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Dividido entre Vasco e política, Roberto Dinamite faz 57 anos

Presidente fala ao iG sobre gestão e temas delicados, como saída de Carlos Alberto, a quem fez críticas

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Vicente Seda
Na Alerj, Dinamite admitiu que passou a tomar remédios na época do rebaixamento do Vasco
Na véspera do seu aniversário, Roberto Dinamite chegou à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) duas horas depois do horário marcado para a entrevista ao iG. Foi ao plenário, apertou algumas mãos, e, com mais trinta minutos de atraso, passou pela recepção repleta de lembranças do tempo das chuteiras, entrando esbaforido no seu gabinete. Afrouxou o nó da gravata listrada, fazendo par com o terno azul marinho adornado com o broche de deputado. O bolo de abacaxi, pedido mais cedo na cantina do terceiro andar pelo seu filho Alexandre, saiu por volta das 16h. Às 18h, quando estampou a gula nos olhos, o presidente do Vasco perguntou: “Está quente?”. A negativa não o impediu de empurrar três pedaços goela abaixo enquanto recordava com seu assessor qual seria o tema da conversa, mais um compromisso na apertada agenda de deputado e dirigente.

Ele passou inicialmente impressão de impaciência, mas analisou sem pressa os momentos marcantes e delicados da sua gestão que será posta à prova nas urnas no meio do ano. Revelou que o clube está em vias de conseguir a reativação no ato do Tribunal Regional do Trabalho do Rio (TRT-RJ), que limita as penhoras (em rendas de jogos, por exemplo) a uma porcentagem mensal sobre as receitas. O ídolo de São Januário completa 57 anos nesta quarta-feira, mas a comemoração ainda não tinha espaço garantido na caderneta de afazeres. O presente pedido, é claro, foi uma grande vitória sobre o Náutico, adversário desta noite pela Copa do Brasil, mesmo sem saber dizer se poderá estar presente à partida no Estádio dos Aflitos, em Recife.

Entre as eleições no clube, a função de presidente, e o cargo de deputado, Dinamite hoje admite que tem de seguir um cronograma de remédios para garantir, pelo menos, uma boa noite de sono. Mas vale a pena, assegura o ex-jogador que, apesar de se dividir entre o futebol e a política, registra apenas 18,2% de faltas nas listas de presenças desde 2008 no site da Alerj, onde é vice-presidente das comissões de defesa do consumidor e trabalho, legislação social e seguridade.

Na entrevista ao iG, topou falar sobre temas delicados, como a saída de Carlos Alberto, com quem se desentendeu. Foi duro com o atual meia do Grêmio: "Ele não quis o diálogo. Sempre somar, e não dividir. É o que espero que aconteça daqui para frente", disse.

AE
Roberto Dinamite (esquerda), que brilhou com a camisa do Vasco, completa 57 anos nesta quarta-feira como presidente do clube

Confira a entrevista de Roberto Dinamite ao iG :

iG: Nesses três anos de gestão, o que o senhor destacaria como mais positivo e o que gostaria, mas não conseguiu executar?
Roberto Dinamite: A coisa mais importante para um presidente de clube são as conquistas. Estivemos na Segunda Divisão, voltamos à Primeira, e estamos trabalhando por isso. Agora não podemos esquecer a situação que sabíamos que encontraríamos. Uma situação muito delicada, especialmente na parte financeira. Continuamos a ter esse problema, mas solucionamos boa parte. Estamos com pagamentos em dia, negociando a nossa posição em relação ao TRT, que é uma questão importante.

iG: E o que o senhor gostaria, mas não conseguiu? Atingiu plenamente suas metas?
Roberto Dinamite: Plenamente não, claro que gostaríamos de ter sanado toda essa dívida. Gostaria de naquele momento inicial ter montado uma equipe muito mais forte. Mas infelizmente não é da noite para o dia. Hoje acho que a minha equipe é competitiva e vai brigar por título, projetando mais um ou dois jogadores para o Brasileiro. Isso está acontecendo em função da gente conseguir equilibrar as finanças. Antes era pagar funcionários ou trazer um jogador ou outro.

iG: No começo da sua gestão, nos primeiros seis meses, o Vasco acabou sendo rebaixado. O senhor hoje considera que houve algum equívoco, como a reformulação imediata no departamento de futebol? O senhor faria de outra forma?
Roberto Dinamite: Acho que não. Infelizmente quando entramos o Vasco não tinha receita e o pouco que tinha estava comprometido. Tudo que havia de parceria estava totalmente fora da realidade do clube. Foi muito difícil. Tudo o que foi feito, foi com muita luta, muito sacrifício, para hoje podermos projetar coisas melhores.

iG: Como foi para o senhor, ídolo do clube, passar por rebaixamento e disputa da Série B como presidente?
Roberto Dinamite: Dava vontade de entrar, tirar uma bola ou fazer um gol. Era muito complicado para mim desligar o ex-jogador com essa coisa de presidente. Com o tempo você vai pegando, mas futebol é paixão. Ficamos engessados em um primeiro momento, tinha um time, mas nos faltou aquele algo mais, aquela aplicação. Mas serviu também para mostrar força. Saímos de uma situação com a qual eu nunca tinha convivido. Agora em 2011 o Vasco encorpou, está mais forte, mais competitivo, não é invencível, mas temos um time à altura para lutar contra os outros.

iG: Após o rebaixamento, o Vasco começou muito bem o Carioca de 2010 e sofreu um baque, que foi a perda dos pontos por escalação irregular do meia Jefferson. Como o senhor enxerga hoje essa situação?
Roberto Dinamite: Foi uma interpretação na época do nosso jurídico, que entendeu que não teria problema. Era uma questão trabalhista, e isso nos prejudicou, nos tirou de uma situação privilegiada. São erros que não podem acontecer, mas aconteceram e temos de seguir em frente. Não erramos muito, mas houve erros decisivos como essa situação. Acredito realmente no trabalho e no amor que essas pessoas têm pelo clube. Mesmo tendo pessoas contra, que não desejam o sucesso do clube, apesar de se dizerem vascaínas, vamos vencer isso também.

iG: O senhor está se referindo às tais "forças ocultas", das quais muito se falou naquela época?
Roberto Dinamite: Foi um fato um pouco anormal. Acho que o importante nisso tudo é errar menos ou não errar para as coisas acontecerem com tranquilidade. Demos uma oportunidade e as pessoas aproveitaram. A coisa ficou um pouco difícil em função de ter pessoas que a gente sabe que não querem o sucesso do clube, especialmente da nossa gestão. Peço aos nossos diretores para fazerem o dever de casa para essas coisas não voltarem a acontecer.

Divulgação
Dinamite considera semelhantes as funções de deputado e dirigente

iG: O que o senhor pode falar sobre a passagem do Carlos Alberto pelo Vasco e do desentendimento que levou à sua saída?


Roberto Dinamite: Não discuto a qualidade do Carlos Alberto, foi muito importante na Série B. Tem condições de jogar em qualquer grande clube. Eu fui um profissional e, com todo o respeito, um ídolo tanto quanto ele, e sempre procurei trilhar o caminho do respeito à instituição e às pessoas. Houve um desentendimento, acho que o presidente tem o direito de reunir os atletas e cobrar, não diminuindo os jogadores. Ele achou que não era importante ouvir ou participar. O Vasco então entendeu que naquele momento o melhor era liberar o jogador. Foi uma situação bem parecida com a do Felipe, só que ele voltou, conversou, acertamos. Voltou para ajudar o Vasco. O Carlos Alberto não quis conversar, não quis o diálogo, é um direito do jogador, mas é um direito do clube também. Isso gerou esse clima. O grande jogador só vai se destacar inserido dentro de um contexto. Somar, sempre somar, e não dividir. É o que espero que aconteça daqui para frente.

iG: Como o senhor avalia esse racha coletivo com o Clube dos 13 e a união dos quatro grandes do Rio na tomada de uma posição?
Roberto Dinamite: Foi a primeira vez que Vasco, Flamengo, Botafogo e Fluminense sentaram à mesa, não uma vez, mas várias esse ano. Estamos trabalhando por uma valorização, muito se fala que um vai receber mais do que outro, mas hoje o Vasco está em um mesmo patamar de outros quatro grandes clubes, Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras. O que difere é o Pay-per-view. Se o torcedor do Vasco comprar mais, a receita será maior. O Vasco hoje tem (com a Globo) o seu melhor contrato de televisão em todos os tempos.

iG: O que o senhor espera dessa eleição no clube? Há comentários sobre a lista de sócios aptos a votar...
Roberto Dinamite: Espero que seja o mais transparente possível. Estamos fazendo essa listagem de quem pode ou não votar da forma mais clara possível, antes a gente não tinha muita noção de quem poderia ou não votar. A gente tinha mil ou duas mil pessoas, hoje teremos mais de dez mil com direito a voto, e isso é ótimo, é o processo democrático que estávamos buscando. Será urna eletrônica, é o caminho mais eficiente.

iG: O senhor fica preocupado de perder?
Roberto Dinamite: Preocupado? Não me candidatei para ser eterno no Vasco. A proposta é uma eleição e no máximo uma reeleição. A minha preocupação hoje não é ser reeleito, é ser campeão carioca e da Copa do Brasil. Vamos conquistar? Não sei. Mas o que posso dizer é que o próximo presidente terá uma condição muito melhor de planejar e proporcionar alegrias ao torcedor, e eu quero fazer isso. Sou muito grato a tudo que o Vasco me proporcionou. Não me fiz ídolo, o torcedor que me fez, enxergou isso.

iG: O senhor só tem 18,2% de faltas na Alerj desde que assumiu o Vasco, passou por momentos difíceis e estaria até tomando alguns remédios para conseguir dormir direito e aguentar o ritmo. É verdade?
Roberto Dinamite: O que descompensou um pouco foi aquela fase do rebaixamento, hoje infelizmente tenho de estar tomando meus remédios de forma regular. Espero ir diminuindo aos poucos, mas o importante é que quando você começa a ter tranquilidade, ter as pessoas ao seu lado, passa a ter mais tempo para tocar as coisas. A parte política é muito legal, são duas coisas muito parecidas, você mexe com o povo, com a população de um modo geral.

iG: O senhor teve uma grande quantidade de projetos de lei propostos em 2009, mas em 2010 não teve nenhum. O que houve para ocorrer essa disparidade?
Roberto Dinamite: Em um primeiro momento tive uma situação que poderia estar mais presente, a questão da assessoria é importante nesse processo. Nesse ano de 2010 estive mais focado no Vasco. Tinha de estar cedo no tribunal por uma causa que não era minha, mas era minha porque sou presidente do Vasco, aí de tarde ia para o TRT ouvir a declaração de um juiz sobre um ex-atleta reivindicando os seus direitos, tem isso, faz parte. É um grande jogo, aprendi, gosto do que faço e acredito que com mais tranquilidade a gente vai poder equilibrar essas coisas.

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