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"Estamos pagando um preço pelos erros que ocorreram", diz Abel

Técnico diz que temporada irregular era previsível e revela que gostaria de encerrar a carreira no Flu

Marcello Pires, iG Rio de Janeiro |

Sete vitórias, sete derrotas, quinze gols marcados e quinze sofridos. Os números comprovam a irregularidade do Fluminense no Campeonato Brasileiro. Com 21 pontos e um jogo a menos na nona colocação, o atual campeão brasileiro nem fede nem cheira na competição e em 14 rodadas jamais conseguiu atingir a parte de cima da tabela.

Contratado a peso de ouro e aguardado por quase três meses como salvador da pátria, Abel Braga afirma que o trágico primeiro semestre que minou as pretensões tricolores de recuperar a hegemonia perdida para o Flamengo em Campeonatos Estaduais e de conquistar o tão desejado título da Libertadores ficou no passado, mas reconhece que as consequências pelos erros cometidos ainda estão sendo pagas em leves prestações.

“Aquilo já passou, mas é claro que ainda estamos pagando um certo preço por tudo que aconteceu. Até pelo título do ano passado. O clube já tinha terminado o ano de 2009 de forma extraordinária, até anormal, pois ninguém acreditava que o Fluminense conseguiria se salvar do rebaixamento e se salvou. Depois veio uma conquista brilhante que não acontecia há 26 anos. Após tudo isso é normal um começo de ano claudicante e irregular. Somado a tudo isso, ainda vieram todos aqueles problemas. Mas estamos buscando a regularidade”, explicou.

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A ligação de Abel com o Fluminense é tão sólida e significativa, que nada disse é capaz de diminuir a paixão com que o treinador fala e trabalho pelo clube. De volta ao país após três anos e meio nos Emirados Árabes, o ex-zagueiro tricolor revela que gostaria de encerrar a carreira nas Laranjeiras e afirma que antes de pensar em título é preciso encontrar uma regularidade.

“Primeiro eu trabalho pela regularidade da equipe. Eu sei que para chegar à Libertadores ou ser campeão eu preciso buscar essa regularidade. Nós estamos num perde e ganha muito grande dentro da competição e isso não vai nos levar a lugar nenhum. Se a gente conseguir achar esse equilíbrio e emplacar uma sequência de vitórias que ainda não foi possível, aí vamos em busca de um sonho maior”, afirmou Abelão.

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Confira a entrevista na íntegra

iG: Como você encontrou o Fluminense quando chegou às Laranjeiras?
Abel Braga: Não tinha nada daquilo que eu imaginava. Teve antes, mas os jogadores chegaram a conclusão de que o elenco teria que ser um só e que não poderia ter grupinhos. É óbvio que em um grupo de 35 homens com personalidades diferentes nas questões sociais, culturais, uns casados, outros solteiros, é normal que você forme amigos diferenciados dentro do clube. No meu tempo já era assim. Quando eu cheguei a coisa estava mais calma e eu acho que eles gostaram da minha maneira de ser. Trato todo mundo olhando no olho, falando a verdade, sem sacanagem e não tem conversinha para agradar. Eu dou moral quando tenho que dar e cobro quando é preciso cobrar. Sou exigente. Sempre que tomo qualquer atitude que não seja relacionada à parte tática, eu me coloco no lugar do jogador porque fui atleta. Eu procuro saber se eu gostaria de escutar aquilo que eu tenho para falar. Mas para minha surpresa, o que eu tinha receio, foi o ponto mais simples. O que está sendo difícil é achar o equilíbrio da equipe, embora ela já esteja começando a ter minha cara. Eu quero que jogue mais. Eu não quero só que ganhe mais.

iG: O começo do seu trabalho em 2005 foi até mais difícil do que está sendo esse. Você vê alguma semelhança entre esses dois momentos e suas respectivas equipes?
Abel Braga: Aquele grupo eu peguei do inicio, na pré-temporada. Eu montei um time, mas quando esse time deixou de dar certo durante o primeiro turno do Carioca, eu fiz apenas duas mudanças: coloquei o Juan na lateral-esquerda e trouxe o Marcão para jogar de líbero, liberando os laterais. Mas eu mudei conhecendo as características dos jogadores e sabendo que eu poderia ganhar lá na frente. Já sabia o que os jogadores poderiam me dar. Agora eu não posso ficar mudando quatro, cinco peças a cada jogo. Quando cheguei tive que mudar nos primeiros jogos e isso atrapalhou um pouquinho. Mas os jogadores já estão assimilando bem o que eu quero.

iG: Durante as entrevistas alguns jogadores comentaram o fato de você cumprimentar um por um antes de cada treino. Você acha que isso faz diferença no dia a dia?
Abel Braga: Na França é assim. Eu vivi isso como jogador e depois como treinador. Quando você volta para o Brasil nota aquele coisa bem mais superficial. No Al-Jazira, o jogador chegava ao clube e batia na minha sala para me cumprimentar. Mesmo aqueles jogadores que não falavam comigo antes do treino, porque a porta as vezes estava fechada, entravam no campo e vinham me cumprimentavam. Eu acho que isso cria uma relação mais forte de educação e de respeito. Todo mundo se sente mais à vontade e importante dentro do grupo. O aperto de mão tem vários significados, mas você não aperta a mão de quem você não gosta. Geralmente é assim. E qualquer jogador percebe que eu aperto a mão dele da mesma maneira que aperto a do Fred, que é o capitão e líder da equipe.

Caio Amy/Photocamera
Rafael Sobis tem a confiança do técnico Abel Braga

iG: Você notou muita diferença no futebol brasileiro após três anos e meio nos Emirados Árabes?
Abel Braga: Mudou muita coisa sim, mas eu vim preparado para as mudanças. Quando eu estava lá nos Emirados eu assistia aos jogos do Brasileiro e percebia que o futebol aqui estava rápido e pegado demais. Mas está se jogando um pouco menos. Não sei se essa é a tendência do futebol mundial. Está um jogo mais tático, muito mais pegado e como menos posse de bola, com exceção de Santos, Flamengo e Internacional, que tem uma posse de bola extraordinária. Isso eu consegui lá, o Al-Jazira tinha uma posse de bola muito boa. Aqui é muita correria e existe uma exigência de se contratar jogadores rápidos. Os jogadores lentos estão tendo problema.

iG: Você já falou muitas vezes sobre sua relação de carinho com o Fluminense. Seria especial conquistar o Brasileiro, talvez o único título importante que lhe falte, pelo clube?
Abel Braga: Seria fantástico e nós vamos trabalhar para isso. Não sei se vai dar, mas o objetivo do clube é esse. A ideia aqui é que o Fluminense faça o mesmo que o São Paulo e o Internacional fizeram nas últimas temporadas. O Inter não ganhou apenas os títulos gaúchos. Foram duas Libertadores, um Mundial, uma Recopa, uma Sul-Americana, o torneio de Dubai. Todo ano eles estão disputando alguma coisa. Isso é o ideal. Você monta uma estrutura, forma uma base e uma hora ou outra apenas vai precisar mudar uma peça dentro daquele esquema. É definir a forma de jogar. Mas isso leva um tempinho. Tem jogador aqui que eu adoro e nem vi ainda. Eu tenho uma admiração enorme pelo Araújo, mas ainda não o vi jogar. Ele seria o titular na minha estreia contra o Corinthians, mas no dia do jogo sentiu uma lesão e só está voltando agora.

iG: Você acha que o elenco do Fluminense hoje é um dos melhores do Brasil?
Abel Braga: Eu acho que é um plantel muito bom. Não foi feito por mim. Dentro do esquema de cada treinador sempre existem peças especiais. Mas isso a gente vai pensar só para o ano que vem. Não queremos chegar em dezembro e mudar muita coisa.

Caio Amy/Photocamera
Rafael Sobis tem a confiança do técnico Abel Braga

iG: Pelo tempo que o Fluminense te esperou você acredita que terá tranquilidade e credibilidade para realizar um trabalho a longo prazo sem sofrer pressão por resultados?
Abel Braga: A minha identificação com o clube é muito grande. E não é só carinho. É um respeito enorme pela instituição Fluminense. Por isso que foi criada uma simpatia muito grande com o torcedor. Eu nunca tive meu nome gritado em dias de jogos, e aqui a torcida grita meu nome. Eu tenho contrato até dezembro do ano que vem, mas o que eles falam comigo é que querem que eu fique três, quatro anos nas Laranjeiras. Tomara que isso aconteça. Estou num clube que eu gosto, na minha cidade, seria muito bom. Se tudo der tudo certo nos próximos quatro, cinco anos, eu paro aqui.

iG: Você acha que o Fluminense vai mudar muito depois da compra de um Centro de Treinamento, o que deve acontecer até o fim do ano?
Abel Braga: Vai porque vamos poder trabalhar jogadas de bola parada que não deveríamos fazer com a presença da imprensa e de torcedores. Até porque a gente não sabe quem são as pessoas que estão assistindo aos treinamentos. Se tiver alguém do adversário aqui na arquibancada eu não vou saber identificar e não vou poder impedir que ele assista o treino. Isso tem um peso grande nos jogos. Fora aqueles probleminhas de treino normais que me obriga a dar uma dura nos caras. Não é o ideal que as pessoas vejam isso. Outro dia fizeram uma leitura labial minha e agora tenho que falar com os jogadores de costas para a imprensa (risos).

iG: Você ainda acredita no título Brasileiro ou sua meta é apenas classificar o Fluminense para a Libertadores?
Abel Braga: Primeiro eu trabalho pela regularidade da equipe. Eu sei que para chegar à Libertadores ou ser campeão eu preciso buscar essa regularidade. Nós estamos num perde e ganha muito grande dentro da competição e isso não vai nos levar a lugar nenhum. Se a gente conseguir achar essa regularidade e emplacar uma sequência de vitórias que ainda não foi possível, aí vamos em busca de um sonho maior. Os jogadores estão imbuídos disso. Não custa nada tentar. Nós sabemos que temos de melhorar nosso desempenho e conseguir os resultados, mas está havendo vontade, dedicação e ambição, e isso é fundamental. Além da qualidade do nosso elenco.

iG: O que você acha que está faltando para a equipe alcançar essa sequência de vitórias?
Abel Braga: Bateu na trave algumas vezes, mas não pode bater na trave. Eu tenho certeza que os jogadores estão encarando os adversários com respeito, porque os times são muito iguais e o campeonato é muito equilibrado. Mas tem dias que as coisas não vão bem. E nesses dias a gente não está contando com a sorte nas chances criadas, temos sofremos gols por bobeira e muitas vezes o grupo perde a concentração em determinados momentos. Isso está pesando. Tem um time que está lá em cima da tabela que ganhou vários jogos sem jogar bem. Está faltando um pouquinho dessa sorte pra gente, mas não podemos reclamar disso. Temos que reclamar de nós mesmos, porque falhamos em alguns momentos que não poderíamos ter falhado.

iG: Você acha que os problemas do primeiro semestre ainda estão refletindo no grupo?
Abel Braga: Aquilo já passou, mas é claro que ainda estamos pagando um certo preço por tudo que aconteceu. Até pelo título do ano passado. O clube já tinha terminado o ano de 2009 de forma extraordinária, até anormal, pois ninguém acreditava que o Fluminense conseguiria se salvar do rebaixamento e se salvou. Depois veio uma conquista brilhante que não acontecia há 26 anos. Após tudo isso é normal um começo de ano claudicante e irregular. Somado a tudo isso, ainda vieram todos aqueles problemas. Estamos buscamos o equilíbrio. Temos poucos jogadores no departamento médico e o grupo está bem mais enxuto, mas o que falta mesmo é uma sequência de vitórias. Só isso que vai fazer a diferença.

iG: Você disse que quer ter cinco meninos da base treinando com os profissionais. Tem alguém do time que conquistou o vice-campeonato da Taça BH de Juniores que te chamou atenção?
Abel Braga: Eu vi os jogos e gostei muito do Patinho. Ele trabalhou aqui comigo uma semana, dez dias e teve um momento muito bom. Eu já tive até uma conversa particular com ele. O goleiro também é muito bom e vai fazer parte do elenco.

Caio Amy/Photocamera
Rafael Sobis tem a confiança do técnico Abel Braga

iG: Você trabalhou com o Rafael Sobis no Inter e lá ele viveu seu grande momento. Depois disso ele nunca mais foi o mesmo. Qual o verdadeiro Sobis?
Abel Braga: Em 2006 o Rafael Sobis foi fantástico e foi muito bem lá nos Emirados também. Depois em 2008 ele se lesionou e ficou muito tempo sem uma sequência de jogos. A boa notícia é que agora ele está inteiraço, forte e muito confiante. Eu tenho uma esperança muito grande nele
 

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