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Dirigente afirma que Palmeiras não pagou imposto durante 20 anos

Antônio Corcione explica que prática era comum e, por isso, o acúmulo das dívidas estourou na gestão Belluzzo

Danilo Lavieri, iG São Paulo |

“O Palmeiras jamais pagou qualquer quantia de imposto. Nada. É um pensamento que vem de gestão anteriores e passa, inclusive, pelos anos de Mustafá e de Affonso Della Monica”. A frase de Antônio Carlos Corcione, assessor especial da presidência desde o último ano da gestão de Carlos Facchina, em 1992, resume o tamanho do problema que Luiz Gonzaga Belluzzo tentou enfrentar nos seus dois anos de gestão. E que provavelmente o próximo presidente que será escolhido nesta quarta-feira, na Academia de Futebol, a partir das 19h, enfrentará.

E mais: Corcione explica que, se o clube precisasse quitar todas as suas dívidas, deixaria seus torcedores órfãos.

“Não tem como, fecharia o Palmeiras”, afirmou ao iG, para em seguida explicar. “Como nós temos na Timemania grande parte dos impostos, outra parte em PPI (parcelamento) e outra parte que está sendo discutida, que até acho que vamos levar. Isso são acontece com todos os clubes. E a culpa não é do Mustafá. Era um critério anterior. Era uma política daquela época que traz problema até hoje”,completou.

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Mustafá Contursi, ex-presidente e homem influente nas eleições desta quarta-feira


As dívidas acumuladas, que viraram base de campanha da oposição, na verdade, existem há tempos e tiveram participação, inclusive, de Carlos Facchina Nunes, Mustafá Contursi e Affonso Della Mônica, ex-presidentes que hoje fazem campanha por Arnaldo Tirone.

A exemplo de seus antecessores, Belluzzo poderia passar dois anos sem se preocupar com isso e, provavelmente, enfrentaria bem menos problemas financeiros. Mas, com a necessidade de conseguir certidões negativas de impostos para poder levantar a Arena e também para levar adiante os projetos de incentivos fiscais, o presidente que encerra sua gestão nesta quarta-feira precisou renegociar uma dívida multimilionária, que considerando só o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) passava da casa dos R$ 50 milhões.

“Havia um procedimento de não pagar imposto, sempre discutir na Justiça. Foram feitas um monte de ações que foram feitas na época deles, contestando a validade desses impostos. E isso eles conseguiram empurrar durante bom tempo. Quem fazia isso não era o departamento jurídico do Palmeiras, existia um advogado contratado pelo Facchina e depois permaneceu contratado pelo Mustafá e pelo Della Monica”, afirmou Corcione.

Questionado sobre o assunto, o ex-presidente do Palmeiras Mustafá Contursi admite apenas discussões sobre os impostos e diz que a acusação feita pelos atuais dirigentes é mentirosa.

“Essa é mais uma mentira deslavada. O que existem são discussões. Eles receberam nessa gestão R$ 8,5 milhões dos R$ 16 milhões que a Parmalat nos devia. Colocaram no caixa e não amortizaram. Não pagaram nada de impostos, pois está tudo parcelado no Timemania. Nós estamos recebendo dinheiro da loteria. E eu, como presidente do Sindicato Nacional dos Clubes, consegui uma decisão judicial que nós não precisaríamos pagar as ações para aderir ao parcelamento”, despistou Mustafá.

Mustafá ainda afirma de forma veemente que deixou quase R$ 40 milhões no caixa e que, hoje, esse dinheiro sumiu. Disse, ainda, que o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) deve dinheiro para o Palmeiras. Corcione admite que essa quantia realmente ficou para o clube, mas destaca que junto com essa herança vieram dívidas tributárias que se acumulam desde 1988.

“Ele (Mustafá) deixou R$ 38 milhões em caixa quando ele saiu. Mas só de IPTU, nem vou falar das dívidas federais, só de IPTU foram R$ 42 milhões, que depois estavam cobrando R$ 52 milhões. Fizemos um parcelamento e os problemas que se acumulavam de 1988 a 2005, época que jamais o Palmeiras pagou nenhum IPTU, nós conseguimos equalizar”, destacou Corcione.

“Hoje, o governo federal já usa de um procedimento chamado penhora online, trava seu dinheiro, e depois te chama para discutir. Antigamente, o procedimento era totalmente diferente”, completou.

Por causa de tudo isso, Belluzzo contratou um novo escritório fiscal que assumiu todas as ações judiciais. Apesar do atual presidente ter quebrado boa parte da dívida, o problema está longe de ter o seu fim. E o próprio economista reconhece isso. Em entrevista à ESPN Brasil, ele afirmou que o clube deve cerca de R$ 90 milhões. Em 2010, o clube fechou o ano com uma dívida de R$ 25 milhões, segundo balancete examinado pelo COF ao que o iG teve acesso.

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