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Ex-gerente diz que Tirone fugiu de reuniões sobre falhas no clube

Sérgio do Prado afirma que presidente do Palmeiras desmarcou cinco conversas para detectar problemas

Danilo Lavieri, iG São Paulo |

Sérgio do Prado está chateado com a atual diretoria do Palmeiras . Não pela demissão, mas por não ter sido ouvido nas tentativas de melhorar o ambiente do clube. De emprego novo, como diretor de futebol do Santo André, o ex-gerente administrativo relata que tentou marcar cinco reuniões com o presidente Arnaldo Tirone, e acabou tomando “bolo” em todas.

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Ele foi um dos demitidos, ao lado dos assessores de imprensa, que ainda não têm substitutos definidos, e da realocação do advogado, André Sica, que passará a prestar serviços pontuais ao clube.

Relembre: Nomeação de assessor para Tirone prejudica relação com Roberto Frizzo

Prado explica que detectou há um bom tempo os problemas internos, que define como sérios, e que sabia de que se contasse a Tirone, poderia perder o emprego por ser o mais fraco na política do Palmeiras. Segundo ele, a única coisa que o conforta é “que a verdade não prescreve”.

Confira a entrevista completa de Sérgio do Prado ao iG.

iG: Como está a sua vida profissional após sair do Palmeiras?
Sérgio do Prado:
Agora vou ser diretor de futebol do Santo André. Tenho uma ligação lá. Já fui 16 anos e um mês o diretor e agora vou voltar. Tive quatro propostas e aceitei o Santo André com maior satisfação. Agora é um desafio tão grande proporcional à vontade que vou ter.

Reprodução
Dirigentes falam em clima de "Poderoso Chefão" no Palmeiras
iG: E como foi a sua demissão do Palmeiras? Você ficou chateado com a direção?
Sérgio do Prado:
Não digo magoado. Eu fiquei chateado. Chateado porque o tempo vai dizer que quem vai perder vai ser o Palmeiras. E isso eu afirmo categoricamente. Faz parte, aconteceu, e no futebol é uma rotina. Toda hora muda dirigente, jogador e por aí vai. Como ele [Arnaldo Tirone] falou, nada é eterno. Eu disse para ele quando chegou e quando eu estava saindo: Ele tem que ser bom pro Palmeiras, não para mim nem para ele.

iG: Mas qual foi a justificativa para a sua saída? Você sempre foi elogiado pelos que passaram no Palmeiras, pelo próprio Frizzo, e agora pelo César Sampaio.
Sérgio do Prado:
O Tirone me chamou. Ele estava alterado e estava na presença do Frasson, do Robson (advogado). Ele começou dizendo que estava todo mundo falando que ele não manda, que ele não manda nada no clube e que ele como presidente poderia me mandar embora e era isso que ele ia fazer. Ele disse que estavam acusando ele de ser banana, que a pressão estava forte em cima de mim. E eu voltei a dizer que ele precisava ser bom para o Palmeiras, não para mim.

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iG: Você tinha problemas de relacionamento com Mauro Marques, Galeano e outros funcionários por respeitar todas as ordens do chefe. Você acha que eles ajudaram a te derrubar?
Sérgio do Prado:
A decisão de demitir ou não é sempre do presidente. Quem sabe se ele ouviu outras pessoas? Espero que ele tenha o motivo, então não quero acusar ninguém. Queria falar frente a frente os problemas que detectei. Não adianta falar agora que é ciclano ou fulano. Na realidade, é um contexto todo. Eu tentei falar e ele não quis me ouvir. Queria falar na frente dele e das pessoas que trazem problema. Ele não quis e está no pleno direito de não ouvir. O tempo vai dizer, porque a verdade não prescreve.

Ale Cabral/ Futura Press
Sérgio do Prado não tinha bom relacionamento com staff do Felipão

iG: Como assim? O Tirone não quis ouvir o que você tem a dizer?
Sérgio do Prado:
Eu fiz quatro tentativas de reunião enquanto trabalhava lá, desde setembro. Eles não quiseram. Eu queria falar as verdades que via no Palmeiras. Então eu estava esperando o campeonato acabar para falar de novo. Como ele antecipou minha saída, quando ele me demitiu, pedi para marcarmos uma reunião. Fiz o pedido como palmeirense, porque já não era mais funcionário. Aí marcamos, mas ele desmarcou pela 5ª vez. Então agora é assunto encerrado, porque sou funcionário do Santo André a partir de amanhã. Se eles não querem saber do problema tudo bem. Eu digo mais uma vez, a mentira prescreve, tem perna curta. A verdade é eterna, não prescreve.

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iG: Que tipo de problema é esse que tanto atrapalha o time?
Sérgio do Prado:
Tem problema de relacionamento, de comportamento, são sérios problemas. Queria conversar para que o Palmeiras fosse beneficiado. Enquanto eu estava empregado, eu até poderia perder o emprego pelo o que eu ia falar, mas queria beneficiar o clube. A diretoria não quis, estão no direito dele. Mas não falo mais com esses diretores. Quem quiser, posso ajudar o Palmeiras, mas eles não quiseram. E nunca eu vazei isso para a imprensa.

iG: Por que você perderia o emprego?
Sérgio do Prado:
Nada impede que eu falasse para a diretoria. Eu sei como funciona tudo. Por isso digo que poderia ter sido demitido, por causa do ambiente que ficaria e ia estourar no meu colo, eu sabia disso e até falei para ele. Eu poderia perder, mas o Palmeiras ia ganhar.

iG: Mas então fale para a torcida saber.
Sérgio do Prado:
Não quero falar na imprensa, não é meu estilo, isso só tumultuaria mais. Se a diretoria não quis ouvir do jeito certo, frente a frente, junto com as pessoas que dão problema, eu vou guardar comigo. Fica de lição para a minha vida.

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