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Futebol
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Estaduais inovam nas regras e no marketing em busca de público

Principais torneios começam nos próximos dias com regras sóbrias, mas detalhes curiosos para tentar recuperar prestígio perdido

Marcel Rizzo, iG São Paulo |

Os principais campeonatos estaduais começam nos próximos dias com regulamentos mais sóbrios, apesar do inchaço de algumas competições como a paulista, e com detalhes para tentar motivar os torcedores a deixarem suas casas para acompanhar torneios que perderam o charme de dez anos atrás.

A febre, por exemplo, é premiar o “melhor time do interior”, uma forma de evitar que as equipes menores percam a motivação quando percebem que estão sem chance de levantar a taça principal. Criado em São Paulo, o título do interior já foi exportado para Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pernambuco, entre outros. Mas em cada estado há peculiaridades nos regulamentos que tentam deixar mais atraentes os torneios, inclusive para os patrocinadores.

O iG analisou detalhes de seis estaduais e relatou as curiosidades. De musas, lançamentos de bolas com efeitos pirotécnicos, até televisionamento limitado e grandes sem estádio para jogar, as competições se mantém para que as federações locais também sobrevivam.

Gazeta Press
Musas do Paulistão de 2010 posam antes de clássico entre Corinthians e São Paulo. Marketing da FPF para valorizar o torneio

SÃO PAULO
A mudança do regulamento, classificando agora oito times para a fase final e não mais quatro, foi feita para evitar desmotivação a partir da metade da primeira fase, explicou o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero. Estadual com mais clubes, 20, o Paulistão até 2010 classificava só os quatro primeiros, rebaixava outros quatro, deixando 12 equipes em um “limbo”.

Mas a FPF é especialista mesmo em conseguir espaço na mídia com promoções. Há quatro anos promove, por exemplo, o concurso Musa do Paulistão. Vinte modelos são selecionadas, desfilam por estádios, e ao final da competição os internautas elegem a mais bonita. No fim de 2010 a entidade promoveu o Musa do Interior, pegando como gancho a Copa FPF, torneio do segundo semestre feito para dar atividade aos clubes que não disputam uma das quatro divisões do Brasileiro.

Tentando transformar o Paulistão em um show, a FPF faz evento até para o lançamento da bola, da marca Topper (o que difere o estadual de outros, já que a maioria é patrocinada pela Pênalty). Em novembro, na sede da Barra Funda, bairro da Zona Oeste, a imprensa foi convidada para o lançamento da bola, com direito a modelos e efeitos especiais às 11h da manhã.

RIO DE JANEIRO
Milton Trajano
Novos troféus em disputa no campeonato do Rio
Mais dois troféus serão dados no Campeonato Carioca de 2011. Além da Taça Guanabara, ao campeão do primeiro turno, e Taça Rio, ao do segundo, a Federação de Futebol do Rio de Janeiro decidiu premiar os melhores coadjuvantes. As equipes que não se classificarem para as finais dos turnos disputarão taças com nomes de personalidades: no primeiro turno o jornalista Washington Rodrigues, o “Apolinho” (que treinou o Flamengo em 1995), e no segundo o capitão do Tri em 1970, Carlos Alberto Torres. Se um dos quatro grandes não estiver nas semifinais terá que jogar o torneio de consolação.

O campeonato ainda é motivado pela tradição: somente no Rio há festa, volta olímpica, taça levantando com entusiasmo por vencer um turno (seja a Guanabara, seja a Rio). O torneio fica mais empolgante do que o Paulista, por exemplo, pela maior quantidade de clássicos, já que há confrontos na semifinal e final dos turnos, enquanto o Paulista há clássicos na primeira fase e se houve cruzamento na semi e final.

RIO GRANDE DO SUL
Não deu certo colocar o nome dos troféus referentes aos turnos de dirigentes dos clubes. No ano passado, o time que vencesse o primeiro turno receberia a taça “Fernando Carvalho”, homenagem ao então vice de futebol do Inter. O segundo turno levava o nome de “Fábio Koff”, atualmente presidente do Clube dos 13, mas que fez carreira política no Grêmio.

[]A intenção da Federação Gaúcha de Futebol era de “forçar” os dois principais times a não esnobarem as fases iniciais do estadual, para evitar que o rival levasse a taça com nome de seu dirigente. Logo no primeiro turno o Grêmio venceu a taça “Fernando Carvalho”, e o colorado foi até o Olímpico entregar o troféu. Constrangimento que não irá se repetir. Em 2011, o primeiro turno será a taça “Piratini” (capital do estado durante a revolução farroupilha) e o segundo o troféu “Farroupilha” (referente à batalha que “separou” o estado do Brasil imperial em 1835).

A FGF faz também uma exigência diferente para a competição 2011: todos os clubes mandantes terão que gravar suas partidas, na íntegra, e enviar à Federação 48 horas depois do término do confronto. As imagens, segundo a entidade, serão usadas para que reclamações contra erros de arbitragem possam ser solucionadas mais rapidamente.

MINAS GERAIS
Nada de musas, lançamento pirotécnico de bola. Com regulamento sóbrio, Minas Gerais sofre com a falta de estádio para os grandes times, o que fez com que pela primeira vez na história do torneio a Federação Mineira de Futebol colocasse no regulamento da competição detalhadamente os valores de custo de arbitragem, já que Atlético-MG e Cruzeiro, sem o Mineirão (em reforma para a Copa do Mundo de 2014), jogarão no interior.

O Cruzeiro citou como campo escolhido o Parque do Sabiá, em Uberlândia (distante 556 km de Belo Horizonte) e o Atlético optou pelo Ipatingão, em Ipatinga (217 km da capital). Cada clube paga valor diferente, referentes à distância que os árbitros percorrerão para chegar às cidades. O regulamento detalha cada valor, seja o trio apenas filiado à FMF, seja ele todo Fifa, o que aumenta os custos. Exemplo: Cruzeiro e Atlético gastarão R$ 7.043 por um trio mais barato e R$ 9.815 pelo trio mais caro. A tabela no regulamento ocupa quase um quarto do documento.

BAHIA
Milton Trajano
Carnaval é folga. Mas vai ter treino?
É praxe: sem jogos no Carnaval. E está no regulamento, para ninguém ter dúvida e poder comprar abadas à vontade. Depois de o regulamento já ter sido publicado, a Federação Baiana divulgou um adendo com algumas sugestões de torcedores, entre eles não ter partidas na semana do Carnaval, e de Micaretas (Carnaval fora de época), nas cidades que recebam partidas.

O formado do Campeonato Baiano talvez seja o menos coerente dos analisados, já que os grupos divididos jogam entre si, e não dentro da chave. Tudo isso para que tenha o clássico Ba-Vi duas vezes já na primeira fase, e com datas definidas no regulamento (6 e 20 de fevereiro), antes portanto do Carnaval. Em uma situação absurda, mas prevista na regra, os times de um grupo vencem todos os jogos sobre os rivais do outro grupo e estes se classificam para as semifinais nos critérios de desempate, mas com zero ponto cada.

PERNAMBUCO
Chuvas e mais chuvas alagam os campos em Pernambuco entre janeiro e março, o que nos anos anteriores transformavam o campeonato em caos, com adiamento de jogos sem ter noção do que aconteceria. Por isso a Federação de Pernambuco resolveu inovar para 2011: 35 itens do regulamento tratam do cancelamento, adiamento ou atraso de partidas por qualquer motivo, mas que tem a chuva como principal “alvo”. O detalhe é que a decisão, quase sempre, recai sobre o presidente da FPF. Na pior das hipóteses o confronto ocorre no dia seguinte.

Sem televisionamento, a FPF decidiu adotar regras também para que as imagens do campeonato não sejam usadas logo (e, talvez, force que alguém pague por isso). Portanto, para jogos com início 17h, o VT só pode ser transmitido depois das 21h. Nos jogos noturnos, só depois das 9h do dia seguinte. E tudo isso com autorização da entidade. Quem desrespeitar e mostrar um golzinho que for antes disso pode ser proibido de entrar nos estádios durante o Estadual.

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