Tamanho do texto

Moradores de rua nipônicos são diferentes dos brasileiros, possuem até televisão e bicicletas

Apesar do glamour, da tecnologia, da educação e da limpeza nas ruas das cidades japonesas, o brasileiro que visitar o Japão no final deste ano para acompanhar o Santos no Mundial de Clubes da Fifa, certamente perceberá a ausência dos mendigos pelas ruas, fato rotineiro no Brasil.

No entanto, eles existem no Japão, muitos são ex-integrantes da Yakusa, sinônimo de máfia japonesa, e são diferentes dos mendigos brasileiros. Os moradores de rua no Japão são organizados, moram embaixo das pontes, utilizam trem, mantém a limpeza dos banheiros públicos das praças e possuem até bicicletas.

Leia também: Político, Neymar pede camisa de Puyol e diz que se inspira em Messi

Além disso, eles moram em espécies de tendas montadas em baixo das pontes das principais cidades japonesas. Alguns deles contam com televisão. Porém, a chegada da televisão digital prejudicou os mendigos japoneses que lamentam a ausência de sinal para ver a decisão do Mundial de Clubes da Fifa, neste domingo, em Yokohama.



“Eu sei do Mundial, fiquei sabendo do Kashiwa, mas não posso ver por causa da televisão. Antigamente nós tínhamos VHS, mas agora precisamos de sintonizador para a TV digital, não veremos o jogo. Não tenho pois é caro (codificador). Não vou gastar dinheiro com isso, não vale a pena”, disse um dos mendigos que não quis se identificar.

Os mendigos japoneses não podem pedir esmolas nas ruas, pois é proibido por lei no país nipônico. Desta forma, o morador de rua procura os estrangeiros para conseguir ajuda financeira. Além disso, eles recebem ajuda do governo para as refeições e pegam latinhas nas ruas, uma das poucas semelhanças com os mendigos moradores.

Yakuza domina tráfico de drogas e prostíbulos no Japão


O iG esteve em cinco cidades do Japão neste mês – Tóquio, Nagoya, Toyota, Yohokoma e Kawasaki – e procurou saber a história dos raros moradores de rua nipônicos, que não são encontrados com facilidade pelo país. Muitos deles pertenceram a Yakuza.

Alguns foram vítimas da prática yubitsume, que corta o dedo de uma pessoa por cometer um erro. Por isso, muitos ex-integrantes da máfia são discriminados e ficam à margem da sociedade no Japão.

“Muito deles são ex-membros da máfia, eles são capados, marcados, dedos cortados, e não conseguem emprego. Então eles acabam ficando na rua”, afirmou o comerciante, Oscar Tence, brasileiro que reside no Japão há mais de 20 anos.

A máfia Yakuza comanda casas de jogos de azar, prostíbulos, agiotagem e domina o tráfico de drogas. Eles são identificados principalmente por suas tatuagens, a maioria com desenhos de dragões, paisagens e os brasões de suas famílias.