Publicidade
Publicidade - Super banner
Futebol
enhanced by Google
 

Em ascensão, sócio-torcedor ainda não é sinônimo de casa cheia

Grandes clubes têm mais sócios contribuintes, mas presença nos estádios está condicionada a boas campanhas

iG São Paulo |

A maioria dos grandes clubes brasileiros apresenta crescimento no seus quadros de sócio-torcedores – aqueles que pagam mensalidade para terem privilégios na compra de ingressos. Mas tais números positivos não aumentam as médias de público nos estádios. A presença desse torcedor contribuinte está condicionada à relevância das partidas dos seus times de coração. E nem Internacional e Grêmio , recordistas brasileiros no quesito, conseguiram aliar grande número de sócios a casa cheia em todos os jogos.

Vipcomm
Torcida do Inter já conseguiu encher o Beira-Rio só com sócios. Mas é raro

O Internacional, dono do mais bem sucedido caso do país, com mais de 106 mil sócios, só conseguiu um jogo com 100% do público formado por sócio-torcedores uma vez neste ano, na partida contra o Peñarol pelas oitavas de final da Libertadores. O Inter está entre os 10 clubes com mais sócios do mundo, mas ainda não consegue encher o Beira-Rio em todos os jogos, como conseguem os grandes clubes europeus com milhares de sócios como  Barcelona e Benfica .

O clube gaúcho tem mais de 35 mil sócios que pagam R$ 55 por mês e podem ir a todos os jogos. Apesar disso, em dois jogos como mandante neste Brasileirão, a média de público é de 15,7 mil no Beira-Rio, que tem capacidade para 50 mil torcedores. A meta do clube é chegar a 200 mil sócios em breve .

O Grêmio, com 65 mil sócios, também não consegue encher o Olímpico apesar de ter 27 mil com lugar cativo ou nas sociais ou nas cadeiras que não pagam ingresso. Desde 2005 o clube conta com um programa de sócio-torcedor que paga mensalidades de R$ 20 ou R$ 36 e têm descontos nos ingressos. Já são mais de 38 mil sócios nesta modalidade e a meta do clube é chegar a ter um total de 100 mil sócios no final de 2012, quando sua nova arena estará pronta.

Com capacidade para 45 mil torcedores, o Grêmio não considera que o programa esteja saturado. A cada partida a direção reserva o espaço dos sócios “cativos” que não vão ao jogo e vende os ingressos desses setores aos sócios torcedores. Se sobrar, para a torcida em geral. É raro o torcedor comum, que não é sócio do clube, não ter o direito de comprar. Isso só acontece em finais do Campeonato Gaucho e jogos decisivos de Libertadores e Brasileirão. Nesta edição do Nacional, em três jogos, a média de público do Grêmio é de 16,2 mil.

Nos outros grandes clubes do país, os casos de Inter e Grêmio são tomados por exemplo, mas por mais que se empenhem em copiar a dupla Gre-Nal, um dos principais atrativos para ser sócio-torcedor dos rivais está no direito adquirido para se votar para presidente do clube. Em outras praças, como Rio e São Paulo, tal possibilidade não existe hoje.

Reforma do Mineirão estagnou programas de Atlético e Cruzeiro

Em Minas Gerais, onde Atlético-MG e Cruzeiro vivem um caso parecido de rivalidade como existe entre Grêmio e Inter, a principal dificuldade em fazer engrenar programas de sócio-torcedores está na ausência de um estádio. Ao contrário do Rio Grande do Sul, os rivais mineiros dividiam o Mineirão, fechado para obras até 2013.

O Atlético chegou a ter um programa entre 2001 e 2003, quando o torcedor pagava R$ 20 por mês e tinha direito a um ingresso em todos os jogos do Atlético em Belo Horizinte, fora os clássicos com Cruzeiro e América. Além disso, ao final de 12 parcelas, o torcedor podia trocar o carnê por uma camisa oficial na loja do clube. O clube chegou a contar com 14 mil sócios, mas com a mudança da diretoria, o projeto foi deixado de lado. O presidente Alexandre Kalil, um dos idealizadores do sócio-torcedor na época, tem vontade de fazer um novo plano, mas segundo ele, somente quanto o time voltar a jogar em Belo Horizonte.

Divulgação
Vista externa do Mineirão no final de maio

No Cruzeiro, o programa não parou, mas sofreu uma redução nas adesões. Hoje o clube conta com quase 4 mil adeptos do “Sócio do Futebol”, nome dado ao programa cruzeirense, que também sofreu com o fechamento do Mineirão e do estádio Independência, do América.

“Começamos em 2009 pensando em atingir 20 mil sócios. Quando lançamos, os dois estádios estavam abertos e a promessa era utilizar o Independência enquanto o Mineirão estivesse fechado para reformas. Até chegamos a parar de vender o programa, fechamos para novas adesões. Mas, no começo de 2011, vários torcedores nos procuraram. Abrimos mais mil novas vagas”, disse Marcone Barbosa, diretor de marketing do Cruzeiro, que avalia que o clube arrecada hoje 1/6 do que arrecadaria se tivesse o Mineirão á disposição.

Com o time mandando seus jogos em Sete Lagoas, muitos dos sócios do Cruzeiro acabam não conseguindo ir a todos os jogos e só continuam pagando as mensalidades por amor ao clube. As novas adesões têm uma taxa única de R$ 30 mais mensalidades de R$ 45.

Com a reabertura do Independência, prevista para 2012, tanto Cruzeiro como Atlético esperam reativar seus programas com base na experiência da dupla Gren-Nal. “Dá para fazer como no Rio Grande do Sul. Uma característica que eles têm, nós também temos, que é a rivalidade forte entre os dois clubes. Um programa do Inter e do Grêmio acaba impulsionando o outro. E isso temos aqui com Cruzeiro e Atlético”, disse Barbosa.

Grandes paulistas avançam. Palmeiras é a exceção

Entre os grandes paulistas, Corinthians, São Paulo e Santos vivem uma ascensão dos seus programas de sócio-torcedores. Os três tiveram aumento no número de adesões nos últimos anos, mas assim como acontece em Porto Alegre, têm dificuldades em manter seus jogos sempre com lotação máxima. A explicação, nos três casos, é a mesma de Grêmio e Inter. A importância da partida pesa muito, o que implica no aumento de "torcedores de final”.

O São Paulo , com a experiência mais antiga entre os grandes do Estado, conta com mais de 30 mil sócios e ampliou neste ano de quatro modalidades (que variam de mensalidades de R$ 18 a R$ 25) para seis opções. O foco do clube foi englobar torcedores com maior poder aquisitivo que podem pagar até R$500 para assistir aos jogos em um camarote centralizado no Morumbi.

AE
Corinthians quer cadastrar torcedores para acabar com filas e com cambistas

O Corinthians , que na gestão de Andrés Sanchez não jogará no estádio são-paulino, teria um grande problema se todos os torcedores cadastrados no programa “Fiel Torcedor” resolvessem ir a um jogo no Pacaembu. Segundo o departamento de marketing do clube, o programa tem hoje cerca de 70 mil cadastrados (nem todos contribuintes), o dobro da capacidade do Pacaembu. Por isso, hoje, em jogos de grande procura, os sócios mais antigos têm privilégio de comprar ingressos antes dos adeptos mais recentes. Luís Paulo Rosenberg, diretor de marketing do clube, com o intuito de aumentar o número de adesões, costuma dizer que em breve só quem for cadastrado conseguirá assistir aos jogos do clube em São Paulo.

O clube lançou neste Brasileiro um novo site para venda de ingressos com o intuito inibir a ação de cambistas . Nele, os cadastrados adimplentes do “Fiel Torcedor” têm privilégio e descontos na compra dos ingressos. Caso eles não esgotem as entradas, o torcedor comum, que não está cadastrado a nenhum dos três programas – Minha Vida (R$ 100 anuais), Minha História (R$ 600 por ano) e Meu Amor (R$ 1,2 mil) – pode adquirir um ingresso pelo mesmo site do “Fiel Torcedor”.

O Santos conseguiu dobrar seu quadro de sócios no “Multiplicação dos Peixes” durante a gestão de Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro. O clube está se aproximando da marca de 40 mil sócios de acordo com o departamento de marketing do clube. Durante os quase 10 anos de Marcelo Teixeira no comando do clube, foram 18.491 sócios. Na era Luís Alvaro, até agora, são 18,1 mil. A meta é alcançar mais 4 mil até o final do ano e chegar a 22 mil novos sócios em 2011.

O Palmeiras , ao contrário dos seus rivais em São Paulo, não conseguiu engrenar seu programa de sócios, o Avanti. O plano tem em torno de 6 mil sócios e não está aceitando novas admissões. Está parado para uma reformulação e só voltará no segundo semestre. Enquanto isso, ao atual sócio só será permitido renovar seu cadastro. Esta foi a terceira tentativa no clube de lançar um programa de sócio-torcedores. Houve o “Onda Verde”, o Avanti I e II. A nova reformulação dará lugar ao "Avanti III".

A influência da Renovare, empresa de marketing que trabalhou com o Inter e agora presta serviços pro Palmeiras, foi fundamental para que o Avanti não fosse extinto. A ideia de reformulação é integrar sócio comum e sócios torcedores. Ou seja, o sócio torcedor vai ter direito a ir no clube e o do clube vai ter direito a preferências no ingresso também. Segundo dirigentes que cuidam do caso, o Estatuto dá brecha para isso.

No Rio, programas ainda engatinham

Vipcomm
Flamenguistas lotaram o Engenhão para a estreia de Ronaldinho
O Flamengo , dono da maior torcida do país, não tem números para disponibilizar sobre o programa “Cidadão Rubro-Negro”. O programa dá privilégios ao cadastrados na compra de produtos do clube e de ingressos dos jogos, mas segundo Henrique Brandão, vice-presidente de marketing do clube, o programa passará por algumas mudanças em breve.

“A ideia é ampliar essa situação de sócio torcedor e transformar num programa de fidelização. O torcedor vai ter um cartão e com ele vai pontuar. Quando atingir uma determinada pontuação, terá uma série de produtos à disposição para adquirir. Entre eles, haverá ingressos, mas não há um desconto imediato com o programa”, disse Brandão.

Hoje, o cidadão rubro-negro tem prioridade na compra de ingressos e um acesso especial no estádio, mas não existe o cartão. “No momento, está estagnado, mas vamos dar o pulo do gato. Estamos pensando numa coisa maior, com outro perfil. Não dá para comparar com Grêmio e Internacional que estão entre os 10 maiores programas do mundo”, completou Brandão, sem dar dicas sobre qual seria o tal “pulo do gato”.

O Botafogo  também engatinha na área, mas apresentou avanços nos últimos anos. Hoje, conta com 7,5 mil sócio-torcedores que pagam em dia.

“No começo da gestão do presidente Maurício Assumpção, em 2009, tínhamos cerca de 300 sócios-torcedores adimplentes, que são os que consideramos os que pagaram os últimos três meses. No final do ano passado, fechamos com 7,5 mil adimplentes e esperamos alcançar 15 mil até o final da temporada. Esse é o melhor momento para conquistar novos sócios, durante o Campeonato Brasileiro", disse Marcelo Guimarães, diretor comercial e de marketing do Botafogo.

“Normalmente, o número de sócio-torcedores nas partidas é na faixa de 15%. Não é uma regra, mas é um número que mais se aproxima. Em clássicos normalmente tem um aumento, mas fica nessa faixa de 15% mesmo”, completou Guimarães, corroborando com a tese de que os sócio-torcedores nem sempre vão aos jogos, mesmo pagando para ter direito por ingressos mais baratos.

Entre os torcedores do clube, o programa atende as expectativas. “Nunca tive problema para entrar em alguma partida, mesmo em jogos mais lotados. Acho que vale a pena para quem frequenta bastante porque acaba saindo mais barato. Agora quem vai em um ou dois jogos no ano, talvez não tenha tanto sentido. Mas o serviço é bom”, disse Claudio Dias Oliveira, sócio-torcedor do Botafogo desde o Brasileirão de 2010.

Gazeta Press
Alecsandro comemora o título da Copa do Brasil com os 8 mil sócios vascaínos que foram a Curitiba na final

O Vasco , assim como o Botafogo, apresentou melhoras nos últimos anos, mas o clube reconhece que ainda pode melhorar muito para ampliar o “Vasco é meu”, nome dado ao programa de sócios do clube. “Antes de iniciar, em junho de 2009, o clube tinha 900 sócios. A diretoria quis abrir o quadro social. Hoje tem cerca de 12 mil sócios adimplentes. Número que e a gente considera pequeno para os padrões Vasco, mas é relevante se considerar a receita. No primeiro ano, o faturamento foi por volta de R$ 3,3 milhões”, disse Marcos Blanco, diretor de marketing do Vasco.

Segundo Blanco, assim como acontece em outros clubes, nem todos os cadastrados do “Vasco é meu” vão aos jogos. Uma média, dependendo do jogo, de pelo menos metade destes 12 mil (vão aos jogos). Depende do apelo, do interesse do jogo. Para se ter uma ideia, na final da Copa do Brasil em Curitiba a gente abriu a venda para sócio um dia antes, como se costuma fazer. E vendemos 8 mil ingressos”, comentou.

Entre os grandes cariocas, o Fluminense é quem lançou seu programa há menos tempo. E diferente dos outros casos no Brasil, os pacotes do “Guerreiro Tricolor” são válidos por campeonato e têm de ser renovados a cada torneio. Lançado para a disputa da Libertadores, o programa vendeu 10 mil pacotes para os jogos do clube em casa.

Para o Brasileirão foi feito novo programa para as 19 partidas do time no Engenhão como mandante. O torcedor pode pagar entre R$ 200 e R$ 480, dependendo da área do estádio em que o sócio quiser assistir às partidas. Até o momento, pouco mais de mil pacotes foram vendidos.

Fora a baixa adesão, alguns dos torcedores que compraram os pacotes reclamam do atendimento oferecido. "Eles têm boa vontade, são atenciosos, mas muito desorganizados. Meu cartão demorou demais para chegar, o pessoal do programa me ligou pra avisar que estava atrasado mesmo. Essa entrega tem sido complicada, mas isso não impede a entrada no estádio. Basta você imprimir o boleto que eles mandam para o seu email com o comprovante de pagamento e levar para o Engenhão”, disse a torcedora Agnes Lealt, que é produtora de cinema.

*Colaboraram Gabriel Cardoso e Hector Werlang, iG Porto Alegre; Frederico Machado e Victor Martins, iG Belo Horizonte; Hilton Mattos, Marcello Pires, Renan Rodrigues e Thales Soares, iG Rio; Bruno Winckler, Danilo Lavieri, Mário André Monteiro e Samir Carvalho; iG São Paulo

Leia tudo sobre: brasileirão 2011sócio-torcedor

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG