Em entrevista ao iG, jogador se diz mais maduro em relação à Copa de 2010 e ainda acredita que será convocado por Mano Menezes

Felipe Melo espera voltar à seleção brasileira
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Felipe Melo espera voltar à seleção brasileira
Após encarar uma forte turbulência na carreira, Felipe Melo reencontrou a paz. Dono da camisa 10 e um dos jogadores mais queridos pela fanática torcida do Galatasaray, já marcou seis gols em 21 partidas. Em alta na Turquia, o volante espera que o bom desempenho em sua nova casa faça com que as portas da seleção brasileira se abram novamente.

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“Só vou acreditar que não tenho mais chances quando o Mano falar abertamente que não conta comigo. Aí eu paro de acreditar. Enquanto isso não acontece, eu trabalho para voltar”, disse Felipe Melo em entrevista ao iG .

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Passados quase dois anos da Copa do Mundo da África do Sul , Felipe Melo se diz mais tranquilo e maduro em relação a 2010. E rejeita o rótulo de vilão da eliminação brasileira. “O passe para o gol do Robinho contra a Holanda foi meu. Se não sou expulso naquele jogo e a gente ganha, era capaz de me colocarem como o melhor em campo”, afirmou.

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O jogador comentou também sua passagem pelo futebol italiano, revelou que esteve próximo de um acerto com o São Paulo antes de se transferir para o Galatasaray e afirmou que não fecha as portas para os clubes brasileiros, com três exceções: “Nunca jogaria no Vasco, no Fluminense ou no Botafogo porque sou flamenguista”, declarou.

Confira abaixo a entrevista de Felipe Melo ao iG:

iG: Como foi a adaptação à Turquia, após três anos vivendo na Itália?
Felipe Melo: Foi bem tranquila. O Campeonato Turco pode não ser muito conhecido no Brasil, mas é bastante disputado e as torcidas são apaixonadas. E Istambul é uma cidade parecida com o Rio de Janeiro, por isso eu me sinto em casa. Tem sido um ano muito bom tanto dentro de campo como fora dele. A diretoria do Galatasaray esperava de mim grandes atuações e acredito que tenho conseguido corresponder às expectativas.

iG: Você tem feito gols com muito mais frequência do que fazia na Itália. O que mudou no seu posicionamento dentro de campo?
Felipe Melo: Agora eu tenho muito mais liberdade para atacar. Quando o treinador me deixa ir para frente, consigo marcar gols. Na Itália não tinha essa liberdade. Por outro lado, lá eu conseguia me destacar nos roubos de bola, desarmes e passes. Mas eu sempre senti falta dessa liberdade para chegar ao ataque.

iG: E o apelido de “pitbull”?
Felipe Melo: É pelo meu ânimo dentro de campo, onde estou sempre mordendo na marcação. É um apelido bacana e carinhoso. Não tem nada a ver com violência, até porque só tomei quatro cartões no campeonato todo até agora e não fui expulso nenhuma vez.

Felipe Melo em ação pela Juventus. Foram duas temporadas atuando pelo clube italiano
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Felipe Melo em ação pela Juventus. Foram duas temporadas atuando pelo clube italiano

iG: Você se sentiu desrespeitado na sua saída da Juventus?
Felipe Melo: Não. A decisão de sair foi tomada em conjunto com a diretoria, que foi bastante correta comigo. Por mais que eu tenha jogado bem na minha segunda temporada com a Juventus, o time não foi bem. Por isso, achei melhor sair. Eu queria que me vendessem, mas eles acharam melhor manter o meu passe e me emprestar.

iG: Então você pensa em voltar à Juventus após o empréstimo?
Felipe Melo: Não, na Juventus eu não jogo mais. Mas, ao contrário do que chegaram a publicar em Turim, nunca falei mal da Juventus. Ela depositou confiança em mim e sempre agiu de uma maneira muito legal comigo. Eu torço pelo time, tenho amigos lá dentro. Foi um clube que me ajudou a crescer como homem e como jogador, mas acho que meu ciclo lá acabou. Nas duas temporadas que fiquei na Juventus, não cumprimos nossos objetivos. Ficamos de fora até mesmo da Liga dos Campeões. Foi vergonhoso. Mas se a Juventus for campeã nesse ano, vou me sentir parte da conquista também.

iG: Há quem julgue que o Campeonato Italiano está em decadência. Você concorda?
Felipe Melo: O campeonato italiano não tem mais o mesmo glamour de outros tempos. A Juventus caiu para a segunda divisão por conta daquele escândalo e só agora está conseguindo voltar a ser competitiva. Milan e Inter têm grandes jogadores, mas estão envelhecidos. Além disso, tem campo que parece gramado de várzea. Fui feliz na Itália, cresci muito na Juventus. Mas o futebol italiano precisa melhorar.

iG: Melhorar como?
Felipe Melo: Falta renovação. Tem alguns ótimos jogadores, como o Balotelli, que ultimamente aparece mais pelas merdas que tem feito. O De Rossi e o Marchisio também são muito bons, e o Chiellini é um dos melhores defensores da atualidade. Pirlo, Buffon e Del Piero são mitos, mas já têm mais de 30 anos. Estão faltando jovens jogadores na Itália.

iG: Você esteve próximo de retornar ao Brasil, mas acabou se transferindo para a Turquia. Não é hora de voltar ainda?
Felipe Melo: Eu queria voltar, e muitos clubes demonstraram interesse em mim. Conversei com o São Paulo e cheguei até a olhar algumas casas para morar na cidade. Mas aí o Galatasaray apareceu com uma proposta que não teve como recusar.

iG: Então quer dizer que o São Paulo é o seu destino favorito quando você voltar?
Felipe Melo: Fiquei feliz com o respeito com que o São Paulo me tratou, mas não fecho as portas para nenhum clube brasileiro, a não ser no Rio. Nunca jogaria no Vasco, no Fluminense ou no Botafogo porque sou flamenguista. Não jogaria por dinheiro nenhum nestes clubes. São poucos os jogadores que expressam amor por um clube, mas eu não tenho problema nenhum em falar que amo o Flamengo.

Felipe Melo foi titular da seleção brasileira na Copa de 2010
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Felipe Melo foi titular da seleção brasileira na Copa de 2010

iG: Você sonha retornar à seleção brasileira?
Felipe Melo: A seleção brasileira não é mais um sonho pra mim, é uma realidade, e eu trabalho para voltar. O Mano disse que cartão vermelho não fecha as portas para ninguém. O Hernanes e o Ramires foram convocados novamente após terem sido expulsos e isso me deixou animado. Eu só vou acreditar que não tenho mais chances quando o Mano falar abertamente que não conta comigo. Aí eu paro de acreditar. Enquanto isso não acontece, eu trabalho para voltar.

iG: Seria um Felipe Melo diferente em relação ao de 2010?
Felipe Melo: Hoje, sou muito mais seguro e maduro. Mas na Copa não deixei a desejar dentro de campo. Eu vejo alguns vídeos de desarmes e roubos de bola meus e fico feliz com o que fiz. No jogo contra a Coreia do Norte, a jogada do gol começou comigo. Contra a Costa do Marfim, a mesma coisa. O passe para o Robinho fazer aquele gol na Holanda foi meu. Se eu não sou expulso naquele jogo e a gente ganha, era capaz de me colocarem como o melhor em campo.

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