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Futebol
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Exclusivo: Damião revela bastidores da primeira vez na seleção

Atacante do Inter conta detalhes da sua estreia pelo Brasil e promete trabalho para ter outros chamados

Gabriel Cardoso, iG Porto Alegre |

Em menos de doze meses, uma virada na vida. Seria como sair da função de estagiário em uma empresa para um cargo de chefia. No futebol, embora sejam mais comuns, esse tipo de situação não acontece com qualquer um. Mas aconteceu com Leandro Damião.

No primeiro jogo do Inter na temporada 2010, Damião era um ilustre desconhecido. O time B empatou em 3 a 3 com o Criciúma, em um amistoso, fora de casa. No primeiro jogo do ano de 2011, o atacante já era um ilustre titular. E, em março deste ano, conseguiu a primeira convocação para a seleção brasileira.

Damião foge à regra das jovens promessas. Surgiu tarde para o futebol. Nos padrões atuais, garotos de menos de 15 anos já valem fortunas. Ele começou a despontar no Beira-Rio aos 20. Foi contratado depois de ser observado no futebol catarinense. Aparenta ser um cara maduro, que não se abala com qualquer coisa. Antes de estrear pela seleção, recebeu um "olho no olho" do ex-atacante Ronaldo. Não ficou nervoso. Entrou em campo com firmeza. “Acho que não percebi o tempo passar”, justifica.

Fora de campo, também parece um cara sossegado. Não comprou um carrão de valor absurdo. Preferiu um carro mediano, com um preço na casa dos R$ 50 mil, sendo sua única “extravagância” o fato de ser off-road, com alguns acessórios que parecem feitos para aventuras fora da estrada, mas raramente usados na cidade.

Damião também não se apega às roupas de grife e ao tênis da moda. Prefere a discrição. O técnico Celso Roth tem uma frase interessante para definir o atacante: “O Damião é o Damião! Esse cara simples que aprendemos a admirar”. O atacante recebeu a reportagem do iG no vestiário do Beira-Rio. Na entrevista exclusiva,  fala de sua rápida ascensão, conta bastidores da seleção brasileira e revela planos para o futuro .

Gabriel Cardoso
Ao lado do Saci, mascote do Inter, Damião concede entrevista exclusiva ao iG
iG: No início de 2010, você era um jogador desconhecido. Agora, em 2011, já foi até para a seleção brasileira. Como está lidando com esta mudança tão rápida na carreira?
Leandro Damião: É, foi uma mudança rápida, tudo muito rápido, mas trabalhei para isso. Quero crescer mais. Consegui chegar na seleção e quero seguir bem aqui no Inter. Tenho que continuar trabalhando e seguindo a fazer as coisas que sempre fiz. Não tenho por que mudar nada. Agora é buscar me aperfeiçoar nos treinos para seguir fazendo gols no Inter e esperar novas chances na seleção.

iG: Lembro de ter conversado com você em um amistoso, em Criciúma, no início de 2010, e você ainda era um desconhecido. Todo mundo esperava que o Walter (outro atacante) fosse o destaque daquele time, mas lá você já começou a chamar a atenção. Que diferenças você vê de lá para cá?
Leandro Damião: Estou a mesma coisa, sempre me concentrei muito no meu trabalho aqui no Inter e busquei agarrar as oportunidades. Tenho que seguir firme, marcando gols, ajudando da melhor maneira. Foi assim que consegui chegar aonde cheguei e tem que manter assim.

iG: Desde quando você passou a ser reconhecido na rua?
Leandro Damião: Ah, desde aquele gol na final da Libertadores. A partir daquele momento os torcedores passaram a me reconhecer mais. Hoje é difícil quem não me identifique (risos). Eu saio tranquilo com minha noiva, gosto de ir ao cinema, sair pra jantar. O pessoal sempre pede autógrafo, pede pra tirar foto, mas sou tranquilo.

iG: Como foi a experiência em Londres com a seleção brasileira?
Leandro Damião: Ah, foi muito bom, né. Foi a primeira vez que estive em Londres. Ainda mais com aquele grupo só com os feras, então é outro mundo. Mas tive que fazer como fiz no Inter: aproveitei a oportunidade, tem que agarrar a chance. Infelizmente não fiz o gol, mas consegui ajudar a equipe na frente.

iG: Como foi o primeiro contato com jogadores que você só via pela televisão?
Leandro Damião: Boa parte dos jogadores eu já tinha visto. O Neymar eu já joguei contra ele; o Lúcio, o Maycon e o Júlio César eu havia visto no Mundial de clubes. Mas fiquei muito feliz de ver os caras, almoçar com eles, são pessoas humildes e isto é muito bom. É como se fosse um peneirão, você vai lá e tem que fazer o seu melhor pra tentar se firmar. Você chega e não sabe como é o dia-a-dia, mas o Sandro (ex-volante do Inter) foi um cara que me ajudou muito, o próprio Victor (goleiro do Grêmio) também, especialmente pra saber os horários e outras coisas. É tranquilo. Eles me trataram super bem. Conversam, dão apoio. O Lúcio e o Maicon chegaram em mim antes do jogo e disseram pra jogar com tranquilidade.

iG: Você parece não ter sentido a pressão de estar na seleção brasileira. Até o Ronaldo, que era o dono da camisa 9, foi lá no vestiário falar com você. Tem alguma preparação especial?
Leandro Damião: É que eu fui crescendo pouco a pouco e acho que não percebi o tempo passar. Hoje eu me sinto muito tranquilo. O Ronaldo esteve lá, olhou pra mim e falou: “camisa 9, hein”. Eu olhei pra ele e respondi: “É, pois é”. Conversamos um pouquinho e já fui pro jogo. É outra dimensão estar lá no meio do campo, ver os outros jogadores perto e saber que você está chegando num patamar que eles já estão. Vou continuar trabalhando no Inter para chegar mais vezes lá.

AI Internacional/Divulgação
Início de 2010: Damião (no fundo) observa a finalização de Walter, estrela do time B naquela época
iG: Você recebeu algum “trote” por ser a sua primeira convocação?
Leandro Damião: Tem um discurso que tem que fazer. Na hora da janta, eu, o Jonas (Valencia), o Lucas (São Paulo) e o Henrique (Cruzeiro) tivemos que fazer.

iG: Como foi o seu discurso?
Leandro Damião: Tinha que dar um discurso sobre aquele momento. Eu fiz uma saudação a todos, agradeci ao Mano Menezes e à comissão técnica, falei que cada jogador tem o sonho de chegar na seleção e que eu estava realizando aquilo. Disse ainda que faria o máximo para honrar a camiseta. Tinha que subir na cadeira para falar. Nós quatro subimos, eu ainda fui o último.

iG: Você preparou o discurso?
Leandro Damião: Não, eu fui o último. Os outros foram bem no discurso, então procurei copiar um pouco o discurso deles (risos).

iG: Ficou com a camiseta da estreia pela seleção? O que vai fazer com ela?
Leandro Damião: Fiquei com as duas camisetas. Em uma delas eu peguei o autógrafo de todo mundo e vou colocar em um quadro. Tem ainda um boné amarelo da seleção que eles dão em cada convocação. O meu boné tinha o número 1 porque era a primeira convocação. O Lúcio já tinha 124 convocações. Imagina, ele deve ter uma sala cheia de bonés.

iG: Quem são os seus ídolos no futebol?
Leandro Damião: O Ronaldo é um grande jogador, o Romário também. São os mesmos ídolos da maioria os atacantes.

iG: Tem como manter este momento mágico que está vivendo? Essa média de ter mais número de gols do que número de partidas...
Leandro Damião: Com este grupo que o Inter tem, tem como. Tem que trabalhar e buscar se aperfeiçoar. Eu não tenho por que mudar. Procuro trabalhar e sempre almejar mais.

iG: Um grupo forte como este do Inter acaba ajudando o jogador, não é?
Leandro Damião: Claro, tem o Kléber, o D´Alessandro... São jogadores de muita qualidade e acabam ajudando bastante. Eu procuro ficar bem posicionado e espero pela jogada deles.

iG: Também tem uma outra leitura. Com um grupo forte assim, é difícil um garoto que está surgindo conquistar o seu espaço, certo?
Leandro Damião: É, eu sabia disso desde que cheguei no Inter. Aqui é difícil de conseguir espaço desde a categoria júnior. Eu tenho que sempre procurar o melhor.

iG: Em que aspectos você evoluiu no Inter para conseguir chegar na condição que está hoje? E no que ainda precisa melhorar?
Leandro Damião: Acho que evoluí em tudo. Meus fundamentos melhoraram bastante. Peguei mais experiência e estou mais calmo, bem mais tranquilo. Todos os dias eu busco melhorar o máximo possível. Eu estou bem, mas penso que ainda preciso melhorar muito, tento buscar um patamar cada vez melhor.

iG: Estabelece metas na carreira? Que planos faz pro futuro? A Copa América pode ser uma realidade?
Leandro Damião: Eu procuro viver o momento, aproveitar as oportunidades que chegam independente de qual campeonato seja. Tento sempre dar o máximo. Sigo fazendo o meu trabalho no Inter, acho que ainda é cedo pra pensar na Copa América. Tenho que aproveitar as chances no Inter para ver se o Mano Menezes vai optar por mim. Quem vai decidir é ele. Eu seguirei brigando ali na frente.

iG: Como você vê a sua carreira daqui 10 anos?
Leandro Damião: 10 anos? Não vejo. Prefiro viver agora aqui no Inter para depois saber o que vai acontecer.

Jefferson Bernardes/VIPCOMM
Atacante comemora o gol marcado contra o Chivas na decisão da Liberatdores 2010

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