Hotel onde Brasil trabalhará para Copa América fez parte de fazenda do pai do craque. Amigo do ídolo conta histórias

Marcel Rizzo
Memorial em bar de Los Cardales homenageia Di Stéfano: camisa do Real Madrid assinada pelo ídolo para amigo Di Yorio
“Ninguém imaginava que Di Stéfano seria o melhor do mundo”. Los Cardales viu nascer um mito,  mas não sabia que esse homem seria um mito, como conta Alberto Di Yorio. Ídolo do Real Madrid a ponto de ser presidente de honra do clube espanhol e ter uma sala dentro do estádio Santiago Bernabeu, Di Stéfano começou a jogar futebol na cidade de 12 mil habitantes que receberá o Brasil para os treinamentos durante a Copa América.

Um jovem que ajudava seu pai, também Alberto, a plantar batatas na fazenda - parte do terreno onde estava a casa que abrigou a família Di Stéfano nos anos 40 faz parte hoje do Sofitel, hotel que hospedará os comandados de Mano Menezes a partir desta terça-feira, 21 de junho . Bem no quintal onde Di Stéfano fazia ziguezague entre árvores para adquirir um bom condicionamento físico.

“Em uma época que o futebol era lento, Alfredo corria mais do que todos. Isso o destacava. Mas ninguém em Cardales poderia supor que ele seria um dos maiores. Sabe por quê? Porque ele não era o melhor do time”, conta Alberto Di Yorio, que herdou o bar e café que leva seu sobrenome e que foi a primeira construção da cidade. Fundado em 1925, o local ficava ao lado do campo da cidade, que hoje nem existe mais – substituído por casas de comércio. Ali Atilio, pai de Alfredo e dono do bar, jogou bola ao lado dos irmãos Di Stéfano no Unión Progresista, clube que hoje está quase falido e nem lembranças do craque tem. Foi tudo roubado.

No Progresista, Alfredo, com 17 anos, era coadjuvante do irmão Tulio e de um ponta esquerda considerado na cidade o craque daquele time, que daria o primeiro título regional da história de Los Cardales. “Rosa Gigena tinha cinco anos a mais do que Alfredo e era o craque. O irmão Tulio também jogava mais do que o Alfredo. O Rosa quase foi parar no Chicarita, time forte na época. O Zárate, clube que jogava, pediu muito e depois ele se machucou,.Já o Tulio teve uma lesão no joelho. Ele era mais novo que o Alfredo”, conta Di Yorio.

Estátua de Di Stéfano no museu do Real Madrid homenageia foto famosa de gol. Aos 85 anos, presidente de honra do clube espanhol
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Estátua de Di Stéfano no museu do Real Madrid homenageia foto famosa de gol. Aos 85 anos, presidente de honra do clube espanhol
Viagem
Di Stéfano nasceu em Buenos Aires, mas seu pai, fugindo de agiotas, decidiu ir morar no campo e viver de plantações. Hugo Alfredo Gruppi jogava na equipe de meninos do Progresista nos anos 40 . A lembrança que tem? “. Eles (Di Stéfanos) moravam afastado do povoado e nos dias de jogos o pai vinha a cavalo e eles correndo atrás. Chegavam aquecidos”, conta Gruppi, sorrindo.

De Cardales, Di Stéfano foi para o River Plate, indicado por um amigo do pai. Passou depois por Huracán, Millonarios, da Colômbia, Real Madrid e Espanyol, de Barcelona, onde encerrou a carreira. Jogou pelas seleções da Argentina, da Colômbia e da Espanha, já que na época era permitido. Não disputou Copas do Mundo porque, em 1962, se machucou e não foi ao Chile com os espanhóis (enfrentaria o Brasil na primeira fase). Ao lado do francês Kopa e do húngaro Puskas, formou uma das maiores linhas ofensivas da história do futebol, pelo Real Madrid.

“Talvez, veja bem, talvez Messi possa se tornar melhor (do que Alfredo). Porque Maradona não foi. Se tivéssemos TV, transmissões como hoje, na época do Di Stéfano, não haveria essa dúvida”, diz Di Yorio. O ídolo nunca mais voltou a Cardales, já que sua filha o impede de viajar muito por causa de problemas de saúde. “Sua memória também está indo embora. Me ligou recentemente para perguntar o nome do Unión Progresista para uma nova biografia”, contou Di Yorio. Aos 85 anos, Di Stéfano também vai se esquecendo de Cardales.

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