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Futebol
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Falhas de planejamento prejudicam o Inter no Mundial de clubes

Voo conturbado, jogador a menos inscrito, goleiro treinando de lateral, falta de atacante e oba-oba podem explicar, em parte, derrota surpreendente para o Mazembe

Marcel Rizzo, enviado iG a Abu Dhabi |

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Problemas no planejamento do Internacional para a disputa do Mundial de clubes e o assédio demasiado já em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, podem explicar, em parte, o fracasso do time brasileiro na competição. A derrota por 2 a 0 para o Mazembe, da República Democrática do Congo, fez com que, pela primeira vez na história de um Mundial chancelado pela Fifa, uma equipe sul-americana ficasse fora da decisão.

O voo de Porto Alegre para o mundo árabe foi uma lambança. Alardeado como exemplo da modernidade do clube, a diretoria fretou um avião de uma empresa espanhola que seguiria direto do Rio Grande do Sul para Abu Dhabi, com uma parada em Lagos, na Nigéria, para reabastecimento. O argumento é de que isso evitaria uma escala em São Paulo, única cidade brasileira com voo direto para os Emirados (que desce em Dubai, cidade a 150 km de Abu Dhabi).

O avião era um modelo menor do que os que normalmente fazem viagens longas internacionais, e o voo teve a presença de alguns torcedores e de vários jornalistas. O atraso de duas horas para deixar o Brasil foi o de menos. Na chegada a Lagos, na madrugada da quinta-feira 9 de dezembro, o aeroporto estava fechado. O avião pôde pousar, mas não havia funcionários para fazer o reabastecimento e nem para colocar a escada que permite aos passageiros descer da aeronave. Foram cinco horas de espera, quase o tempo todo tomando apenas água, já que a comida a bordo havia acabado.

Quando tudo parecia certo para decolar, o atraso continuou porque não havia controlador aéreo para liberar o avião. Pior: o aeroporto queria cobrar uma taxa extra da empresa aérea para poder liberar a delegação. Foi preciso muita negociação para que a aeronave partisse. No dia 9, às 15h39 de Abu Dhabi, 9h39 do Brasil, o grupo chegou exausto ao palco do Mundial.

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Torcida do Inter em Abu Dhabi: clima de oba-oba pode ter contagiado elenco

Falta jogador
Ainda no Brasil, a diretoria soube que não poderia contar com o zagueiro Rodrigo, contratado exclusivamente para a competição. Sua documentação foi regularizada quando a janela de transferências da Fifa já estava encerrada, e atuar com ele seria arriscar uma eliminação por usar jogador irregular. Mesmo assim, ele já estava inscrito, e o Inter pediu à Fifa para realizar uma troca. Mas a entidade não permitiu a inscrição de Sorondo, alegando que mudanças são possíveis apenas em casos de lesão ¿ como foi com Glaydson, substituído pelo garoto Sasha.

Em vez de levar um atleta a mais apenas para completar o treino, já que com 22 jogadores não haveria 20 de linha para realizar um coletivo (três inscritos, por determinação da Fifa, são goleiros), a comissão técnica preferiu pedir emprestado ao técnico Abel Braga, do Al Jazira, de Abu Dhabi, um jogador local para completar o time reserva.

No primeiro treino realizado no CT Sultan Bin Zayed, o problema: Sultan (nenhum parentesco com o xeque que dava nome ao local), lateral-esquerdo cedido por Braga, se atrasou. Foi para o estádio Mohammed Bin Zayed, casa do Jazira e palco da estreia do Inter. Sem Sultan, Roth teve que improvisar, por 15 minutos, o goleiro Pato Abbondanzieri como lateral-direito e jogar Daniel para a esquerda.

Na relação de inscritos, Roth colocou somente três atacantes: os titulares Alecsandro e Rafael Sóbis e o reserva Leandro Damião. A explicação dele no Brasil é que não poderia arriscar perder Glaydson, que se recuperava de lesão, e ficar sem reserva para a lateral direita. Por isso inscreveu Daniel. Só que Glaydson sentiu dores pouco antes da viagem e Roth decidiu cortá-lo. Em vez de colocar Edu, inscreveu mais um meio-campista, o jovem Sasha. A relação do treinador com Edu estava desgastada, e, nos bastidores, esta foi a explicação para não levá-lo.

Na derrota para o Mazembe, Roth tinha apenas um atacante no banco, Damião. Quando precisou sacar Sóbis, acabou tendo que recorrer a um meia, o jovem Oscar. Outra opção seria Andrezinho, também um jogador de meio-campo.

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Com um jogador de linha a menos, goleiro Abbondanzieri treinou de lateral-direito

Oba-oba
O hotel Beach Rotana, que a Fifa sorteou para o Inter ficar em Abu Dhabi, sempre esteve cheio de torcedores colorados. A maior parte da torcida está hospedada em Dubai, cidade com mais atrações turísticas e mais aberta aos costumes ocidentais. Mesmo assim, muitos circulavam pelo lobby, tiravam fotos com os jogadores e pegavam autógrafos.

Bem diferente, por exemplo, do isolamento da Inter de Milão no hotel Shangri-lá. O acesso à recepção era permitido somente a hóspedes e pessoas que iriam freqüentar os restaurantes. Esqueça jornalista ou torcedor circulando pelo local.

Talvez para mostrar bom relacionamento com o presidente da Conmebol, Nicolás Leoz, a diretoria do Inter fez questão que os jornalistas fotografassem a entrega de camisas ao dirigente em uma sala reservada do Beach Rotana, na segunda-feira, véspera da partida contra os africanos. O problema é que este local era o restaurante reservado para os atletas comerem. Celso Roth ficou irritado com a presença de jornalistas, e os jogadores ficaram nitidamente constrangidos.

Não avalio que houve erros de planejamento. Fizemos o que imaginávamos que seria o melhor. Não jogamos bem, e é isso, disse o vice-presidente de futebol, Fernando Carvalho. Para ele, o foco dado ao Mundial foi perfeito, e o fato de ter aberto mão do Brasileiro a certa altura não prejudicou o rendimento da equipe na competição.

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