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Futebol
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Emocionado, Ronaldo dá adeus ao futebol: "Meu corpo me venceu"

Atacante confirmou problemas de metabolismo revelados pela reportagem do iG Esporte em setembro de 2010

Bruno Winckler, iG São Paulo |

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Num discurso emocionado, com algumas lágrimas e declarações de amor ao Corinthians, Ronaldo declarou que não joga mais futebol. O agora ex-atacante de 34 anos concedeu uma concorrida entrevista coletiva, nesta segunda-feira, na presença de 200 jornalistas. Ele não conteve as lágrimas ao lembrar de passagens dos seus 18 anos de carreira, sobretudo das dificuldades que enfrentou nos últimos dois anos.

As dores causadas por seguidas lesões e um hipotireoidismo diagnosticado no Milan em 2007 foram as principais causas da decisão do atacante. “Meu corpo me venceu. Minha cabeça queria continuar, mas não consigo mais”, disse Ronaldo. Em 2010, o iG Esporte abordou o problema de hipotireoidismo do atacante.

Ronaldo falou por 44 minutos. Ao lado dos filhos Ronald e Alex e do presidente Andrés Sanchez, não segurou as lágrimas, que viraram risos só quando seu filho mais novo, Alex, aprontava alguma travessura. “Ele já é corintiano. E eu sou para sempre”, disse Ronaldo, vestindo uma camisa listrada em preto, branco e cinza, enquanto Alex e Ronaldo trajavam ambos o uniforme do Corinthians.

“Todos sabem aqui do meu histórico de lesões. Tenho tido nos últimos dois anos uma sequência muito grande de lesões que vão de um lado para o outro, de uma perna para a outra, de um músculo para o outro e essas dores me fizeram antecipar o fim da minha carreira", disse o Fenômeno.

O jogador ainda comentou outro problema que, segundo ele, não havia sido revelado anteriormente. "Há quatro anos atrás, no Milan, eu descobri que sofria de um distúrbio que se chama hipotireoidismo. Um distúrbio que desacelera o seu metabolismo, e que para controlar esse teria de tomar hormônios que no futebol não são permitidos. Seriam um doping. Muitos devem estar arrependidos de tanta chacota do meu peso, dos comentários do meu peso, mas não guardo mágoa de ninguém, e tenho de explicar isso no último dia da minha carreira”.

Com 35 gols em 69 jogos pelo Corinthians, Ronaldo agora se declara torcedor do clube e diz que será um embaixador da marca. “Vou assistir a alguns jogos do time. Agora sou um embaixador que tentará levar mais ainda o nome do Corinthians para o mundo”.

Agradecimentos aos clubes e aos jogadores

Ronaldo aproveitou também para agradecer aos clubes que defendeu desde que começou a carreira no subúrbio do Rio de Janeiro. “Tenho muitos agradecimentos a fazer aqui. A todos os clubes que passei. São Cristóvão, Cruzeiro, PSV, Barcelona, Inter de Milão, Real Madrid, Milan”, enumerou, reservando o Corinthians para mais tarde. “Agradeço também a todos jogadores que atuaram comigo, que jogaram contra. Todos que foram leais, também aqueles que foram desleais. Treinadores com os quais tive grande relação e com outros que tive divergências de opiniões profissionais.

Ao agradecer aos torcedores, se deixou levar pela emoção. Em especial quando mencionou os corintianos. “Quero agradecer toda a torcida brasileira que vibrou comigo, que torceu por mim, que chorou comigo quando chorei, que caiu comigo quando caí. Mas dessa torcida em especial a torcida do Corinthians (pausa para choro). Porque eu nunca vi uma torcida tão empolgante e tão apaixonada. Tão entregue assim a um time de futebol. Mas algumas vezes essa cobrança por resultados faz dessa torcida um pouco agressiva e fora do controle. Enfim, já falei em outras entrevistas que não imaginava realmente ter vivido sem o Corinthians.”

Até mesmo as concentrações do elenco em Itu, sempre alvos de críticas do Fenômeno, passaram a ser lembradas com mais carinho. “Já estou sentindo saudade até de concentração. Acho que vou pegar minha família e ir para Itu algumas vezes!”

Atuação como embaixador do Corinthians

Com a promessa de seguir ligado ao clube paulista, o Fenômeno explicou que deve atuar como um embaixador do clube. Além de seguir acompanhando os jogos no estádio. “A história no Corinthians foi linda, foi maravilhosa. Continuarei ligado e vinculado ao clube da maneira que você quiser, presidente (Andrés Sanchez). Vocês muitas vezes vão me ver no estádio torcendo pelo Corinthians. (outra pausa para choro)

O ex-atacante só não se imagina atuando muito próximo do cotidiano da bola. “Trabalhar na comissão técnica, com certeza não. Na direção, também não. Eu sempre disse que serei uma espécie de embaixador institucional, fazendo e levando o nome do Corinthians mundo afora e capitalizar mais para o Corinthians.”

Desculpas pelos fracassos na Libertadores

A eliminação corintiana nas edições de 2010 e 2011 da Libertadores foram lembradas por Ronaldo, que assumiu parcela de culpa pelo tropeço. “Quero pedir desculpas por ter fracassado no projeto da Libertadores (choro). Eu acho que temos que assumir tudo que envolve uma queda. Isso é ser um grande campeão. Tenho minha parcela de culpa, sou humilde o suficiente para assumir qualquer erro que tenha cometido”, afirmou. “Não sei se sirvo de exemplo por isso. Vou fazer as coisas tentando ser o mais correto possível para mim e para os outros. Eu sou eu e sou assim. Foi a primeira coisa que falei para o presidente, ainda na Colômbia, dentro do vestiário, após a derrota para o Tolima. Futebol é isso. Se ganha, se perde, somos e estamos sujeitos a tudo isso.”

Emoção ao se despedir do elenco

O agora ex-atacante disse que também caiu no choro ao se despedir de jogadores e funcionários do clube, horas antes da entrevista. “Eu estava muito mais emocionado na hora que fui falar com os jogadores. Eu agradeci a todos eles, ao Tite. Por cada minuto e cada segundo que estive com eles”, contou, confirmando sua função de “bombeiro” em momentos de crise. “Como eu sempre fiz desde o primeiro dia que cheguei aqui, nos momentos mais difíceis, eu entrei na frente deles para receber todo e qualquer bombardeio. Agora farei do lado de fora, talvez com menos força. Minha força foi sempre responder tudo dentro de campo, mas defenderei o Corinthians da forma que puder.”

Futuro como empresário e dono de fundação beneficente

Ronaldo deve ocupar seu tempo agora com a 9ine, empresa do qual é dono, além de tocar a criação de um projeto beneficente. “O meu futuro já está bem organizado. Vou me dedicar à minha agência. E, daqui um tempo, vamos anunciar uma fundação a “Criando Fenômenos”, pela qual pretendo me dedicar muito tempo.”

Decisão foi tomada na última quinta-feira

O ex-atacante explicou que a decisão de encerrar a carreira foi tomada na última quinta-feira. A gota d’ água foi uma nova lesão muscular. “Essa semana, depois de mais uma lesão no adutor, refleti muito em casa e decidi que era o momento, e que tinha realmente dado o máximo”, contou. “Nunca imaginei que poderia chegar a isso, a tanto sacrifício. A partir de quinta-feira, quando decidi, parece que realmente estava numa UTI, em estado terminal e agora esse anúncio foi minha primeira morte. È muito duro você abandonar o que te fez tão feliz aquilo pelo que você se doou tanto e que tem tanto amor e que poderia seguir. Mentalmente quero muito. Mas tenho que assumir algumas derrotas.”

Segundo Ronaldo, até mesmo o simples exercício de subir uma escada se tornou um fardo. “As pessoas que estão próximas sofrem e sofreram comigo a cada dia. Eu sofro dor até ao subir uma escada. Eu doei minha vida ao futebol, fiz todos sacrifícios que alguém pode fazer e não me arrependo. Foi lindo demais, foi maravilhoso demais, mas foi difícil demais, lógico.”

A decisão foi tomada a sós. “Minha família estava viajando. E quinta-feira, quando eu decidi, as dores me possuíam, me consumiam, e eu não conseguia pensar em mais nada. Fiz um esforço de memória. O ano de 2010 foi péssimo, de muitas lesões... E começar o ano assim, com lesões... Fiquei de sexta até hoje de manhã dentro de casa sozinho, quebrando a cabeça pra caramba.”

Embora de fato tenha pensando em parar já no dia seguinte à derrota para o Tolima, Ronaldo disse que tal decisão não foi motivado pelos protestos violentos de parte da torcida.

Milton Trajano
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Conquista da Copa e Corinthians estão entre as melhores lembranças

Ao ser questionado sobre o melhor momento da carreira, o Fenômeno mostrou já ter a resposta na ponta da língua. “Tenho dois momentos. O primeiro, com a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2002 que foi o título mais importante. E o segundo momento foi ter visto esse bando de loucos, apaixonados, ter vivido com eles, ter me tornado um deles, esses dois foram os momentos mais importantes.”

Já os momentos mais difíceis também foram facilmente lembrados. “Os piores momentos foram essas duas lesões gravíssimas, que me tiraram três ou quatro anos de carreira. Isso sem falar nas sequelas que deixaram...”, lamentou, criticando o excesso de jogos no calendário. “Os campeonatos não deveriam ter tantos jogos. Acaba sendo natural sofrer lesões. Hoje em dia a gente está sempre explorando o máximo do nosso corpo, buscando nosso limite e isso não é saudável.”

Conversa com os filhos

Pai de Ronald e Alex, além das meninas Maria Sophia e Maria Alice, Ronaldo disse ter conversado com os filhos antes de tornar pública a decisão. “Expliquei pra eles ontem. O Ronald entende bem mais. E todas as perguntas que todos estão fazendo agora ele fez ontem. Já o Alex não está muito ligado nisso não”, disse, citando o caçula. “Eu vi quando o Washington (ex-Fluminense) se despediu com as filhas. Achei lindo, tentei copiar, mas o Ale, vocês estão vendo (havia entrado embaixo da mesa), não está muito ligado nisso não!”

Jogo de despedida na metade do ano

A intenção de Ronaldo é organizar um jogo de despedida nos próximos meses. “Por enquanto não tem nada, mas acho que em junho ou julho podemos fazer algumas coisas. Vou tentar reunir vários jogadores que estiveram comigo e fazer uma festa, vamos ver.”

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