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Futebol
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Enderson faz balanço do desempenho e admite frustração

Treinador se considera um profissional ligado às vitórias e lamenta não ter conquistado nenhum título

Marcello Pires, iG Rio de Janeiro |

Sete vitórias, dois empates, três derrotas, uma classificação histórica e uma eliminação inesperada. Esse é o resumo dos 66 dias de trabalho do técnico Enderson Moreira no comando do Fluminense .

Nada mal para quem chegou como auxiliar permanente e teve a dura missão de substituir ninguém menos do que Muricy Ramalho , considerado o melhor treinador do país. Porém, com um histórico vitorioso nas categorias de base de Cruzeiro e Internacional , Enderson mostra sinceridade e afirma, em entrevista exclusiva ao iG, que não considera seu saldo positivo à frente do atual campeão brasileiro.

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“É difícil dizer. Eu sou um cara ligado às vitórias. O saldo seria positivo se o time tivesse conquistado títulos, como a da Libertadores, por exemplo”, afirma o técnico interino.

Por outro lado, Enderson Moreira passa o bastão para Abel Braga com o sentimento de dever cumprido. Ciente de que o cargo de um auxiliar permanente esbarra na quebra de um planejamento, na limitação de certas ações e muitas vezes na falta de comando, como foi o caso do Fluminense, o treinador afirma que fez o melhor que podia dentro do que lhe foi oferecido.

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“Sei que fiz o melhor que eu poderia ter feito naquele momento. Eu cheguei quando a equipe estava em duas competições, não tínhamos muito tempo para treinar e tivemos que colocar em o time em campo e mexer o mínimo possível, pois era o mais conveniente a fazer”, lembra o interino.

Com a chegada de Abel daqui a nove dias, Enderson ainda não sabe qual será sua função daqui em diante. Com contrato até março de 2013, ele afirma que quer continuar no clube, mas não descarta uma mudança nos planos caso recebe uma boa proposta.

“Eu estou muito feliz aqui no Fluminense, mas isso cabe ao futuro. De repente, eu falo que quero ficar e aparece uma proposta interessante e vai nos fazer caminhar de outra forma”, explicou Enderson Moreira.

Acompanhe e entrevista completa de Enderson Moreira:

iG: Quando você chegou, o Fluminense estava sem vice de futebol e sem comando. Com a chegada do Sandro Lima, o clube está mais organizado e um pouco mais estruturado?
Enderson Moreira: Sem dúvida que essas questões de um gerente de futebol e de um vice são importantíssimas num clube de futebol. Não são cargos figurativos, são funções necessárias. Naquela situação em que o clube se encontrava tivemos a ajuda de algumas pessoas como o Rodrigo, nosso supervisor, o Mário Bittencourt, o próprio presidente. Enfim, houve colaboração de todos, mas não era a situação adequada. Tenho certeza que o Abel vai assumir com a coisa muito mais encaminhada e mais tranquila.

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Enderson Moreira conseguiu bons resultados, mas ficou marcado pela queda na Libertadores

iG: Essa turbulência política atrapalhou muito o seu trabalho?
Enderson Moreira: Eu fui contratado para ser um auxiliar-técnico permanente. É evidente que o dia no qual eu for o treinador o planejamento será diferente. É uma coisa que a gente só vai saber quando estiver no cargo. Nesse momento todo eu tive total liberdade e nunca fiquei limitado para tomar minhas decisões. As limitações são do cargo. Isso é uma coisa normal. O treinador quando chega traça um planejamento a longo prazo, o interino não. Eu cheguei quando a equipe estava em duas competições, não tínhamos muito tempo para treinar e tivemos que colocar em o time em campo e mexer o mínimo possível, pois era o mais conveniente a fazer.

iG: Você considera seu saldo positivo?
Enderson Moreira: É difícil dizer. Eu sou um cara ligado a vitórias. Seria positivo se o time tivesse ganhado as competições, como a Libertadores. Mas por outro lado pode ser considerado positivo porque foi o melhor que eu poderia ter feito naquele momento. Essa é a única avaliação que eu faço.

iG: Você não acha que muitas vezes o futebol é injusto com o treinador que faz um ótimo trabalho e os resultados não aparecem?
Enderson Moreira: O futebol aqui no Brasil é muito difícil. Muitas vezes você cria 30 chances de gol numa partida, o adversário defende muito e na única escapada faz o gol e você perde o jogo. No basquete e no vôlei isso dificilmente acontece. É raro, me lembro da derrota para a Venezuela no Pan-Americano, no vôlei masculino. No futebol não, isso vai acontecer diversas vezes. As vezes você chuta uma bola para fora ela pega em alguém e vai para o gol. Você faz tudo errado, mas acaba dando certo. A verdade é que quando seu time vence as pessoas acham que você fez tudo certo e quando perde está tudo errado. É simples assim.

iG: A diretoria do Flu já passou para você qual será sua função depois da chegada do Abel?
Enderson Moreira: Isso é uma coisa que a gente ainda vai definir, mas o Abel tem a sua comissão técnica e o que eu poderia faze é um trabalho de apoio para ajudá-lo, fazendo uma avaliação de algum jogador de fora que ele me peça ou uma promessa de Xerém. No momento que ele chegar aqui eu vou conversar com ele e procurar me informar de que maneira eu posso ajudar. Eu estou aqui para dar um apoio.

iG: Você gostaria de trabalhar com as categorias de base ou dirigir o time de juniores?
Enderson Moreira: Sinceramente, eu, como funcionário do Fluminense, não tenho preferência e vou fazer o que for determinado. Mas essas possibilidades citadas me agradam, sim, porque eu gosto de trabalhar de futebol. Claro que o que eu gosto mais de é ser treinador, mas vou fazer aquilo que o Abel desejar para que eu possa contribuir. Se tiver que ficar mais ligação a Xerém, com os mais novos para fazer essa transição ou trabalhar com as atletas que não forem relacionados para os jogos para dar desenvolver um trabalho técnico.

iG: Você quer permanecer no Fluminense ou gostaria de ser treinador?
Enderson Moreira: Eu estou muito feliz aqui no Fluminense, mas isso cabe ao futuro. De repente, eu falo que quero ficar e aparece uma proposta interessante e vai nos fazer caminhar de outra forma. Eu tenho contrato com o clube até março de 2013 e estou muito focado no meu trabalho aqui, mas vou estar sempre aberto a estudar propostas que possam ser interessantes.

Agência O Globo
Deco teria problemas de relacionamento com Enderson Moreira, fato negado pelo interino
iG: Saíram notícias de que você teve problemas com o Deco e que o ambiente do Fluminense não é bom. Isso é verdade?
Enderson Moreira: Foram declarações de pessoas que não fazem mais parte do clube e querem tumultuar o ambiente, mas isso nunca aconteceu e é até chato ter que responder sobre isso. Se eu tivesse algum problema com o Deco, eu falaria, mas nunca tive problema com ele. Há um respeito muito grande entre a gente, ele é um atleta extraordinário, mas que teve algumas limitações em função de problemas médicos e físicos. Nós tivemos todo um cuidado e carinho com ele para que a volta dele não fosse prematura. Eu acho que isso deu certo, porque ele tem treinado muito bem e hoje vive o melhor momento dele no clube. O ambiente dentro do grupo é bom, todos se dedicam e se propõem a fazer tudo aquilo que nós pedimos.

iG: E em relação ao Fred, ele realmente teve interferência no seu trabalho? A liderança dele atrapalha de alguma forma?
Enderson Moreira: Não é à toa que ele é o capitão. Não fui eu quem colocou ele como capitão, mas ele representa muito para o grupo. Eu o vejo extremamente discreto no dia-a-dia. É um cara que procura fazer a coisa bem feita, incentiva os colegas, da muito moral para todo mundo e está sempre conversando para tentar ajudar no que for preciso. Ele serve de referência para os mais novos, assim como o Deco. São ídolos para quase todo o grupo. É importante demais e nunca se meteu em nada de escalação até hoje, de quem deve jogar, quem deve sair. Nunca teve nada disso e sempre se mostrou à disposição.

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