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Futebol
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Falido, clube que descobriu Di Stéfano não tem recordação do craque

Cidade na qual seleção brasileira treinará durante Copa América viu nascer um dos maiores jogadores da história

Marcel Rizzo, enviado iG a Los Cardales (Argentina) |

Alfredo Di Stéfano é considerado por muitos argentinos melhor do que Maradona e aparece como um dos maiores ídolos da história do poderoso Real Madrid. Pois a “flecha loira”, como era seu apelido, pode inspirar os brasileiros na Copa América da Argentina: ele morou, nos anos 40, na cidade na qual a seleção ficará concentrada, a pequena Los Cardales, de 12 mil habitantes, ao norte de Buenos Aires .

Foi no povoado que o ex-atacante, que completa 85 anos em 4 de julho, começou a jogar futebol e ganhou o primeiro título, no Unión Progresista. Mas não há registros no clube: as conquistas, que poderiam estar registradas com orgulho na sala de troféus ou em foto na parede da sede, não existem. O UP vive hoje em frangalhos e não tem uma recordação sequer de um dos maiores jogadores da história. A única foto da época está em posse de Alberto Di Yorio, filho de um grande amigo de Di Stéfano.

“Roubaram quase tudo. Sumiu. Tínhamos uma sala de troféu, quadros. Não há uma recordação de Alfredo. Os antigos diretores só pensavam em conseguir dinheiro para eles mesmos. Provavelmente venderam”, contou ao iG o atual presidente Miguel Guevara, que assumiu há um mês no lugar de uma comissão que tomou conta do clube por mais de um ano após a direção antiga ser banida por má administração.

Achar a sede do Progresista, fundado em 1928, é difícil, apesar de o clube estar situado na avenida San Martin, a principal e mais larga da cidade. A fachada é cor de rosa, pintada recentemente. Na porta, o aviso de que os sócios pagarão mensalmente 5 pesos argentinos para usar as dependências, algo em torno de R$ 2,5 reais para usufruir de um salão de festas, que só tem alvará para aniversários, uma piscina e dois campos pequenos com grama sintética. O clube não tem mais um time de futebol na liga amadora da região, a campanense, há pelo menos dez anos.

Há um quadro, que Guevara (ele jura não ser parente de Che) achou escondido em um depósito atrás do restaurante do hotel. A foto antiga mostra jogadores perfilados, mas nem o presidente conseguiu identificar se Di Stéfano estava nele. “Pois bem, vamos procurar alguém que possa nos dizer. Quem sabe não é uma recordação e eu nem sabia”.

É ele?

Marcel Rizzo
Hugo Gruppi tenta achar Di Stéfano no único quadro que sobrou no Unión Progresista
Guevara colocou o quadro no porta malas de seu carro, um chevete da década de 70, e andou com a reportagem duas quadras, até o Bar do Di Yorio, de Alberto, o único na cidade que conversa com Di Stéfano atualmente . Estava fechado. No café da frente, uma esperança: Hugo Alfredo Gruppi jogou no Progresista. Dez anos mais novo que o ídolo, lembra bem do pai dos Di Stéfanos (o irmão mais jovem Túlio, dizem, jogava mais do que Alfredo).

“Lembro bem do pai deles, também Alfredo, colado no alambrado e gritando “corram, corram, corram”, conta Gruppi. Ele precisou colocar o óculos para confirmar: não, Alfredo Di Stéfano não estava na foto. “Realmente não temos nada dele, então”, lamentou Guevara.

O campo onde o garoto brilhou no regional de 1943, aos 17 anos, conquistando o título, o primeiro da cidade, também não existe mais. O Progresista vendeu sua antiga sede e hoje há diversas lojas no quarteirão que ficava o UP e o gramado oficial. “Foi nos anos 60. Hoje tentamos acertar o clube financeiramente. Uma ajuda de Di Stéfano? Bom, seria bem-vinda”, disse Guevara.

Realmente, Alfredo nunca mais voltou à cidade desde que foi embora, em 1945, para jogar no River Plate. Parte da fazenda onde viveu com a família faz parte do hotel Sofitel, que receberá a seleção em Cardales a partir de terça-feira (21 de junho).

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