Meia agradece o carinho da torcida e deixa claro que pretende retornar às Laranjeiras após jogar na China

Emoção e gratidão marcaram a entrevista coletiva de  Dario Conca , em um hotel da Zona Sul do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira.

Com os olhos cheios d’água e fazendo um esforço enorme para não se entregar ao choro, o meia argentino fez juras de amor ao Fluminense , agradeceu o carinho do torcedor tricolor e se desculpou inúmeras vezes por alguma coisa de errada que tenha feito nesses três anos e meio nos quais defendeu o campeão brasileiro. Antes, ele se despedira dos colegas nas Laranjeiras .

Além de afirmar que o Fluminense foi mais importante em sua vida do que ele para o clube, o camisa 11 explicou as razões que o fizeram aceitar a proposta do Guangzhou Evergrande, da China, e prometeu que ao fim de seu contrato retornará às Laranjeiras.

“Estou muito emocionado e feliz por ter recebido uma proposta tão importante. Mas fico triste porque todo mundo sabe o que sinto pelo Fluminense. Foi difícil tomar essa decisão, mas acho que é um momento importante para minha carreira e para minha vida. Pensei muito e acho que é o melhor para mim e para minha família. Todos sabem que amo este clube. O Fluminense foi muito mais importante para mim do que eu fui para o clube. Agradeço pelo ter ajudado na minha educação, no meu caráter, e sempre tentei respeitar todo mundo”, disse, emocionado o jogador.

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Ao lado do presidente Peter Siemsen, que lamentou a saída do argentino como torcedor, mas se disse feliz de poder estar retribuindo tudo o que o jogador fez pelo clube, Conca se recusou a falar sobre os valores que o fizeram mudar de ideia, disse que não teme ficar escondido do outro lado do mundo e espera ajudar o futebol chinês a se tornar popular no país.

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Com um semblante dividido entre a tristeza de perder um ídolo e a alegria de ajudar um profissional a realizar um sonho, Peter Siemsen fez questão de frisar que não foi convencido a vender o jogador pelos chineses.

“Quem me convenceu a ser vendido foi ele e não os chineses. Como torcedor, estou com o coração machucado. Não só pelo que o Conca construiu como atleta, mas também por suas atitudes com a instituição. É algo praticamente insubstituível. Estou machucado, mas por tudo que ele fez pelo clube, um ídolo que é unanimidade, fico feliz por ele ter recebido a proposta do nível que recebeu e sair tão por cima, da uma forma digna, desbravando um novo mercado e com valor que representa o reconhecimento deste atleta. O Fluminense se orgulha por ter participação na carreira dele e por ele ter recebido uma proposta deste valor. Fomos uma porta para o mundo”, disse o presidente do Fluminense.

Confira os principais trechos da entrevista de Conca:

Conca teve de se esforçar para não chorar em sua despedida do clube
Photocamera
Conca teve de se esforçar para não chorar em sua despedida do clube

Silêncio
“Eu decidi não falar nada após o jogo contra o Atlético-PR porque não tinha nada concreto, nada assinado, e o futebol nos ensina muitas coisas. Já vi negociações 99% certas e no último minuto não acontecerem. Seria uma falta de respeito falar algo ou pensar em outro clube antes de encerrar meu contrato com o Fluminense.

Fluminense
“O Fluminense foi mais importante na minha vida do que eu fui para o clube. Jogadores passam, o clube fica. Só tenho motivos para agradecer aos funcionários, aos treinadores e aos meus companheiros. Não tenho palavras para agradecer o que fizeram por mim aqui não podia imaginar que os torcedores gostavam tanto de mim assim e que eu era tão importante para o clube. Estou há três anos e meio aqui e sempre me trataram bem. Nunca tive um problema. Fico contente por sair desta forma. O Fluminense é muito grande e não merece que falem dele como já falaram. Todos sabem que amo este clube. Agradeço ao Fluminense por ter feito tudo que fez por mim, por ter ajudado na minha educação, no meu caráter, e sempre tentei respeitar todo mundo”

O argentino ao lado do presidente do Fluminense, Peter Siemsen
Photocamera
O argentino ao lado do presidente do Fluminense, Peter Siemsen
Retorno
“É difícil pensar em encerrar a carreira agora. Falei com o presidente, com o Sandro Lima (vice de futebol), com o Celso (Barros, presidente do patrocinador) e disse que gostaria de ficar dois anos e meio lá e voltar. Vou fazer de tudo que isso aconteça. O Fluminense é o clube onde me sinto bem, onde sou querido e espero poder voltar para encerrar a minha carreira aqui. Mas não vou torcer para esses dois anos e meio passarem correndo, quero curtir e fazer um grande trabalho na China jogando futebol, pois é o que eu mais amo na vida”

Retorno para outro clube brasileiro
“Não tem jeito. Vou voltar para o Fluminense. Todos sabem que meu coração é tricolor. Sou um profissional, todo mundo sabe que tem que ser assim, mas já falei com o presidente que quero voltar para cá para encerrar minha carreira”.

Recado para a torcida
"Agradeço muito ao torcedor. Sempre tentei respeitar e honrar a camisa do Fluminense e peço desculpas se um dia fiz alguma coisa errada. Sempre vou ser agradecido. Todos me trataram muito bem. Levo comigo o carinho e amor que recebi no Brasil. Um dia vou voltar. Tenham certeza de que sempre vou levar o Fluminense e a torcida tricolor no meu coração para o resto da vida”

Despedida
“Foi muito duro. No dia do jogo contra o Atlético-PR, acordei cedo, fiquei muito triste e preferi ficar sozinho no quarto e comecei a pensar no que poderia acontecer. Fiquei mal e chorei um pouco. É triste sair de um lugar onde me sinto muito bem e fui tratado com tanto amor e respeito. Fico feliz por sair do jeito que estou saindo. Ultimamente algumas saídas foram difíceis para o clube e isso não faz bem para ninguém”

Seleção argentina
“Não aconteceu de ser convocado ainda, mas não fiquei no Fluminense por causa da seleção argentina. Fiquei muito tempo aqui por me sentir feliz. Todo mundo sabe a importância de jogar em um time tão grande e como uma história tão bonita. Foi uma decisão importante. Tive que pensar muito e optei pelo melhor para minha família, para minha carreira. Muita gente pode pensar que o mais importante era a seleção e sempre falei que o mais importante era o Fluminense”

Esquecimento na China
“Eu vou para um futebol diferente, mas não vou ficar sumido, não. Só vou fazer meu trabalho em outro país. Não tenho que pensar que vou para lá para sofrer ou sumir. Tenho que ter o respeito. Vou lá para fazer um trabalho e devolver a confiança que os chineses estão depositando em mim. Não quero mídia, quero ajudar o clube e fazer um bom trabalho”

Cultura diferente
“Ainda não aprendi nenhuma palavra em chinês e não sei nada sobre os hábitos na China, mas perguntei um pouco sobre a comida e disseram que tem muito restaurante italiano, brasileiro e acho que isso não vai ser problema. É um desafio na minha vida e espero me sair bem. Quando cheguei ao Brasil também foi tudo difícil e complicado no inicio e quatro anos e meio depois estou triste porque estou indo embora. Vou ficar no Brasil até sexta-feira e depois viajo para China com a minha namorada. Minha família está acertando os papéis para ir comigo”

Salário
“Prefiro não comentar sobre o acerto e o salário que vou ganhar lá. Não é o momento de falar sobre isso e prefiro deixar esse assunto de lado”

Momentos marcantes no Fluminense
“Tive algumas tristezas, mas nada grande. As perdas da Libertadores e da Sul-Americana me deixaram bastante triste, como todo mundo, mas todos os dias que passei no Fluminense foram marcantes. Só que o torcedor entendeu e sempre deu apoio”

Gol mais marcante
“Lembro de todos os gols que fiz pelo Fluminense. Alguns foram mais importantes, como os da Libertadores de 2008 e do Campeonato Brasileiro do ano passado, mas considero todos especiais. Não teve um principal”

Guangzhou Evergrande
“É um clube que tem um estádio grande, bonito, com média de público de 30 mil e lidera o campeonato local. Essa diretoria pegou o clube na Segunda Divisão, vem crescendo desde então e já está na liderança”

Distância da família
“Saí de casa com 21 anos e já estou acostumado a viver longe da minha família de um lado para o outro. Isso não será problema”

Saudade do Rio
“O Rio é uma cidade maravilhosa. Minha família gosta muito, todas as pessoas, independentemente do clube, me tratam bem aqui e em todo Brasil. Fiquei feliz pela cidade ter me homenageado com o título de cidadão carioca. Eu não esperava que uma cidade tão importante pudesse me prestar uma homenagem como essa. Apesar de não ter demonstrado muita alegria no momento, por eu não falar muito e pela minha timidez, fiquei muito feliz”.

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