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Ex-rebelde diz que técnico Gullit terá segurança na Chechênia

Ramzan Kadyrov, presidente da região separatista russa, afirma que holandês não tem o que temer em sua passagem por equipe local

Francisco De Laurentiis, iG São Paulo |

Contratado em janeiro para dirigir o Terek Grozny, da primeira divisão da Rússia, o ex-jogador holandês Ruud Gullit deve ter ficado assustado com os recentes atentados promovidos por rebeldes chechenos no aeroporto da capital russa Moscou. No entanto, o presidente da Chechênia, Ramzan Kadyrov, um ex-rebelde que lutou pela independência da região (mas agora é aliado russo), afirmou que o treinador terá segurança para trabalhar na região separatista.

"Gullit não tem nada a temer na Chechênia", disse Kadyrov na última quarta-feira, após entregar ao holandês uma camisa do time com o nome "Gullit" escrito em alfabeto cirílico, utilizado em países do leste europeu. A equipe do Terek Grozny, porém, treina e joga na cidade de Kislovodsk, cravada na região cristã de Stavropol e distante cerca de 300km de Grozny, que faz parte da parte muçulmana da Chechênia.

AP
Ramzan Kadyrov (esq.) entrega a camisa do Terek Grozny ao holandês Ruud Gullit, novo treinador da equipe
"Estive em países muito mais perigosos e pobres, onde as pessoas vivem em lixões e experimentam a todo momento situações arriscadas. E eu vi o futebol dar orgulho a essas pessoas", minimizou Gullit, que passou recentemente pelo Brasil para promover a derrotada candidatura de Holanda e Bélgica à Copa do Mundo de 2018. Nesta temporada, ele terá a missão de levar o Terek Grozny a resultados melhores que no ano passado, quando o time terminou em 12º entre 16 times da primeira divisão russa.

Jogador de destaque no final dos anos 80, Ruud Gullit ficou conhecido por suas grandes atuações pelo Milan e pela seleção holandesa. Com a equipe dos Países Baixos, ele venceu a Eurocopa de 1988, batendo a União Soviética na final. Aos 48 anos e atuando como treinador, ele teve recente passagem pelo Los Angelex Galaxy, dos Estados Unidos, deixando o clube em 2008 por motivos pessoais.

Guerra e paz
Com a Chechênia vivendo um raro período de paz após uma década de conflitos entre rebeldes e exército russo nos anos 90, além de muitas mortes causadas por atentados terroristas, o presidente Ramzan Kadyrov diz que o Terek Grozny deve voltar em breve à sua cidade natal. O clube só espera a conclusão de um novo estádio para retornar à parte muçulmana da região separatista.

AP
Recebido com pratos típicos logo no aeroporto, Ruud Gullit causou furor em sua chegada à Rússia
"Vamos trazer o time para casa, e eles (jogadores) vão viver e trabalhar aqui e se sentir seguros. Existem terroristas em todo lugar, nós vemos isso no mundo todo", afirmou o presidente checheno. Kadyrov, inclusive, quer que Grozny seja uma das sedes da Copa do Mundo da Rússia, em 2018, mas o governo do país não deve realizar partidas em nenhum estádio próximo à região.

A Chechênia é uma região de maioria islâmica, que deseja independência e a formação de um Estado baseado na Sharia, a lei islâmica que usa princípios da religião. Ramzan Kadyrov é apontado pelo primeiro ministro russo, Vladimir Putin, como o ponto de equilíbrio na conturbada região. No entanto, o presidente checheno é acusado por oposicionistas de violar os direitos humanos.

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