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Em nota oficial, Vila Nova critica postura de presidente do Goiás

Briga generalizada entre jogadores e depois torcedores terminou com um morto nas ruas de Goiânia

Gazeta |

O Vila Nova divulgou nesta terça-feira uma nota oficial sobre os incidentes ocorridos na partida entre a equipe e o Goiás, válida pela semifinal do Campeonato Goiano. Na nota, os dirigentes colorados criticam, principalmente, a postura do presidente rival, Hailé Pinheiro. 

Depois do apito final, o atacante do Vila, Betinho e o defensor do Goiás, Rafeal Tolói, começaram a se agredir, a confusão se tornou generalizada, foi para as arquibancadas e acabou com um torcedor sendo assassinado nas ruas de Goiânia.

Confira o documento na íntegra :

A verdade dos fatos

Fundado em 29 de julho de 1943, em Goiânia, o Vila Nova Futebol Clube celebra a cultura da paz, condena a violência e faz a defesa veemente do respeito aos direitos humanos e do Estatuto do Torcedor. Instituição de utilidade pública, vem, hoje, a público esclarecer os fatos do episódio lamentável ocorrido no último domingo, no Estádio Serra Dourada, durante a segunda partida da semifinal do Goianão 2011.

Primeiro, o ambiente para o maior clássico do Centro-Oeste foi "intoxicado" pelas provocações destiladas pelo presidente do Goiás, Hailé Pinheiro. Ele dirigiu também ofensas ao presidente do Comitê Técnico de Arbitragem da FGF, Antônio Pereira da Solva. Vale lembrar que os anos de Série A não lhe carimbam o passaporte para a soberba, a presunção e a arrogância. A verdade é que as suas declarações contribuíram sobremaneira para o acirramento dos ânimos em um jogo eivado de rivalidades.

O exercício da presidência de um clube de futebol, que lhe deu notoriedade, diga-se de passagem, não lhe outorga direitos supostamente constitucionais para desfiar provocações inadequadas, anedotas de mau gosto e que podem servir como um combustível à incitação da violência. Ele, inclusive, convidado para ir ao MP Estadual em reunião preparatória ao clássico, para assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta, não compareceu. O século 21 não comporta mais posturas atrasadas, etnocêntricas e unilaterais dessa natureza. Elas devem ser jogadas na lata de lixo da História.

O Vila Nova Futebol Clube se sentiu atingido por palavras e atos. Em campo, os atletas esmeraldinos deixaram-se contaminar, durante os 180 minutos da decisão, pelas afirmações, marcadas pela desrazão, de seu dirigente máximo. Eles provocaram seus companheiros de profissão, desrespeitaram a camisa colorada e a imensa torcida vermelha, a maior da região. Um coquetel explosivo que poderia culminar em conflito.

Segundo, o zagueiro Rafael Tolói, em surto de insanidade, cuspiu no atacante Betinho e, em flagrante desrespeito, lhe disse para "chupar essa". O jogador Marcão, ao invés de conter o torcedor que invadira o gramado, preferiu agredí-lo. Ele incitou ainda a torcida. Agressões verbais desferidas pelos alviverdes foram a tônica da partida. Um desrespeito total à ética desportiva. Afinal, ninguém é vencedor de véspera.

O Vila Nova Futebol Clube merece respeito. Não pode ter a sua imagem achincalhada. Nem a sua história associada à violência. É campeão brasileiro (1996), possui 15 campeonatos estaduais, duas copas Goiás, conquistou o Brasileiro e o Sul-Americano de Basquete (1973), estadual da segunda divisão, oito vices do Goianão (1965, 1966, 1967, 1971, 1989, 1998, 1999), três vices da Copa Centro-Oeste e centenas de troféus.

É preciso também ressaltar as deficiências estruturais do Estádio Serra Dourada, que contribuíram de forma acentuada para o tumulto. A Polícia Militar mostrou ainda erros em sua estratégia para coibir conflitos no clássico. Sempre com a clareza de que o cidadão que frequenta os estádios de futebol precisa ter resguardado direitos e garantias constitucionais, tais como o direito à vida, à integridade física e à segurança.

Como em toda a sua história, marcada por vitórias e derrotas, mas repleta de glórias, o Vila Nova Futebol Clube se predispõe a sentar-se à mesa, em igualdade de condições, com todos os atores e agentes do futebol goiano para elaborar políticas públicas e executar medidas que extirpem do cenário desportivo a cultura da provocação, o veneno da humilhação e da violência. Faz esse apelo pela paz e espera encontrar resposta.

Antes de terminar, a diretoria-executiva e o Conselho Deliberativo do Vila Nova Futebol Clube gostariam de esclarecer que não endossam agressões, mas também não deixam de reconhecer que palavras e atos desrespeitosos são formas simbólicas de agressões com o mesmo poder corrosivo. Portanto, apesar dos erros, sai em defesa dos atletas que vestem seu manto sagrado e defendem as cores coloradas. E pede desculpas à sociedade.

Um carinho especial a Michel; Luizinho, Henrique, Éder Lima e Jorge Henrique; Adilson, Vitor Rossini, Davi e Paulo César; Betinho e Roni. Assim como a Ricardinho, Gil, Wando, Pereira, Juninho, Luis Cetin, John Lennon, Álvaro, Hian, Lázaro, Vinícius Paulista, Talles, Eric, além de Edmar Vasconcelos e sua comissão técnica, além dos membros na New Ville Sports, que participaram do projeto Goianão 2011. O objetivo máximo não foi atingido. Eles podem matar, uma, duas, três flores, mas não impedirão a chegada da primavera vermelha. Como dizia o velho poeta e cartunista Henfil:

Se não houve frutos, valeu a beleza das flores. Se não houve flores, valeu a sombra das folhas. Se não houve folhas, valeu a intenção da semente.

Diretoria-Executiva

Conselho Deliberativo

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