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"Estão querendo vender um produto 2 vezes”, diz presidente do C13

Ao iG Fábio Koff afirma que clubes já se comprometeram com entidade e que mais da metade já adiantou verbas de 2012

Marcel Rizzo, Marcelo Laguna e Paulo Passos, iG São Paulo |

Mais da metade dos filiados ao Clube dos 13 adiantou dinheiro referente aos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de 2012, produto que ainda não foi vendido e que gerou o racha que pode acabar com a entidade, fundada em 1987 . A informação é do presidente do C13, Fábio Koff, que em entrevista exclusiva ao iG falou sobre a abertura dos envelopes da concorrência para TV aberta no triênio 2012-2014, que ocorre nesta sexta-feira, 10h (horário de Brasília), em São Paulo, sem a participação da TV Globo, atual detentora dos direitos. Ele citou inveja de dirigentes de alguns clubes dissidentes.

Pela primeira vez o dirigente admitiu que “12, 13 ou 14 clubes” fizeram empréstimos bancários usando a cota de televisão de 2012, que não tem valor e emissora definidos, como garantia. O Clube dos 13 atua como fiel depositário, já que o pagamento é feito à entidade, que repassa aos clubes. Segundo Koff, aqueles que negociam separadamente o direito de transmissão de seus jogos para 2012 estão vendendo um produto pela segunda vez.

“Não (revelo quais clubes fizeram adiantamento), pergunta para eles. Eles sabem muito bem. E não é fácil conseguir adiantamento. É vender um direito sobre o produto que eles querem vender de novo”, disse Koff.

O presidente do C13 se apega à orientação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) de que a negociação tem que ser feita com concorrência, o que, segundo ele, inviabiliza contatos separados. Ele citou 16 vezes o Cade durante o bate-papo, mais até do que falou Clube dos 13. A entidade, após encontro com Koff dia 1° de março, informou que não impedirá negociação separada, mas exigiu concorrência. Autarquia do Ministério da Justiça, o Conselho só atua se houver denúncia.

Leia abaixo parte da entrevista concedida por telefone na tarde desta quinta-feira. Koff preparava em Porto Alegre sua mala rumo a São Paulo, onde participa nesta sexta da abertura dos envelopes.

AE
Fábio Koff preside o Clube dos 13 e nesta sexta abre envelopes para concorrência da TV aberta

iG: O Clube dos 13 já fez algum adiantamento com a verba de 2012?
Fábio Koff: Sim, com anuência dos clubes. Não faria isso, primeiro, se não fosse pedido dos clubes. Segundo, assinatura deles no compromisso com o banco. As instituições exigiram como garantia os valores dos direitos de transmissão de 2012. E como depositário fiel desse direito, o Clube dos 13, o que é comum fazer. Então, além do estatuto outorgar poderes, os clubes que recorreram a esses empréstimos reiteraram esse poder, dando como garantia. Agora tira as conclusões que você quiser com isso ai e vê quem está errado, quem está certo. Seu presidente como depositário.

iG: Quantas equipes já fizeram isso?
Koff: Não tenho os dados aqui, em mão, mas mais de 12, 13, 14. Estou em casa, me preparando para ir a São Paulo.

IG: Mais da metade dos associados?
Koff: Com certeza. Foi a segunda vez que venderam. A primeira (foi) no estatuto (pelo documento que criou o C13, é a entidade quem negocia od direitos de transmissão em nome dos filiados). Agora me comunicam que estão fora. É brincadeira, né?

iG: O senhor pode citar as equipes?
Koff: Não, pergunta para eles. Eles sabem muito bem. E não é fácil conseguir adiantamento. É vender um direito sobre o produto que eles querem vender de novo.

iG: O senhor imagina que a abertura dos envelopes da concorrência estará esvaziado com o anúncio de alguns clubes de que pretendem negociar separadamente?
Koff: Ninguém está desvinculado com o envio de um documento (pedindo desfiliação). O do Corinthians, por exemplo, ainda foi mal formulado. Esqueceram que precisam de 60 dias para sair. Além do Corinthians, nenhum clube me endereçou nada ao Clube dos 13. Acho que toda e qualquer correspondência nesse sentido deveria ser endereçada ao Cade. Eu estou cumprindo o acordado e vejo com surpresa e decepção o comportamento daqueles que se insurgem com um processo limpo, transparente. Sempre nos moldes e diligencia do Cade. Era o que todo mundo esperava há 13 anos. Contra o privilégio da preferência...

iG: O Clube dos 13 calcula ter apoio de quantos clubes?
Koff: Eu não tenho palavra de clube nenhum. Essas comunicações (para negociar fora do C13) não são feitas de forma unilateral. Uma entidade tem o seu fórum de debate, que é a assembléia geral. Com quatro clubes se convoca uma assembléia geral, o que me deixa perplexo. Mas como se insurge contra a decisão de uma assembléia geral?

O que eles querem? Negociar em separado? Isso é impossível de fazer. O Cade já disse que é impossível. Se eles conseguirem negociar em separado e demonstrando que ganham muito mais, talvez postulando no Cade, e mesmo tendo um prejuízo, talvez o Cade considere a decisão deles.

iG: Com um valor alto apresentado nesta sexta, alguns dissidentes podem voltar atrás? O senhor acredita que isso poderá ocorrer?
Koff: Talvez. Essas manifestações de cartas divulgadas na imprensa não têm efeito no que diz respeito à licitação que terá as cartas abertas amanhã (sexta-feira). Se depois de abrir as cartas e eles (dissidentes) não quiserem negociar, que postulem no Cade essa situação.

iG: O senhor imagina que os clubes terão prejuízo negociando separadamente?
Koff: Mas há uma premissa que precisa ser colocada: não existe negociação em separado. Quem diz isso é o Cade. Tem que fazer licitação, tem que obedecer aos padrões do Cade. Tudo que nós fizemos. Agora, se eles conseguirem fazer isso contra a ordem do Cade, que é um órgão do Ministério da Justiça, tudo bem. Se a concorrência do Clube dos 13, onde um clube grande pode conseguir até R$ 100 milhões e na aberta ele levar R$ 200 milhões, tudo bem. Tem que ir no Cade e mostrar que consegue mais. O Botafogo (que nesta quinta anunciou que deixará o Clube dos 13) participou do conselho que criou as regras da concorrência. Foi uma das vozes mais atuantes. Bateu palmas no encerramento. E por que ele está agindo assim? Ele tem que responder. Não para mim, mas para o Cade. Para mim, ele vendeu duas vezes o mesmo direito. Eu vou buscar. Ele quer vender de novo o direito?

iG: O Cade não pode aprovar os clubes em negociar em separado com mais de uma emissora?
Koff: Mas como eles podem negociar em separado? Eu tenho tentado explicar, talvez eu não tenha sido bastante inteligente para explicar para vocês.O jogo entre duas envolve duas equipes. Onde tem negociação em separado? São dois direitos de imagem... Se o Corinthians for jogar com o Arapiraca, o Arapiraca tem direito de imagem. Se ele não concordar, não passa na TV... Eles têm que ter o mesmo instrumento, o mesmo contrato. É um contrato coletivo, é um bem coletivo.

iG: A Globo não vai apresentar proposta. Ela não vai transmitir o Brasileiro de 2012?
Koff: A proposta está aberta. Se a Globo diz que o futebol estava perdendo audiência, que o que dá lucro é novela, fica fora. Eu acho até muito prudente, eles entenderem que não podem pagar o preço exigido. Fica fora, qual o problema? Será que não se faz futebol no Brasil a não ser por essa emissora? Será que não existe alguém que possa pagar mais. Se a Globo convencer a maioria dos clubes a pagar menos, tudo bem. Eu não tenho simpatia por nenhuma emissora, nenhuma. Até sempre tive uma boa relação com a Globo. Ela cumpriu com suas obrigações durante o contrato e tudo mais. Só que chegou um determinado momento, que houve uma intervenção do Cade, que disse ‘o que vocês estão fazendo não pode ser feito’.Tem que fazer dessa maneira. Eu recebi esse contrato como herança com R$ 10 milhões, da entidade maior do futebol do Brasil (a Confederação Brasileira de Futebol).

iG: O senhor acha que o Clube dos 13 pode acabar?

Koff: Não sei qual será o futuro do C13. O meu, eu sei. Enquanto eu tiver com compromissos para cumprir até março (como fiel depositário dos clubes em alguns bancos), eu fico. Talvez eu vá apagar a luz. Serei o último, se assim eles quiserem. As vezes faltou bom senso dos clubes. Em 1987 o C13 fez a Copa União e um ano depois entregaram para a CBF. Foi o “exército de Brancaleone”. As brigas do Clube dos 13 sempre foram para ganhar mais. Agora estão querendo ganhar menos. Sempre foi feita a discussão depois de ter o bolo. Agora não tem o bolo e estão brigando antes. E brigando publicamente. É lamentável, mas não me surpreende.

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