do Bruno, que construiu boa parte da idolatria que tinha no Flamengo antes de ser preso nas decisões contra o Botafogo, adversário da semifinal no domingo. Como você analisa essa questão e o que espera dessa primeira decisão?

Felipe: Ele conquistou muito, era muito acima da média nos pênaltis, então espero ter a mesma felicidade que ele teve e quem sabe a partir dessa semifinal, caso aconteçam os pênaltis, tomara que não, eu possa fazer como ele e ter o mesmo sucesso. Todo goleiro da minha geração quando começou a treinar para pegar pênalti se espelhava no Dida.

iG: Na última decisão, o Botafogo venceu o Flamengo usando como arma o uruguaio Loco Abreu, que tem uma presença muito forte na área, especialmente no jogo aéreo. É o jogador que mais preocupa no Botafogo?

Felipe: Não é só ele. Ele tem qualidade, é bom na bola área, bate pênalti bem. Mas tem o Herrera, o Renato Cajá, tem o Caio, o Botafogo tem um conjunto muito forte, então não é só com ele que temos de nos preocupar. Não podemos errar, ter qualquer vacilo, porque errar em clássico, especialmente em decisão, é fatal.

iG: O seu pensamento hoje é ficar muito mais tempo no Brasil ou a Europa ainda é um objetivo? Qual a sua meta no Flamengo?

Felipe: A ideia de voltar foi para ficar por aqui mais tempo. Saí porque tinha de sair mesmo, já tinha feito o sétimo jogo pelo Corinthians. Fui muito bem recebido, vou fazer de tudo para ficar bastante tempo. É o sonho de qualquer atleta ir para a Europa, mas se você está em um grande clube, com um time forte, para ganhar títulos, não tem porque sair. Vai depender muito mais do clube do que de mim. Espero que não deixem muito para o final do ano, senão é muita emoção. Quero fazer um bom trabalho para ter a confiança do treinador e da presidência e renovar por muito mais tempo.

iG: Para você, como são essas horas que antecedem um clássico decisivo?

Felipe: É diferente, o próprio envolvimento da imprensa, dos torcedores. É um jogo só, não pode errar, não tem volta. E é contra um adversário que tem uma rivalidade muito acirrada, tem sido a mais comentada no futebol carioca. Desde o final do jogo contra o Murici pela Copa do Brasil já estávamos pensando em Botafogo. Para nós atletas era até melhor que fosse agora para passar essa ansiedade, mas fico torcendo para que chegue logo a hora e que a gente possa sair com a vitória.
 

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