Seis jogadores viajam para a Inglaterra nesta terça-feira para participar de concurso da Nike

Virar profissional, conquistar um título e ser vendido para um clube da Europa. Esse é o roteiro sonhado por 10 entre 10 jovens que tentam a carreira de jogador de futebol. Diego, Helder, Yuri, Weslley, Mauro e Felipe já desejaram uma vida assim. Hoje, sonham apenas com a última parte da história.

Paulo Passos
Mauro treinou durante três meses no Fulham, da Inglaterra
Os seis jogadores, que têm entre 17 e 20 anos, foram selecionados para um concurso da empresa de material esportivo Nike. Eles embarcam nesta terça-feira para a Inglaterra para disputar com mais de uma centena de jovens, de quarenta países, oito vagas em uma academia de futebol em Londres. Todos serão testados por uma semana. Quem passar ficará um ano treinando no local.

“É a chance de encurtar o caminho. Todos nós queremos jogar na Europa, ainda mais na Inglaterra”, afirma Felipe Franco, que até o ano passado treinava no Primeira Camisa, equipe do ex-zagueiro Roque Júnior. Antes de atuar no time de São José dos Campos, o meia já havia passado por Barueri e pela equipe de futsal do São Paulo. Em ambos foi dispensado.

História semelhante à de Mauro, também selecionado para o concurso batizado de “A Chance”. Até o final do ano passado, o meia treinava no time profissional do Juventus mesmo sem ter contrato assinado. Aos 19 anos, ele é o único dos seis escolhidos para fazer o teste em Londres que fala inglês.

Em 2009, Mauro passou três meses no Fulham, da Inglaterra. “Foi um advogado que me levou. Só não fiquei porque não tinha passaporte europeu”, diz. “Acho que meu futebol se adapta bem ao estilo de lá. Não quero mais jogar em clubes do Brasil, não”, completa.

O discurso é o mesmo dos outros jogadores escolhidos. “Quero fazer minha vida primeiro na Europa, depois eu volto para o Brasil”, diz Iuri, que se informou sobre o concurso ao ouvir uma propaganda no rádio. “Fiquei sabendo e fui na loja fazer a inscrição para um teste”, revela o jogador, que já atuou nas categorias de base de Botafogo, Mesquita e Tigres, todos do Rio Janeiro.

Para escolher os brasileiros, a Nike observou jogadores em provas, conhecidas no meio do futebol como peneiras, e no campeonato organizado pela própria empresa. Os olheiros da companhia indicaram 44 jogadores de 16 a 21 anos.

Seis brasileiros tentarão uma das oito vagas para ficar um ano na Inglaterra
Paulo Passos, iG São Paulo
Seis brasileiros tentarão uma das oito vagas para ficar um ano na Inglaterra
Durante o primeiro final de semana de setembro, eles foram observados no centro de treinamento do Desportivo Brasil, em Porto Feliz. Uma equipe formada, entre outros, pelos ex-jogadores Pita e Darío Pereyra acabou selecionando seis atletas. Em dezembro, um deles, Yuri Gorentzvaig, foi chamado para jogar na equipe sub 23 do Corinthians e abandonou o concurso. Outro jovem avaliado foi convocado.

Segundo a organização, mais de 70 mil jogadores se inscreveram no concurso em todo mundo, seis mil no Brasil. “Nosso objetivo não é competir com clubes e empresários. A ideia é dar visibilidade para esses garotos para que eles consigam um time”, revela João Chueiri, gerente da área de futebol da Nike.

Em Londres, os jogadores ficarão em uma academia da empresa, com direito a moradia e alimentação. Não há, entretanto, nenhum suporte financeiro. A permanência na Inglaterra pode durar uma semana, um ano ou, no sonho deles, até mais tempo. “Quero voltar só quando tiver uns 30 anos, tipo Ronaldo, Ronaldinho”, diz o meia Diego.

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