Vaias nos primeiros minutos de jogo se tornaram rotina, irritando técnicos e jogadores do time carioca

Ainda que estejam presentes em quase todas as partidas do Botafogo neste ano, na última quarta-feira, as vaias da torcida presente no estádio Engenhão vieram bem antes do que os jogadores esperavam. A bola rolou e com apenas 40 segundos, no primeiro passe errado do lateral-direito Alessandro, o barulho ecoou das arquibancadas. A falta de entendimento entre torcedores e equipe tem sido regra em 2011 e já provocou até troca de treinador. Ao deixar o Botafogo , Joel Santana mostrou incômodo com as constantes reclamações dos botafoguenses.

"Desde que cheguei aqui que vivo essa situação. Encontrei Alessandro, Lúcio Flávio, Fahel e Eduardo na lista negra da torcida. Agora é o Somália. Ele vai pagar a vida inteira por isso? Eu não posso colocar o Fahel, não posso colocar o Alessandro que eles vaiam", lamentou o treinador após a derrota para o Vasco, sua última partida pelo clube após 14 meses.

Começo da 'crise'
O problema porém, tem raízes na reta final do Campeonato Brasileiro de 2010, com uma partida em especial. Disputando 'cabeça a cabeça' uma vaga na Copa Libertadores, o Botafogo acabou derrotado em casa para um time misto do Inter, no final de novembro, na antepenúltima rodada da competição. O resultado deixou o Botafogo mais longe do objetivo (a equipe perderia a vaga na última rodada, ao ser derrotada pelo Grêmio no estádio Olímpico), e ao final da partida, os torcedores vaiaram muito a equipe e pediram 'raça'.

Loco Abreu é um dos poucos jogadores que tem 'crédito' com a torcida
AE
Loco Abreu é um dos poucos jogadores que tem 'crédito' com a torcida

Apesar de não ter chegado ao torneio internacional, a participação do Botafogo no último Campeonato Brasileiro foi a melhor desde 1995, ano do título. Mas nem isso, nem a conquista do Campeonato Carioca no mesmo ano, após três vice-campeonatos seguidos para o Flamengo, aliviou a situação de Joel. No começo de 2011, logo na primeira partida do ano, o treinador teve uma amostra de que o clima não era mais o mesmo. Na vitória de virada sobre o Duque de Caxias, novas vaias e criticas ao estilo de jogo supostamente 'retranqueiro' de Joel.

A gota d'água para Joel Santana aconteceu na derrota de 2 a 0 para o Vasco, no Campeonato Carioca. O treinador, ao tirar o meia Everton, que havia pedido para ser substituído, foi chamado de burro pela torcida e não escondeu a mágoa. "Muitas vezes, as pessoas só dão valor quando sentem falta. Eram quatro, cinco, seis pessoas. Não estou incomodado com o torcedor, aqueles não considero nem botafoguenses, mas as pessoas tem que entender que nós treinadore também temos nosso sentimento", disse o treinador. Dois dias depois, Joel anunciaria sua saída do Botafogo na terceira passagem pelo clube carioca.

Troca de treinador
De certo modo, Caio Júnior herdou a falta de paciência da torcida com alguns jogadores. Alessandro, Fahel, Márcio Azevedo e Somália são os mais vaiados. Ao primeiro erro, vem a cobrança imediata da torcida. Outros como Loco Abreu, Antônio Carlos, Jefferson e Marcelo Mattos possuem um pouco mais de crédito. Contra o Avaí, na última quarta-feira, o técnico, que foi chamado de 'burro', lamentou o pouco entendimento entre equipe e torcida .

"A questão da vaia eu entendo. Acho que já enfrentei torcidas exigentes e sei que é natural. Porém levaram apenas três minutos para as vaias começarem. Existem alguns jogadores que a torcida não tem a mínima paciência. Acho um pouco injusto isso, porque os atletas começam a partida pressionados", disse Caio Júnior.

Apesar da pressão, o desempenho do Botafogo não é melhor atuando fora do estádio Engenhão. Jogando em casa - mesmo nas partidas em que atuou como visitante -, o Botafogo venceu oito vezes, empatou três e perdeu dois jogos, com aproveitamento de 69%. Quando esteve mais distante da torcida, venceu três vezes, empatou duas e perdeu uma, com aproveitamento um pouco mais baixo, de 61%.

Mesmo sendo um dos mais visados pela torcida, o lateral-direito Alessandro minimiza o problema. Para o jogador, a parcela dos botafoguenses que vai ao estádio para apoiar o time é bem maior. "Eu, particularmente, recebo essas vaias como algo natural, estou acostumado com isso já. É logico que é um momento chato, não quero isso pra gente, mas eu procurei esquecer e superar aquele momento contra o Avaí. Nessa hora, o fato do jogador ser experiente conta muito. Mas não são todos também, tem que falar isso né. Acho que 80% ajuda apoia, e 20% vão para vaiar o time".

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