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Esperança, agonia, tristeza e fúria marcam queda do River Plate

iG acompanhou jogo que decretou o rebaixamento do gigante argentino na arquibancada do Monumental de Nuñez

Marcel Rizzo e Paulo Passos, enviados iG a Buenos Aires |

Paulo Passos
Torcedora do River chora após final da partida contra o Belgrano, no Monumental de Nuñez
O bilhete do ingresso já indicava que não havia lugar para sentar. “Platea Centenario, Fila 0, Asiento 0”, está escrito. Ao entrar no Monumental de Nuñez se entende o porquê. Todos os mais de 52 mil torcedores nem cogitam ficar sentados.

De pé e gritando, crianças, mulheres, homens, velhos e jovens tentam evitar o que parece óbvio: a queda do River Plate para a segunda divisão do Campeonato Argentino . Ninguém consegue aceitar que um gigante, chamado de milionário, pode cair.

Para ver a salvação, eles fazem de tudo. Se amontoam na escada, se penduram no portão que separa a arquibancada das cadeiras, com auxílio do arame farpado e a conivência da policial, que vê a cena com naturalidade. O mesmo que assiste a um pai ajudar o filho de cinco anos a escalar um muro de dois metros para ele ver o jogo.

A partida começa e os gritos não param. Cantos exaltando o passado glorioso e o amor dos torcedores só se calam quando a bola entra no gol. Quatro minutos de jogo e o Belgrano é quem marca. O silêncio dura pouco porque o gol é anulado.

Paulo Passos
Sem espaço na arquibanca, torcedor improvisa para ver o jogo
Os “millonarios” se inflamam. Mais ainda quando Mariano Pavone marca para o River. “Soy del River! Soy del River! De River soy yo!”, gritam, com a certeza de que o time marcará o segundo e escapará da queda.

Em campo, Caruso cai dentro da área. O estádio vem abaixo. De pênalti seria mais fácil marcar o gol da salvação. O árbitro Sergio Pezzotta manda o jogo seguir e não dá a falta.

Por alguns minutos, os torcedores esquecem até dos rivais do Boca Juniors em suas canções. Eles já têm um vilão para “homenagear”. Pezzotta é xingado de todas as formas possíveis.

O tempo passa e a esperança vira agonia. Aos 16 minutos do segundo tempo se transforma em tristeza. Farré, do Belgrano, empata o jogo.

O estádio se cala por alguns minutos. O silêncio precede a tragédia. As mãos que antes eram jogadas para frente no ritmo dos cânticos, agora se esfregam no rosto.

Gol perdido, pênalti errado e chutes para fora indicam que o pior está por vir. Os gritos já não são de alento ao time e, sim, de fúria. A tristeza vira raiva, misturada com decepção.

O choro começa antes mesmo do jogo terminar. Aos 44 do segundo tempo, o árbitro apita. Aos prantos, alguns torcedores ainda tentam cantar, enquanto muitos já iniciam o que será uma noite de confrontos com a polícia. “Nas boas e nas más, eu te seguirei em todas as partes”, diz um dos versos.

O River é grande. Gigante como o Monumental de Nuñez. Só não é maior que a dor do seu torcedor.

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