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Empresa pagou mais de R$ 5 mi por novo seguro da Arena Palestra

Ponto crítico do acordo, WTorre modificou apólice depois de reclamação de oposicionistas ao contrato

Danilo Lavieri e Marcel Rizzo, iG São Paulo |

A construtora WTorre, responsável pela construção da Arena Palestra, gastou mais de R$ 5 milhões para modificar o seguro contratado para a obra. A questão é uma das que mais geram críticas de oposicionistas ao acordo firmado entre o Palmeiras e a empresa. O dono da construtora, Walter Torre Jr, admitiu que houve problema para transcrever a exigência no contrato, por isso a empresa decidiu fazer o acréscimo.

“Ficou mal escrito, isso eu admito, dando margem à interpretações. Mas temos que entender o conceito desse seguro, que não é como um seguro de carro, que você bate ou tem roubado e a seguradora te devolve o bem 100%. O seguro feito se chama Performance Bond e prevê que caso caia uma bomba aqui na WTorre e não consigamos finalizar a obra, a seguradora vai lá e consegue outra construtora para realizar”, explicou Torre em entrevista exclusiva ao iG, em seu escritório, na zona oeste de São Paulo . O valor total desembolsado pela WTorre pelo seguro não foi revelado.

O artigo “mal escrito” citado por Torre é o 3.4 do contrato, a que o iG teve acesso. Nele é explicado de forma genérica como funciona o sistema “Performance Bond”, mas diz claramente que a seguradora garante a continuação das obras em caso de inadimplência da empresa.

O “Performance Bond” é feito da seguinte maneira: a construtora faz um contrato para que, caso não consiga concluir a obra, a seguradora procure outra empresa para prosseguir com o empreendimento. É praxe que o valor acertado fique entre 10% e 20% da obra, que será o desconto que a empresa que assumir a obra terá com base no valor total (no caso da Arena Palestra são R$ 330 milhões). O contrato da WTorre com a seguradora previa 15% de cobertura, mas aumentou para 42% depois das críticas recebidas por conselheiros do clube – e a diferença paga passou dos R$ 5 milhões já citados.

“É um seguro atípico essa porcentagem de 42%, mas a WTorre decidiu fazer para agradar ao Palmeiras e evitar críticas. Se acontecer algo com a empresa, quem assumir terá o melhor contrato da história, porque gastará só 58% para concluir a obra”, explicou Torre.

Esta apólice está em nome do Banco do Brasil, que financiou R$ 150 milhões para a construção. “Foi feito assim porque o banco emprestou dinheiro e precisa que a obra acabe para ele ter o valor de volta. Então ele tem interesse que outra empresa assuma a construção”, disse Rogério Dezembro, diretor de novos negócios da WTorre e ex-diretor de marketing do Palmeiras.

Há uma segunda apólice, feita em nome do clube, e que cobre apenas problemas em caso de sinistro (um improvável terremoto que derrube a Arena). Nesse caso o clube recebe um valor pré-definido e a WTorre, segundo o artigo 13.3 do contrato, é obrigada a pagar o restante para a reconstrução da Arena.

Projeto
Pelo contrato assinado entre as partes em 15 de julho de 2010, a WTorre não se compromete a modificar o projeto durante a obra. Mas Walter Torre disse fazer questão de que a Arena estivesse dentro dos padrões da Fifa (Federação Internacional de Futebol e Associados), por isso fez adaptações que cobrem as alterações feitas pela entidade de 2007 para 2010 no caderno de encargos.

“Uma delas é a inclinação do gramado e da distância da arquibancada para o campo”, explicou Torre. A FIFA exige agora que se tenha 1,60m de diferença entre o primeiro assento e a linha lateral, para que se possa colocar mais espaço publicitário para novos parceiros da entidade.

“Terei um gasto de R$ 11,5 milhões com essa mudanças e quem paga a conta sou eu. Mas quero ter o estádio mais moderno, para que consiga contratos melhores”, explicou o empresário.

A previsão de entrega da Arena é abril de 2013. Palmeiras e WTorre têm esperança de ao menos ser sede da Copa das Confederações, que ocorre em junho de 2013.

 

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