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Com parafusos nos dois pulsos, se espelha em Marcos. "Mas eu tenho lesões piores", brinca.

Aos 23 anos, prestes a se graduar em Administração e com um convite para ser preparador de goleiros na base do Corinthians , Danilo Fernandes se prepara para fazer seu primeiro jogo como profissional do clube. Um dia antes da estreia, marcada para este domingo, na Arena da Baixada, contra o Atlético-PR , Danilo foi o centro das atenções no treino da equipe e contou, na sua primeira entrevista coletiva da carreira, como foi difícil chegar à condição de titular, mesmo que por um jogo. A chance de Danilo veio depois que Tite barrou Renan por deficiência técnica .

Danilo Fernandes cercado por microfones pela primeira vez na carreira
Bruno Winckler
Danilo Fernandes cercado por microfones pela primeira vez na carreira

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No Corinthians há 15 anos, quando começou a jogar futsal, Danilo passou por todas as categorias da base corintiana até chegar ao profissional, em setembro de 2008. Na ocasião, já cursando Administração na Uninove de Vila Maria, Danilo estava em fim de contrato quando surgiu uma chance de treinar entre os profissionais. Na época, sem esperanças de continuar no clube, já via como reais as chances de encerrar a carreira, já que somava algumas cirurgias e jogava com dores.

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“Tenho quatro cirurgias no punho direito e uma no punho esquerdo, tenho um parafuso em cada, tive fratura por stress na base, fiquei quase um ano parado, com meu contrato sendo prorrogado. Até o dia em que vim fazer um coletivo aqui no profissional e o Mauri me chamou. Acabei ficando”, disse Danilo, logo após o último treino antes do jogo em Curitiba .

Com cicatrizes nos dois pulsos, Danilo conta que chegou a jogar com ambos fraturados quando estava no time juvenil. “Fiz um jogo pelo juvenil quando tive uma trombada com um atacante. Senti dor, mas continuei jogando. Fui evitando jogar com uma mão, até que sobrecarregou a outra e fiquei com dor nas duas. Fui tirar raio x e tinha fratura nas duas”, comentou. “Até por essa minha história eu me espelho no Marcos (do Palmeiras). Gosto do Ronaldo que começou aqui, mas tenho como referência o Marcos, pelas lesões que ele teve, as minhas e as dele estão iguais. Mas acho que a minha pior (risos). O admiro também pela pessoa que ele é”.

Danilo comentou que chegou a treinar separado do grupo da base por causa das lesões. Na época, chegou a ser convidado a abandonar a carreira para ser preparador de goleiros dos garotos. “Eu treinava na base separado porque já tinha estourado a idade. Aí, conversando com um treinador de goleiros ele falou da situação, ele já tinha arrumado pra que eu virasse treinador de goleiros. Estava perto de acabar o contrato, meu contrato acabava em setembro e eu vim fazer um teste aqui em agosto. Foi o Luiz Henrique, treinador de goleiro da base. Ele me dava muita força, mas eu não queria, não (risos)”.

Persistente, Danilo continuou no clube e teve seu contrato prorrogado até dezembro deste ano. Quando subiu ao profissional, ele era o quarto goleiro atrás de Felipe, Júlio César e Rafael Santos. Já na faculdade, ele conseguiu conciliar a rotina de treinos com os estudos. “Eu nunca concentrava, mas nas poucas vezes que fui relacionado era exatamente nas semanas de prova. Parecia perseguição”, brinca. Ele encerra o curso neste ano e já fez o seu TCC (trabalho de conclusão) em marketing esportivo, área que pretende seguir depois de encerrar a carreira.

Com a chance dada por Tite, Danilo espera ter oportunidade de se firmar e até se tornar o reserva direto de Júlio César, que retorna contra o Santos, na quarta . “A gente treina para ser o titular, mas sabemos que o Julio saiu por contusão e está numa excelente fase. Mas vou fazer meu trabalho e quero corresponder”. Se não falhar em Curitiba, ele já larga na frente de Renan .

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