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¿É impossível roubar uma bola de Xavi¿, diz seu primeiro técnico

Meia do Barcelona é um dos três indicados como melhor do mundo de 2010 e concorre com Iniesta e Messi

Paulo Passos, iG São Paulo |

Então técnico das categorias de base do Barcelona, Joan Vilà, costumava levar o filho de oito anos para o trabalho, durante as férias escolares. Foi assim no verão europeu de 1995. Para entreter o garoto, o pai propunha tarefas. “Eu dizia: conta o número de chutes a gol, quantos passes errados certo jogador dava, etc. Depois, na volta para casa, a gente conversava”, lembra.

FC Barcelona
Xavi no Barcelona B, com 17 anos
Em uma tarde daquele ano, ele pediu ao filho que contasse o número de bolas perdidas por Xavier Hernández Creus, de 15 anos, uma das promessas do Barça. Na volta para casa, ouviu a reclamação: “Hoje o dia foi muito chato”. Perguntado por que, o menino respondeu: “É que não pude contar nada. Ele não perdeu nenhuma bola”.

“Eu ainda tinha me dado conta disso. Ninguém consegue roubar a bola do Xavi. Até hoje é assim”, disse o técnico, por telefone, ao iG. O domínio de bola ainda é, para Joan Vilà, a principal qualidade do meia, que disputa o prêmio de melhor do mundo da Fifa.

O técnico conheceu Xavi aos 11 anos, quando o então projeto de meia chegou ao Camp Nou. “Desde muito cedo, ele já tinha um talento especial. Era um líder taticamente. Agora, ele trabalhou muito os conceitos. Adquiriu demais com a experiência”, diz o técnico, que já não trabalha no clube catalão.

Com 550 partidas disputadas no Barcelona, Xavi, que completa 31 anos em janeiro, é o jogador que mais vezes defendeu o clube. A história na equipe principal começou em 1998, quando aos 18 anos, foi chamado para disputar a final da Supercopa da Espanha. Na estréia, o meia até marcou um gol, mas o Barça perdeu o título para o Mallorca.

A derrota não era um presságio. Em mais de 10 anos no time principal do clube, Xavi venceu todos os torneios possíveis. Com a seleção, também ganhou tudo que podia, inclusive uma inédita Copa para a Espanha.

Espelho vira “rival”
Desde que surgiu nas categorias de base do clube catalão, Xavi era apontado como o sucessor de Guardiola. Jogava na mesma posição do hoje técnico. Assim como ele, é catalão e havia iniciado a carreira no Barça ainda adolescente.

Getty Images
Xavi assumiu a posição deixada pelo hoje técnico Guardiola
O problema é que a diferença de nove anos entre os dois fazia com que o jovem meia tivesse poucas chances, já que o “espelho” ainda seguia no auge. Mais do que isso, Guardiola era um mito no clube, motivo suficiente para fazer um novato se sentir pressionado.

“Aquilo era muito duro para mim. Eu me sentia um intruso no meio dos profissionais. As associações e comparações com Guardiola me incomodavam muito. Eu não queria ser comparado com ninguém, ainda mais com ele, que é um mito”, confessou Xavi à TV3, de Barcelona. “Ao mesmo tempo, ele sempre me ajudou em tudo. Não posso falar uma palavra ruim dele. Ao contrário, sempre estava ao meu lado, dava um conselho. Como técnico, me deu uma importância que eu nunca tive antes”, completou.

À sombra do ídolo, Xavi tinha poucas oportunidades no time. A primeira sequência de jogos ocorreu quando Guardiola teve uma lesão grave, em 2000. As comparações só aumentaram. Foi então, aos 19 anos, que o meia recebeu uma proposta milionária do Milan.

“Tudo se encaixava para eu ir: o tema econômico, a situação técnica, já que não era titular. Meu pai queria que eu fosse, mas eu não sentia que era o melhor. Não sentia, não tem uma explicação. A decisão lógica era ir, mas eu preferi ficar”, lembra.

Em 2001, Guardiola deixou o clube para jogar na Itália. Mesmo assim, Xavi não virou titular absoluto. Isso só aconteceu na sétima temporada como profissional, em 2004, quando jogou 44 partidas. O Barcelona vivia uma mudança de ciclo, com a chegada de Ronaldinho Gaúcho, e voltava a fazer frente ao maior rival Real Madrid.

Tornou-se peça importante, mas nunca protagonista na equipe de Frank Rijkaard. Foi justamente com a chegada de Guardiola ao comando do time que ele passou a ser estrela. Com a saída de Ronaldinho, virou cobrador oficial de faltas. Na seleção, também passou a brilhar mais e foi eleito o melhor jogador da conquista da Euro 2008.

“A primeira coisa que faço quando tenho a bola é procurá-lo. E não só eu como todos aqui no Barça e na seleção. Xavi sabe sempre o que fazer com a bola. Eu brinco que é um seguro de vida para a gente”, elogia o zagueiro Puyol.

O primeiro técnico do meia concorda com a importância dele na equipe. “Messi é o número 1 do Mundo, é inegável. Agora, quem melhor reflete o jogo coletivo do Barcelona e da seleção espanhola é o Xavi. As duas equipes não são as mesmas sem ele”, afirma Joan Vilà. “O prêmio de 2010 deveria ir para ele. Não é justo que Xavi termine a carreira sem ganhar uma premiação como essa. Ele é o reflexo do melhor jogo coletivo”, completa.
 

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