Técnico do Vasco, que se destacou no Flu como atleta, não era campeão como técnico desde 2007, na França

"Só faltou o título." Foi assim que Ricardo Gomes se despediu do São Paulo em agosto do ano passado ao não ter seu contrato renovado após a eliminação nas semifinais da Libertadores. Era uma marca de seu currículo de 15 anos como treinador. Era, porque o ex-zagueiro que virou ídolo do Fluminense levou o Vasco à conquista da Copa do Brasil .

Venerado como treinador na França, Ricardo conseguiu superar até mesmo uma barreira de rivalidade que enxergava para, enfim, ter sucesso em um grande clube de seu País. O ex-jogador sempre disse que o insucesso à frente do Flamengo, em 2004, foi consequência de sua história em um rival. Não foi o que aconteceu no Vasco.

O técnico não vestia uma faixa de campeão desde 2007, quando venceu a Copa da Liga Francesa com o Bordeaux. No Brasil, tem a fama de perdedor pela escassez de títulos: conquistou a Copa do Nordeste e o Campeonato Baiano, ambos em 1999, com o Vitória de Petkovic. No currículo, ainda tinha a Copa da Liga Francesa e a Copa da França, as duas em 1998 com o Paris Saint-Germain de Raí.

Entretanto, mesmo na França o ex-jogador não se firmou muito como vencedor. Logo no fim de sua primeira temporada na nova carreira, em 1997, não conseguiu fazer do Paris Saint-Germain bicampeão da Recopa Europeia, perdendo a decisão por 1 a 0 para o Barcelona de Ronaldo "Fenômeno", autor do gol da vitória dos espanhois. Ricardo é mais exaltado por ter montado o Bordeaux que foi campeão francês em 2009, dois anos após sua saída.

Agora, ele pôde participar da festa. Assumiu um time ameaçado de rebaixamento no Carioca para ser campeão e ir à Libertadores. Objetivos que tinha no São Paulo e acabou saindo após 13 meses como culpado. Agora, com quatro meses de trabalho em São Januário, nem pareceu ídolo do Fluminense ao fazer festa no Couto Pereira nesta quarta-feira.

"O Vasco é muito grande. Já conhecia como adversário e agora, dentro dela, estou adorando a casa. O Vasco é muito maior que esse período curto que ficou sem ganhar. Quando cheguei, falavam em rebaixamento no Carioca. Agora posso falar em Libertadores", celebrou o técnico.

Redenção geral
Ricardo Gomes acabou comandando um elenco repleto de astros que também buscavam afirmação. Diego Souza, eleito o melhor jogador do Brasileirão de 2009, teve um 2010 a ser esquecido, saindo do Palmeiras após brigar com a torcida e sem convencer no Atlético-MG antes de virar um dos principais nomes do Vasco campeão da Copa do Brasil.

Na lista também entra Alecsandro. Sempre criticado no Inter, não continuou no clube gaúcho mesmo após fazer dois gols na decisão do terceiro lugar do Mundial do ano passado. Em São Januário, fez dois dos três gols do Vasco na decisão e terminou a Copa do Brasil entre os artilheiros do torneio.

Até o veterano Felipe tem a celebrar. Conquistou o título que faltava em seu farto currículo e, aos 33 anos, encerrando sua carreira, pode beijar uma taça no clube que o formou, deixando para trás o período em que fez sucesso com a camisa do arquirrival Flamengo. O alívio em São Januário é geral.

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