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Futebol
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Dorival Júnior conta com filho Lucas como auxiliar no Atlético-MG

Lucas Silvestre, de 23 anos, ganha primeira oportunidade de trabalhar com o pai e sonha virar treinador

Victor Martins, iG Belo Horizonte* |

Filhos que tentam seguir os passos de pais no futebol é bastante comum. Somente no Brasil, é possível citar vários casos, como foi Pelé e Edinho, Djalma Dias e Djalminha, Wladimir e Gabriel, além de muitos outros. Mas no Atlético-MG um caso é bem diferente. Lucas Silvestre, de 23 anos, é filho de Dorival Júnior e tem como meta se tornar treinador.

O primeiro passo foi se formar em educação física, em Florianópolis, cidade onde Dorival Júnior e sua família escolheram para morar. Mas se engana quem pensa que Lucas está no Atlético-MG por causa do pai. Além do curso universitário, o auxiliar técnico de Dorival Júnior precisou passar por escolinhas de futebol e pela base do Figueirense. Paralelo ao trabalho em Santa Catarina, Lucas tinha de fazer relatórios sobre times adversários e analisar possíveis reforços para as equipes de Dorival Júnior.

É claro que a vontade de ser jogador não foi diferente com Lucas Silvestre. Antes de pensar em ser treinador, ele jogou nas categorias de base do Figueirense e do Avaí. Assim como Dorival Júnior, Lucas era volante. Depois de passar pelas duas principais equipes de Santa Catarina, Lucas decidiu investir na carreira de treinador.

Victor Martins, iG Belo Horizonte*
Dorival Júnior e o filho Lucas Silvestre, seu auxiliar técnico, conversam durante treino do Atlético-MG
“Trabalhar dentro do futebol é maravilhoso, sempre foi um sonho. Primeiro eu tentei jogar futebol, mas senti que não poderia ter uma sequência e quando parei, logo fiz a opção de trabalhar dentro da comissão técnica. Diziam para eu partir para o lado físico, mas sempre gostei da parte técnica e tática. Desde a minha primeira aula na faculdade eu estava focado no que queria, que era trabalhar como auxiliar e treinador”, disse Lucas, que sabe bem lidar bem com a cobrança, pelo fato de ser filho do treinador.

“Trabalhar com o seu pai é um caso à parte, porque trabalhar com algum familiar sempre tem uma responsabilidade maior. Você tem de provar a cada dia a sua capacidade, o seu potencial, para não ficar aquele negócio de estar ali apenas por ser o filho. Então eu procuro sempre fazer um pouco mais do que os outros, para justamente tirar o estigma de ser o filho do treinador”.

O técnico Dorival Júnior também sabe que é diferente ter o filho como auxiliar técnico. O treinador do Atlético-MG revela que conversa e orienta Lucas, para que ele possa crescer na profissão. Mas o tratamento de pai e filho é só até a porta da Cidade do Galo. Entrou no CT atleticano, a relação é de treinador e auxiliar técnico, e mesmo assim, para ter a chance de trabalhar com o pai, Lucas teve de provar que estava pronto.

“Ele é meu filho até entrar nas áreas do Atlético, a partir daí ele é um profissional e vai ser cobrado. Naturalmente que estou buscando corrigir uma coisa ou outra. Mas ele se preparou adequadamente para isso e vem me mostrando isso com um bom trabalho. Não é simples para o profissional ter uma pessoa da família ao lado, mas ele se preparou durante os últimos quatro anos, para que pudesse abraçar a profissão. Procurei orientá-lo da melhor forma possível, dentro daquilo que acontecesse e senti que esse era o momento. Ele já vinha trabalhando em outras equipes há três anos e senti que estava na hora de uma aproximação maior”.

Já Lucas tem aproveitado o período de convívio com o pai. A família continua em Florianópolis e somente os dois estão em Belo Horizonte. Eles moram sozinhos na capital mineira, e o assunto quando estão é casa não podia ser outro a não ser o Atlético-MG. Se a relação pai e filho não entra na Cidade do Galo, a relação treinador e auxiliar é levada para casa.

“A cobrança é maior, as broncas são maiores e até mesmo a conversa é maior. A gente vive o dia-a-dia do clube. Vamos embora juntos, no carro já conversamos sobre o time, chegamos em casa e a conversa é também sobre a equipe. Vivenciamos mais, em todo momento estamos conversando sobre isso, até porque moramos só nos dois”, disse Lucas.

Divulgação
Lucas Silvestre na foto oficial do Atlético-MG
Como auxiliar de Dorival Júnior, Lucas faz seu papel e ajuda nos treinamentos. Às vezes seu pai leva o time titular para um lado do campo. Enquanto a equipe principal faz um trabalho específico com o treinador, cabe a Lucas comandar o treino dos jogadores reservas, muitas vezes com atletas até mais velhos do que ele.

Vivendo o Atlético-MG intensamente, Lucas só lamenta não poder ver o Mineirão lotado. Impressionado com a força da torcida atleticana na reta final do Brasileirão do ano passado, quando o time lutava contra o rebaixamento, Lucas diz que seu pai ficou impressionado com o que viu no duelo entre Atlético-MG e Santos, pela Copa do Brasil de 2010, quando quase 60 mil pessoas estiveram no Mineirão para acompanhar a vitória atleticana por 3 a 2.

Já sobre o time atual, Lucas tem total liberdade para comentar o que pensa sobre a equipe e até mesmo comentar a escalação. Sem dar detalhes, o auxiliar técnico diz que já debateu com o pai sobre algumas decisões. Embora a decisão final seja sempre de Dorival Júnior, o treinador atleticano escuta bastante o seus auxiliares.

“Eu coloco a minha opinião, do mesmo jeito que o Ivan (Izzo, outro auxiliar de Dorival) coloca a dele. Meu pai filtra o que ele acha correta e a decisão é toda dele. Mas a minha opinião e a do Ivan ele sempre leva em consideração. Se o treino é às 9h, chegamos na Cidade do Galo por volta das 7h30. Tomamos café da manhã e já nos reunimos para conversar sobre o dia, sobre o que vai ser feito, sobre o time mais adequado. Até por ser meu pai, já conversamos sobre isso no carro, vindo para o CT”.

Lucas Silvestre está focado no que quer. Além da experiência que teve na base do Figueirense e agora ao lado do pai, Lucas pensa em trabalhar com outros treinadores. No futuro a parceria com Dorival Júnior pode ser desfeita, já que o jovem auxiliar está disposto a conseguir o máximo de experiência até estar preparado para se tornar treinador.

Não que ver jogos ao lado de Dorival Júnior e Ivan Izzo não seja suficiente, mas ter a oportunidade de conhecer outra visão de futebol e novos métodos de trabalho fazem parte dos planos de Lucas. Admirador de Adilson Batista, ele revela que até já teve contato com o ex-treinador do Cruzeiro.

“Hoje sou auxiliar do meu pai, mas nem por isso vou ser auxiliar dele para sempre. Então não tenho problema nenhum, até seria interessante conhecer outros treinadores, outras filosofias de trabalho. Até tive um contato com o Adilson Batista, que é um treinador que admiro muito. Já admirava muito antes de conhecê-lo e gostei muito. É um treinador que tem um trabalho tático diferenciado, ele sabe mexer na equipe e conhece os jogadores. Então seria importantíssimo conhecer a filosofia de outros treinadores”.

Uma partida especial

Lucas ainda não tem data para se tornar treinador. Com 23 anos, ele diz ter muitos anos como auxiliar técnico pela frente. Até por isso, ele não acredita em um confronto com Dorival Júnior, com cada um treinador uma equipe. Além de não ter um prazo para se tornar técnico de futebol, Lucas não acredita que Dorival Júnior fique muito tempo na carreira.

“Gerenciar pessoas é complicado, então acho que ele deve agüentar mais uns dez ou 15 anos, porque já tem uns cinco que ele fala que vai parar em dez anos. Vai ser no momento que estiverr preparado, mas não acho vamos ter esse confronto entre pai e filho”, diz Lucas, mas que aposta em um lado vencedor, caso enfrente Dorival alguma dia.

“Com certeza seria muito interessante o confronto, acho que ele ainda levaria vantagem, por ter muito mais tempo de futebol”.

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