Família Tupi City foi rebaixado duas vezes na Copa Kaiser por W.O e terá que disputar acesso em 2012

Esperando por uma cirurgia, Danilo faz as vezes de técnico
Paulo Passos
Esperando por uma cirurgia, Danilo faz as vezes de técnico

Antes de o jogo começar, o presidente do Família Tupi City avisa: “Olha, quem está aqui vai ser lembrado. É o nosso primeiro jogo e quem veio tá mostrando o que queremos”. De bermuda, chuteira e moletom, Paulo Enoc Calazans, de 1,58m, tenta animar os jogadores e até posa para a foto.

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O ex-time de Leandro Damião já viveu dias melhores. Criado há oito anos, o Família Tupi City não disputa mais o principal torneio da várzea paulista, a Copa Kaiser. Foi rebaixado duas vezes após perder por W.O e, se tudo der certo, poderá voltar a jogar na elite da várzea apenas em 2015.

“A gente tá começando tudo de novo, vamos aproveitar essa visibilidade por causa do Damião. Juntamos um pessoal aqui para jogar o Nós Travamos e depois tentar torneios mais importantes”, diz o presidente. “Vão chegar uns melhores, mas este time tem gente que nem joga bola”, completa, rindo.

Há oito anos, Paulo comanda a equipe do bairro Tupi, em Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo. Meia-esquerda habilidoso, segundo ele mesmo, já não joga na equipe que preside. Atualmente defende o Enferrujados, que disputa a mesma liga, mas que tem uma média de idade bem mais alta.

“Mas continuo na atividade com o Tupi”, diz. Mais fácil para Paulo é explicar o porquê do nome do time. “Tupi é o nosso bairro, família é porque aqui é tudo família mesmo e city foi para dar uma diferenciada, saca?”, revela.

Esperando por uma cirurgia, Danilo faz as vezes de técnico
Paulo Passos
Esperando por uma cirurgia, Danilo faz as vezes de técnico
Sem cirurgia, volante vira técnico
Com boné virado para o lado, calça de abrigo e tênis, Danilo não tem pinta nem idade de treinador. Mesmo assim, aos 20 anos, era ele quem comandava o Família Tupi City no jogo contra o Vale Verde, no último domingo.

“Vai Johny”, grita para o atacante. “Boa, Manga”, berra para o goleiro, após defesa. A vontade do motoboy desempregado, entretanto, era outra. Queria estar jogando. Uma ruptura nos ligamentos do joelho direito, em julho deste ano, o impede.

“Estou esperando a cirurgia para poder voltar, mas não tenho plano de saúde. Até marcaram pelo SUS e me internaram em setembro, mas depois cancelaram, por falta de equipamentos”, diz o volante, que continua na fila para ser operado no Hospital do M’Boi Mirim, na zona sul de São Paulo.

O Tupi sai perdendo, para desespero de Danilo. No segundo tempo, o time empata e o jogo termina 1 a 1. “Valeu para a estreia”, diz o técnico aos jogadores. “Foi bom pessoal. Vou ver se no próximo consigo água para o pessoal”, promete o presidente.


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