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Ameaçados de rebaixamento, times da capital justificam má fase com as reformas do Mineirão e Independência

Uma breve olhada na classificação do Brasileirão e uma constatação: o futebol mineiro vive uma de suas mais graves crises dos últimos anos, com seus três principais clubes lutando contra o rebaixamento. América-MG , Atlético-MG e Cruzeiro fazem campanhas ruins e a elite do futebol brasileiro pode ficar sem representantes do estado em 2012.

Entre as muitas explicações para a crise, uma é comum aos três clubes: a falta de estádios na capital, Belo Horizonte.

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Com o anúncio da realização da Copa de 2014 no Brasil, surgiu o plano para a reforma do Mineirão e do Independência, os dois principais estádios de Belo Horizonte. Mas a ideia era terminar as obras do Independência antes do início dos trabalhos no Mineirão, o que não aconteceu. Com isso, os times precisaram mandar suas partidas no interior, principalmente em Sete Lagoas.

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Independência, que seria o plano B durante obras do Mineirão, só fica pronto em 2012
Divulgação
Independência, que seria o plano B durante obras do Mineirão, só fica pronto em 2012

O diretor de futebol do Cruzeiro, Dimas Fonseca, acredita que a ausência do Mineirão durante toda a temporada de 2011 pesou para a fraca campanha do time no Brasileirão. “A ausência do Mineirão, acho que pesa muito. Ano passado o Atlético-MG viveu a dificuldade lá embaixo. Fomos muito bem, mas perdemos o estádio só no meio de 2010. Esse ano foi durante o ano todo”, afirmou o cartola.

O novo treinador do time, Vágner Mancini , concorda com o cartola cruzeirense. “O fato de não ter o Mineirão pesou demais. Não ter o Independência também. Os times tendo que sair para mandar os jogos acaba influenciando nos resultados. Isso não é desculpa, mas interfere muito. Os times de Minas Gerais foram os que mais sofreram. Outras cidades tiveram plano B. Fortaleza tinha o Presidente Vargas, Salvador tinha o estádio do Pituaçu. Quando joga fora do habitat, você perde o torcedor e a maneira como ele empurra o time. A torcida de BH é diferente da de Uberlândia, de Ipatinga. Isso modifica a atmosfera do jogo”, analisou Vágner Mancini.

No Atlético-MG, o discurso é parecido. O presidente Alexandre Kalil também culpa a ausência do Mineirão como fator preponderante pela má fase. "Na minha administração, foram dois terços sem Mineirão, o que é grave. Não é desculpa, mas não pode ser desprezado. Prejuízo financeiro e técnico, muito grande", afirmou o mandatário atleticano.

Independência, que seria o plano B durante obras do Mineirão, só fica pronto em 2012
Divulgação
Independência, que seria o plano B durante obras do Mineirão, só fica pronto em 2012
O volante Pierre , que chegou ao time alvinegro no meio do Brasileirão, não consegue explicar a situação dos três times da capital mineira. "É difícil detectar, não há argumentos, em termos de estrutura e condições para o atleta trabalhar, não tem do que reclamar. São poucos clubes no Brasil que têm essa estrutura e uma torcida tão apaixonada como é a do Atlético. O próprio Cruzeiro, que fez investimentos altos para o Brasileiro, e o América, que tem feito boas partidas, apesar de estar na zona do rebaixamento. O futebol se resume a uma coisa, que é a vitória. E quando a vitória não acontece, tudo é questionado."

Cotas da TV são lembradas
Já o integrante do Conselho Administrativo do América-MG, Marcos Salum, acredita que a falta de estádio é o problema em comum entre os três clubes, mas que cada um também tem sua dificuldade particular. “Não podemos uniformizar o problema. Cada clube tem suas dificuldades. O problema comum de todos é a falta de estádio na capital. Estamos muito desatentos também à divisão dos direitos de televisão. Acho que os clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo vão dar um salto na frente e liquidar o resto do Brasil. Só olhar a tabela do Brasileirão agora e já temos um reflexo disso. Minas Gerais ficou atrás nessa negociação”, afirma Marcos Salum.

Perguntado sobre qual seria a dificuldade específica do América-MG, Salum tentou explicar. “O América-MG veio muito rápido da Série C para a Série A. Tivemos um período curto para organizar o time, dificuldades de orçamento. A pontuação não está compatível com o que o América-MG tem mostrado dentro de campo”, justificou o cartola. O América-MG subiu para a segunda divisão no final de 2009 e para a primeira, no ano passado.