Para Claúdio Cerdeira, Gutemberg de Paula Fonseca precisa provar que foi orientado a proteger o Corinthians

O ex-arbitro Claúdio Cerdeira, que abandonou a profissão em 2000, diz não se surpreender com as acusações feitas pelo árbitro Gutemberg de Paula Fonseca. Retirado do quadro de árbitros da Fifa, Gutemberg disse na sexta-feira que o chefe da comissão de arbitragem da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Sérgio Corrêa, é corrupto . Ele disse ter provas, mas não apresentou. Em entrevista à rádio Jovem Pan, falou que, em contato telefônico, Corrêa insinuou a ele favorecimento ao Corinthians . Em seu lugar a CBF indicou Péricles Bassols, também do Rio.

“É uma situação gravíssima para o futebol. Tem que ser apurado. Para se fazer uma denúncia dessas é preciso ter provas e estar seguro”, afirmou Cerdeira ao iG . “Agora, infelizmente, isso não surpreende, porque eu vi essas coisas acontecerem. Infelizmente, não é novidade”, completou.

LEIA MAIS: Árbitro chama chefe de corrupto e insinua pedido por Corinthians

Em 1994, Cerdeira acusou Wagner Canazaro, então presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Carioca de Futebol, de obrigar os árbitros a manipularem partidas do campeonato estadual. Após o caso, o árbitro deixou o Rio de Janeiro e passou a apitar pela Federação Paulista de Futebol.

“O difícil vai ser ele (Gutemberg) provar o que falou. Quando denunciei a tentativa de manipulação, foi algo dito em uma sala com 20 pessoas. Só três ou quatro tiveram coragem de confirmar. Ninguém quer brigar com o sistema”, diz Cerdeira.

Gutemberg acusa

Gutemberg de Paula comandou o clássico Sport x Náutico, pela Série B de 2011
Gazeta Press
Gutemberg de Paula comandou o clássico Sport x Náutico, pela Série B de 2011
Em entrevista à rádio Jovem Pan, na última sexta-feira, Gutemberg de Paula Fonseca chamou Sérgio Corrêa de “mentiroso, mariquinha e corrupto” e disse que o chefe da arbitragem exige que todos os árbitros escalados para jogos das Séries A e B liguem para receber recomendações. O dirigente não foi encontrado para comentar as acusações.

“Corrupção não é só seduzir por dinheiro, é seduzir por presente. Se o árbitro errar o que não era para ter errado na visão do Corrêa, não é mais escalado, Eu saia de jogo com a consciência de ter feito o melhor, era parabenizado pelos auxiliares e jogadores, e nas escalas seguintes não era mais colocado”.

No quadro nacional desde 2004, Fonseca disse que nunca houve recomendação para receber instruções sobre os jogos antes da chegada de Corrêa. “Se ele pudesse, ficava com um ponto eletrônico sentado na casa dele, mandando o árbitro ir para esse lado ou aquele. Ou teria um controle de Atari (videogame) para controlar o árbitro”, disse.

É a CBF quem indica à Fifa os árbitros que farão parte do quadro da entidade mundial – e assim podem trabalhar em jogos internacionais, quando o valor recebido por partida é maior. O árbitro trabalha como Fifa dos 33 aos 45 anos, quando tem que se aposentar.

VEJA TAMBÉM: Árbitro comandou jogo da Série C investigado por suspeita de armação

“Voltamos ao tempo da capitania hereditária, mas na arbitragem. Passei em todos os testes, minhas médias estão acima do exigido, então por que me tirou? Vai ter que apresentar as justificativas, porque a Fifa não gosta que fique mudando de árbitro todo ano”, disse Fonseca. Bassols fazia parte do quadro em 2010, mas foi retirado em 2011 e agora voltou.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.