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Futebol
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Dirigente oficializa saída do São Paulo por perda de influência

Marco Aurélio Cunha revela desgaste no cargo de superintendente e vislumbra presidência do clube no futuro

Levi Guimarães, iG São Paulo |

Já cogitada desde o final de 2010, a notícia da saída do superintende de futebol do São Paulo Marco Aurélio Cunha foi confirmada sem grande surpresa na tarde desta quinta-feira. O dirigente justificou o abandono do cargo pela diminuição de seu poder de influência nas decisões da diretoria. E afirmou que já se considera preparado para ser presidente do clube, embora praticamente descarte concorrer já nas eleições deste ano, em abril.

Divulgação
Marco Aurélio sai lamentando perda de influência na diretoria do São Paulo
Embora prefira não “expor as feridas” internas do São Paulo, Marco Aurélio deixou claro que dois episódios foram decisivos para ele perceber que não tinha mais voz ativa e acabar decidindo por deixar o cargo: a demissão de Muricy Ramalho, em 2009, e a promoção de Sérgio Baresi como técnico do time profissional após a saída de Ricardo Gomes em 2010.

“De uns tempos para cá, talvez desde a saída do Muricy, eu não consegui dar ao São Paulo o máximo que poderia dar, a influência que eu poderia ter. Tenho 31 anos de futebol, com carteira assinada, eu não vim da iniciativa privada. Em 1979, meu primeiro emprego com carteira assinada já foi no São Paulo”, afirmou.

“Esse ano todo que passou eu sofri muito. Quando mudamos o Ricardo [Gomes] pelo treinador da base [Sérgio Baresi] eu achei intempestivo. Fui criticado por não apoiar essa política sem programação. Claro que não podia dar certo. Mas aí você vê que seu poder de persuasão diminuiu. E diminuindo é a hora de deixar o clube”, completou.

Com a eleição para a presidência do São Paulo marcada para abril, Marco Aurélio indica que, por enquanto, só tem uma certeza: a de que não seria candidato enfrentando o atual presidente, Juvenal Juvêncio. Embora já esteja em seu segundo mandato, Juvenal ainda espera a confirmação de uma brecha do estatuto para disputar a reeleição.

O agora ex-superintendente, contudo, deixa clara sua ambição de um dia assumir o principal cargo do São Paulo. E não descarta totalmente uma candidatura já em 2011 no caso de Juvenal Juvêncio não ser candidato.

“Sem nenhuma modéstia, posso dizer que sou capaz. Sou candidato eventual no futuro pelas minhas próprias pernas, pelo meu currículo, pela minha história. Mas o problema não é quem, é qual o projeto, qual o futuro. A médio prazo eu serei candidato, não há dúvida disso”, disse.

Confira abaixo outros trechos da entrevista de despedida de Marco Aurélio Cunha.

Desgaste

“Foram oito anos e meio. Dificilmente alguém fica tanto tempo num cargo como o meu. É desgastante, de envolvimento muito profundo. Me envolvi profundamente, mas nos dois últimos anos menos do que eu gostaria. A Câmara [de vereadores de São Paulo] também tomou parte do tempo, mas mais do que isso é a sensação que eu tenho de não estar influindo como eu gostaria”.

Ser a “cara” do São Paulo

“Para onde eu vou as pessoas perguntam “e o São Paulo?”. Você é o São Paulo. Mas quando eu sinto que não posso falar qual é o nosso caminho, eu não posso continuar. Não é justo que eu seja visto como o São Paulo e não tenha a possibilidade de influenciar nos rumos do clube”.

Reeleição de Juvenal Juvêncio

“Eu não sei se ele vai se reeleger, nem se vai ser candidato. As tendências dizem que ele teria direito a um novo mandato. Eu não gosto disso, já disse para ele que seria de bom tom ele sair, porque assim nos daria o presente de sua gestão. Foi o único presidente que conseguiu junto aos títulos uma evolução patrimonial e de marca, crescimento de torcedores e o CT de Cotia. Faltam só os grandes jogadores, que logo teremos, alguns já estão na seleção [sub-20, que disputa o Sul-Americano no Peru]”.

Relação com o presidente

“Não sairia como candidato contra o Juvenal jamais, por uma questão de foro íntimo. A partir [da decisão] dele, aí sim as coisas são diferentes. O presidente tem personalidade muito forte, isso faz parte da sua grande vitória. A única crítica seria para que ele interagisse mais, pra que ele pudesse ouvir um pouco mais, mesmo aquilo que ele não quer ouvir”.

Trabalhar em um clube rival

“É impossível. Tenho o maior respeito pelo Corinthians. Peço desculpas pelas brincadeiras que possam ter sido mal compreendidas, mas nunca foi com sentido pejorativo, porque o Corinthians é um grande clube, uma grande nação. Sem denegrir a grandeza desses clubes, mas não faria pela história do São Paulo. Recebi recentemente excelentes propostas, mas não aceitei”.

“Bolha” financeira do futebol

“Quinhentos mil virou troco no futebol. Tem jogador que joga muito pouco ganhando R$ 100 mil por mês. Realmente estamos vivendo uma falta de realidade econômica no futebol”.

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