Publicidade
Publicidade - Super banner
Futebol
enhanced by Google
 

Era Caio Jr. é marcada por atritos com torcida e nova filosofia

Equipe abandonou o estilo chuveirinho, mas queda de rendimento na reta final do Brasileiro derrubou o treinador

Renan Rodrigues, iG Rio de Janeiro |

A derrota do Botafogo para o América-MG, a terceira seguida da equipe carioca no Campeonato Brasileiro, encerrou a passagem do técnico Caio Júnior em General Severiano. Apesar de entregar o time na quinta colocação do torneio, com chances reais de classificação para a Copa Libertadores, o desempenho do time nas últimas rodadas e a pressão da torcida acabaram derrubando o técnico.

Veja mais: Caio Jr. entrega o Botafogo na 5ª colocação. Veja a tabela atualizada

Caio Júnior assumiu a equipe no final de março, após Joel Santana ter pedido demissão pela pressão da torcida, incomodada com o estilo de jogo defensivo e com os resultados ruins. Em quase oito meses, Caio Júnior mudou a maneira do Botafogo jogar, acabou eliminado da Copa do Brasil, da Sul-Americana e levou o Botafogo a sonhar com o título do Campeonato Brasileiro. Porém, a queda de rendimento nas últimas partidas acabou colocando ainda mais pressão da torcida sobre o técnico.

Aproximação com Loco e mudança tática
Se com Joel Santana, Loco Abreu tinha discordâncias táticas e a conversa entre ambos não era fluente, Caio Júnior logo se tornou ‘aliado’ do atacante uruguaio em sua chegada. A braçadeira de capitão, que era de Marcelo Mattos, passou para Abreu, que também começou a ser ouvido sobre a maneira da equipe jogar.

Leia também: De 'falador' com Joel, Loco se torna 'auxiliar' de Caio Júnior  

AE
Caio Júnior passou a braçadeira de capitão para Loco Abreu quando chegou ao Botafogo


Aos poucos, com contratações de novos jogadores e as eliminações precoces no Campeonato Carioca e na Copa do Brasil, quando a equipe teve mais de um mês para treinar, o estilo de jogo do antigo ‘chuveirinho’ para a área buscando as cabeçadas de Loco, deu lugar a um futebol de dribles, toque e posse de bola. Após um início com derrota para o Palmeiras, o Botafogo só voltou a perder na 10ª rodada, para o Corinthians.

Veja mais: Há cem dias no cargo, Caio Júnior muda maneira do Botafogo jogar

A evolução da equipe e o estilo estudioso do treinador conquistaram o elenco. Respeitado pelos jogadores, Caio Júnior conseguiu que a equipe tivesse aplicação tática máxima na primeira metade do campeonato. Um dos exemplos citados pelo técnico era do meia Maicosuel. Escalado como armador, o jogador tinha a missão de marcar o lateral adversário e foi importante em várias partidas.

Primeiros atritos com a torcida
Se com os jogadores e dirigentes, a relação ia bem, com a torcida os atritos começaram cedo. Mesmo com a equipe apresentando uma evolução em relação ao começo do ano, o treinador não conseguia conquistar os botafoguenses.

Leia mais: "Melhor que não venham", diz Caio Jr. sobre torcedores que vaiam

Na quarta rodada do Brasileirão, após a vitória de 3 a 1 sobre o Coritiba, ao defender o lateral Alessandro de vaias, o treinador pediu que os ‘corneteiros’ nem fossem ao Engenhão. “Queremos mudar esse perfil de só ter vaias. Aquele que não quer ajudar, não quer colaborar com o próprio time, melhor que nem venha ao estádio", disse o treinador do Botafogo.

Veja também: Caio Júnior se nega a comentar gritos da torcida pedindo Cuca

Na derrota do Botafogo para o Corinthians na 10ª rodada, a torcida vaiou o time e entoou um grito pedindo a volta do técnico Cuca, que havia deixado o Cruzeiro algumas semanas antes. Ao ser questionado sobre o tema, Caio Júnior se negou a comentar os xingamentos. Dias depois, o treinador revelou que Cuca era seu desafeto desde sua saída do Flamengo, quando teria sido ‘traído’ pelo colega de profissão.

Veja mais: Caio Júnior se inspira no Barcelona para armar o Botafogo

Satiro Sodré/Divulgação AGIF
Treinador mudou o estilo de jogo da equipe, que era dependente das bolas aéreas
Após a eliminação da equipe carioca na Copa Sul-Americana, a relação se tornou cada vez mais insustentável. A série de derrotas no Brasileiro e mudanças freqüentes na escalação, como a saída do argentino Herrera e do meia Elkeson da equipe, acabaram fazendo com que o treinador fosse vaiado a cada gol sofrido pelo time no Engenhão. O momento mais crítico aconteceu contra o Figueirense, na primeira derrota da equipe no Engenhão. Abatido, o treinador chegou a declarar dias depois que o tropeço foi um dos dias mais tristes na carreira como treinador.

Leia também: Veja cinco motivos que praticamente tiraram o título do Botafogo

“Fiquei muito triste, realmente me deixou bem chateado. Acho que foi um dos momentos que mais senti desde que estou no futebol. Senti-me injustiçado com todas aquelas pedras atiradas. Sei que tem muito treinador no futebol brasileiro que se dedica, estuda, perde noites como eu, mas mais do que eu, acho difícil. Até minha família reclama”, declarou o treinador do Botafogo.

Atrito com o presidente e desgaste interno
A derrota fora de casa para o Atlético-GO, na 27ª rodada, também marcou a primeira ‘faísca’ pública entre Caio Júnior e o presidente do Botafogo, Maurício Assumpção. Irritado com a campanha da equipe longe do Engenhão, o mandatário criticou o desempenho da equipe. "Com dois terços do campeonato, ainda não aprendemos a jogar fora de casa. Quem sabe a gente aprenda até o fim da competição", reclamou o dirigente, à rádio Globo.

Veja mais: Declarações de Caio Júnior causam desconforto internamente

A resposta veio ainda no mesmo dia, durante a entrevista coletiva. "O presidente não compreendeu que o Botafogo tem uma equipe que busca a vitória dentro e fora da mesma forma. Não vou colocar para defender lá atrás, como o Botafogo era antigamente", afirmou o treinador. Dias depois, Assumpção foi até o treinamento da equipe carioca e conversou com o técnico, tentando colocar um fim na polêmica.

AE
Abatido, Caio Júnior quase não saiu do banco na derrota para o América-MG
Internamente, os resultados negativos e as declarações do treinador também começaram a desgastar o ambiente com dirigentes e alguns jogadores, principalmente os mais novos do elenco. Também na derrota para o Figueirense, Caio Júnior declarou que a pressão pela falta de um título brasileiro desde 1995 atrapalhava o clube em alguns momentos. Irritados, alguns Conselheiros consideraram a fala ofensiva ao clube e chegaram a 'pedir a cabeça' do treinador para o presidente do Botafogo, que decidiu manter Caio Júnior no cargo.

Apesar de ter o apoio do ‘homem forte’ no futebol do Botafogo, Anderson Barros, Caio Júnior foi se exilando aos poucos. Na derrota para o América-MG, na última quarta-feira, o técnico praticamente não levantou do banco de reservas, mesmo com a equipe perdendo por dois gols na primeira etapa. O abatimento do treinador e a incapacidade de reação do time fizeram o departamento de futebol antecipar a decisão sobre o futuro de Caio Júnior. Após uma reunião ainda no gramado da Arena do Jacaré, Anderson Barros e André Silva ligaram para o presidente do clube no hotel em Belo Horizonte, onde o time estava concentrado. A decisão foi anunciada na parte da manhã, antes do elenco seguir para o aeroporto.

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG