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Entre gestão em crise e oposição forte, Nobre diz ser a terceira via para o Palmeiras

Possível candidato à presidência do Palmeiras, empresário e piloto de rali diz que não é alinhado com a gestão Belluzzo/Palaia e tampouco com a oposição liderada por Mustafá Contursi

Danilo Lavieri, iG São Paulo |

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Considerado figura importante nas eleições presidenciais do Palmeiras em 2011, Paulo Nobre ainda não decidiu se lançará sua candidatura. Formado em Direito, mas trabalhando com o mercado financeiro, o conselheiro de 42 anos afirma que concorrer ao cargo será uma decisão que virá do seu grupo, o Verde Escuro. E, como ele mesmo define, sua chapa não pode ser considerada nem de situação nem de oposição. Ele acredita que lidera uma "terceira via" no Palestra Itália.

Se a eleição fosse hoje, Nobre afirma que a oposição ganharia, mas que muita coisa ainda deve mudar com a definição das chapas. Além disso, ele diz contar com o apoio de conselheiros que estão com cargos na atual gestão, mas preferiu não revelar nomes.

Nobre coloca como principal bandeira de sua possível candidatura a profissionalização do clube. Ele defende pessoas contratadas ocupando cargos estratégicos em alguns departamentos. Para ele, a presença de conselheiros será necessária, principalmente, na função de fiscalização, não mais na figura de comandar sozinho um setor.

"Alguns departamentos terão profissionais contratados que cuidarão do assunto, e eu, como presidente, vou coordenar tudo isso. Não sou contra os conselheiros em cargos. Eles vão continuar presentes e tendo cargos nos departamentos, mas vão servir para fiscalizar os contratados. E isso é só um exemplo de profissionalização", disse Nobre.

A possível candidatura de Nobre deixa alguns conselheiros da situação insatisfeitos. Segundo eles, Nobre ainda não tem experiência para ser presidente do clube, e uma terceira chapa poderia facilitar a eleição da oposição, já que os votos do grupo que está no poder ficariam divididos. Nada disso o preocupa.

O fato é que a "Gestão Belluzzo" teve um final mais do que triste na última quarta-feira sendo eliminado pelo Goiás e agora perde cada vez mais força nos bastidores, com resultados inferiores a tão criticada "Era Mustafá". Um péssimo ano de 2010 à beira das eleições pode mudar tudo. 

Também pela atual indecisão na situação, Nobre considera, ainda, que a oposição está à frente na briga e afirma que largaria a sua principal diversão, o rali, pelo Palmeiras. Leia abaixo os principais trechos da entrevista com Paulo Nobre:

iG: Afinal, você vai ser candidato à eleição do Palmeiras?
Paulo Nobre: Olha, é o que eu tenho dito desde o começo. A decisão de eu sair como candidato não depende só de mim. É uma decisão do meu grupo, dos Verdes Escuros. A gente não quer lançar uma candidatura só para tumultuar o ambiente do clube. E também não sairemos candidatos para depois recolher em troca de cargos ou coisas do tipo. Vamos estudar muito antes de definir se iremos ou não concorrer. Mas a vontade existe.

iG: Considerando que vocês decidam concorrer, qual é a principal proposta do grupo?
Paulo Nobre: A nossa principal bandeira é a modernização do clube e sua profissionalização. O futebol está profissionalizado apenas de um lado. Do outro, ainda não. Vemos pessoas no clube que abrem mão de sua vida inteira, da família, passam horas no clube e ainda precisam conciliar tudo isso com o seu trabalho. A gente defende a profissionalização para que isso não aconteça. Alguns departamentos terão profissionais contratados que cuidarão do assunto, e eu, como presidente, vou coordenar tudo isso. Não sou contra os conselheiros em cargos. Eles vão continuar presentes e tendo cargos nos departamentos, mas vão servir para fiscalizar os contratados. E isso é só um exemplo de profissionalização.

iG: Hoje a situação está completamente rachada, e há uma chance do Belluzzo concorrer à reeleição para acabar com essa briga. Você acha que ele traria a união de volta?
Paulo Nobre: O professor Belluzzo tem todo direito de concorrer e é um político muito habilidoso. Ele como candidato tem uma chance muito grande de juntar a situação. Mas é importante que se diga que eu estou há dois anos fora do poder, sem nenhum cargo. Então, não considero o grupo dos Verdes Escuros nem situação nem oposição. Somos outra via. Contar com o apoio do Belluzzo, do Palaia e até da oposição seria muito honroso. Mas nossa candidatura é independente disso. Eu acho muito bom ter oposição, pois eles abrem os olhos para coisas que você não vê. Mas a oposição precisa ser saudável.

iG: Quem são os seus parceiros neste grupo?
Paulo Nobre: Tem um monte de conselheiro. O Genaro Marino é o meu braço direito e o nosso grupo está crescendo dentro das expectativas. Tem outros nomes que eu prefiro não falar até por eles estarem ocupando cargos na gestão atual. Li esses dias e o que me deixou muito animado foi o apoio do Seraphim del Grande, manifestando que tem a intenção de ficar ao nosso lado. Ele traria muita gente. É gratificante ver a ala nova e a ala tradicional em volta da nossa campanha.

iG: E com esse seu grupo já é possível vencer? Ou vocês ainda fariam acordos por mais votos?
Paulo Nobre: Hoje eu considero o grupo da oposição mais forte. Sem dúvida nenhuma eles ganhariam. Contra eles, tem o nosso grupo, tem o pessoal que está em volta do Palaia e ainda tem um quadro de indecisos. Mas ainda precisa definir muita coisa. Se sairão dois ou três candidatos, se o indeciso vai escolher alguém, e por aí vai. É importante deixar claro que sou contra qualquer conchavo político em troca de voto. Eu não faria isso justamente por criticar quem faz.

iG: Dentro da oposição e até da situação, tem conselheiro que diz que você precisa de mais experiência para ser presidente. Você concorda?
Paulo Nobre: Veja, eu me considero uma pessoa extremamente bem-sucedida. E claro que eu estou preparado para ser presidente. Mas meu jeito de administrar é diferente. Eu sou contra aqueles que acham que preciso ficar atrás da cadeira das 7h até às 20h. Eu gosto de escolher pessoas inteligentes, que trabalham bem. E aí eu fico no comando, pois não sou onipresente. Não acho que precisa ficar tudo comigo. Além de tudo, a minha vida é o Palmeiras. Eu era moleque e queria ser jogador do futebol. Mas aí eu percebi que se eu fosse para o campo eu seria o tipo de jogador que eu, como torcedor, xingaria. 

iG: Você tem 42 anos, uma idade abaixo da média dos conselheiros. Será que é por isso a preocupação?
Paulo Nobre: Tem muita gente que fala "o Paulinho é muito novinho". Eu não acho bem isso. Eu já tenho cabelo branco, pô (risos). E eu também discordo do pessoal que fala que eu preciso pegar fila para ser presidente. Que fila, meu Deus do céu? Tem de ser bom para governar independente da idade. O presidente dos Estados Unidos, por exemplo, tem 49 anos. É só dar uma olhada no mercado e ver que cargos as pessoas da minha idade ocupam.

iG: Uma terceira candidatura pode facilitar a vitória da oposição, já que dissolveria os votos da situação. O que fazer para evitar isso?
Paulo Nobre: Se teve alguém que rachou a situação não foi ninguém do meu grupo. Como eu te disse, estou fora do poder há dois anos. Mas essa bandeira do Verde Escuro é muito antiga. Em eleições passadas, tivemos o Belluzzo de um lado e o Mustafá Contursi de outro. A nossa já surgia ali como uma terceira via. Volto a repetir que estamos abertos a apoio, mas em hipótese nenhuma faremos conchavos em troca de voto. Queremos mudanças na maneira de conduzir o Palmeiras. Não pode ter uma campanha descendo o pau nos adversários, pois depois que a eleição acaba fica inviável de gerir por causa das inúmeras brigas. Todo mundo tem de entender que o mais importante nisso tudo é o Palmeiras.

iG: E como fazer para conciliar a sua vida de presidente com a vida do rali?
Paulo Nobre: Quando eu fui vice-presidente do Palmeiras, em 2007, eu larguei o rali. Eu corria como piloto oficial da BMW, mas já tinha deixado acertado que se acontecesse alguma coisa no Palmeiras eu sairia. A minha vida é o Palmeiras. E se eu fosse eleito presidente, eu faria o mesmo. Não tem como conciliar o Palmeiras e o rali, pois a gente viaja muito. Tem equipes que querem me ver correndo o Dakar em janeiro de 2011, mas eu não posso aceitar, pois eu não sei o que será de mim ainda. Quero ficar concentrado só nas eleições do Palmeiras até decidir o que vai acontecer.

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