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Futebol
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Em evidência, Mano diz se preocupar mais com críticas "positivas"

Técnico da seleção acha normal fazer comercial de cerveja e pede aos jornalistas "critério" nos comentários

Paulo Passos, enviado iG ao Rio de Janeiro |

As respostas só vêm após uma pausa. Em poucos segundos, ele respira, pensa, às vezes enruga a testa, e só depois começa a falar. O ritual é repetido a cada pergunta. O jeito Mano Menezes de se comunicar não mudou muito desde 2005, quando o técnico recebeu no Grêmio sua primeira oportunidade num clube grande.

Na seleção brasileira, Mano tem sido sutilmente mais incisivo com esse estilo, como se estivesse mais cuidadoso a cada palavra. O “acho” é sempre substituído pelo “penso”. Comentários sobre futuras convocações são evitados, além de aspectos da vida pessoal.

Há cerca de cinco meses no cargo, Mano Menezes já parece acostumado com as mudanças de status na carreira. Convites para palestras e propagandas, além, é claro, dos pedidos de entrevistas, aumentaram em escala exponencial. Na Europa, se reuniu com craques e técnicos badalados, como o português José Mourinho.

O tamanho do prestígio cresceu de forma proporcional à pressão e à iminência de futuras críticas. “O torcedor se sente no direito de criticar. O que eu penso é que nós todos temos que trabalhar para que cada vez ele tenha mais conhecimento na hora de criticar e elogiar”, afirmou Mano, em entrevista ao iG. “E não é só a crítica negativa que pode ser ruim. A positiva de forma errada pode ser pior, porque ela nos leva a um fracasso futuro”, completou.

Mano Menezes acredita que muitas vezes as reclamações dos torcedores surgem pela falta de conhecimento de assuntos técnicos por parte da imprensa. “Dei uma entrevista e disse que estávamos tendo uma dificuldade porque o Irã jogava no 4-1-4-1. Alguém estava narrando e perguntou ao comentarista, porque para ele 4-1-4-1 era linha de ônibus. Você acha que isso colabora para que o torcedor brasileiro entenda um pouco mais de futebol? Não, isso só prejudica”, conta o técnico.

O comentário foi feito pelo narrador da TV Globo Galvão Bueno. Desafeto de Dunga, o jornalista mantém até agora uma boa relação com o novo técnico da seleção brasileira. Desde que assumiu o cargo, Mano foi elogiado pelo narrador e, inclusive, foi ao lançamento do vinho com o seu nome.

Divulgação
Ao lado de Ronaldo, Mano Menezes compareceu ao lançamento do vinho de Galvão Bueno

Mesmo após o comentário que desagradou Mano Menezes, os dois aparentam manter boas relações. Em novembro, durante os treinamentos da seleção brasileira, em Doha, no Catar, Galvão Bueno chegou a ver parte do trabalho antes do amistoso contra a Argentina ao lado do técnico, no banco de reservas.

Vida nova no Rio
Desde o início de dezembro, Mano Menezes mora no Rio de Janeiro. A mudança para um apartamento na Barra, segundo o técnico, é para estar mais próximo do trabalho feito na sede da CBF, que fica na capital fluminense.

“Estamos reestruturando o departamento de futebol em questões técnicas e de acompanhamento de trabalho de dados e desenvolvendo softwares com outras pessoas. É importante estar próximo para desenvolver esses trabalhos”, explicou.

Gaúcho de Passo do Sobrado, ele diz estar se acostumando à nova casa. À sua rotina acrescentou as caminhadas na orla. “Digo que gosto de praia, mais de areia do que de água”, revela, rindo.

Confira a entrevista exclusiva:

iG: Como você lida com as críticas, tanto de torcedores quanto da imprensa?
Mano Menezes: O torcedor se sente no direito de criticar. O que eu penso é que nós todos temos que trabalhar na direção para que cada vez ele tenha mais conhecimento na hora de criticar e elogiar. E não é só a crítica negativa que pode ser ruim. A crítica positiva de forma errada pode ser pior, porque ela nos leva a um fracasso futuro. Falo isso em relação a conhecimento de futebol mesmo.

iG: E na imprensa, você acha que falta conhecimento do assunto nas críticas?
Mano Menezes: Outro dia estávamos jogando e no intervalo eu dei uma entrevista e disse que estávamos tendo uma dificuldade porque o Irã jogava no 4-1-4-1. Alguém estava narrando o jogo aqui no Brasil e perguntou ao comentarista, porque para ele 4-1-4-1 era linha de ônibus. Você acha que isso colabora para que o torcedor brasileiro entenda um pouco mais de futebol? Não, isso só prejudica. Pode ser bonito, pode ser uma piada da hora, pode ser alguma coisa engraçada. Acho que esse engraçado tem limite. Nós precisamos aprofundar determinadas questões para que o torcedor saiba o que é esse 4-1-4-1. Se não sabemos, porque podemos não saber, vamos buscar essa informação para passar para o torcedor. Para que ele não ache isso engraçado e que saiba que posicionamento é esse. Para que não ache que o técnico da seleção está ali falando algo absurdo.

Divulgação
Para Mano Menezes, imprensa precisa se aprofundar em algumas questões para informar melhor o torcedor

iG: Você tem dado palestras e participado de propagandas. O número de convites cresceu muito com a ida para a seleção?
Mano Menezes: Eu tenho feito algumas. Não gosto que isso seja em um número muito grande para não inverter a ordem das coisas. A prioridade sempre deve ser o trabalho, que é o de técnico da seleção. E passar a imagem de que você está se preocupando bastante mais com o trabalho principal é importante também. Então, tem um número limitado para isso e para a publicidade pessoal também, para que isso não atrapalhe o trabalho que sempre é prioritário.

iG: Foram quantas nesse final de ano?
Mano Menezes: A gente tem algumas marcadas para 2011. Nesse final de ano, participei mais de prêmios do que palestras. Darei apenas uma palestra motivacional em uma empresa.

iG: Você foi criticado, assim como o Dunga, por fazer propaganda de uma marca de cerveja. Isso lhe incomodou?
Mano Menezes: Não me incomodo, nunca pedi para alguém beber mais. Apenas chama atenção para aquelas que bebem, que bebam a marca que eu faço publicidade. Acho isso absolutamente normal e acho que essa crítica é extremamente demagógica. É um comportamento daqueles que não têm oportunidade para fazer uma propaganda...

Gazeta Press
Mano Menezes acha normal fazer publicidade de cerveja e não concorda com quem o critica

iG: Em dezembro você se mudou para o Rio de Janeiro. Por que dessa mudança?
Mano Menezes: Penso que o técnico deve estar mais próximo das questões que envolvem o seu o trabalho. A sede da CBF é no Rio de Janeiro. Então eu penso que é melhor você acompanhar o trabalho mais de perto, dentro da CBF, mesmo. Estamos reestruturando o departamento de futebol em questões técnicas e de acompanhamento de trabalho de dados e desenvolvendo softwares com outras pessoas. É importante estar próximo para desenvolver esses trabalhos.

iG: E você está gostando da cidade, mudou muito a sua rotina?
Mano Menezes: Estou há pouco tempo no Rio de Janeiro, desde o início de dezembro. É bom, um clima diferente, de cidade de praia. É uma cidade maravilhosa, que traz uma coisa positiva em termo de energia. Você vai se adaptando rápido, porque o futebol exige isso. A gente não vivia tanto tempo em casa quando trabalhava em clubes. Agora, a gente passa mais tempo na residência. Estou muito contente.

iG: E como tem sido a sua vida na cidade?
Mano Menezes: Ainda não temos uma rotina de vida. Estou trabalhando bastante, então, não tenho tanta possibilidade de passear muito. Mas vou a restaurantes, saio com a minha esposa. Sou um pouco mais caseiro, gosto de ficar em casa. Minha esposa cozinha. Na praia eu vou pouco. Digo que gosto de praia, mais de areia do que de água (risos). Gosto de caminhar na beira da praia. É agradável e você ainda faz um exercício. A água eu evito, mas aqui no Rio de Janeiro, pelo menos na Barra, ela até é convidativa.

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