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"Desde 2008 o Kaká não tem a condição de hoje", diz fisiologista

Em entrevista ao iG, Turíbio Leite de Barros, que tratou o meia, fala das lesões e do período de recuperação

Paulo Passos, iG São Paulo |

Até o final da semana, Turíbio Leite de Barros pegará um avião com destino a Madri. A viagem do fisiologista será por um motivo especial. Foi ele um dos resposáveis pela recuperação de Kaká, desde que o meia passou por uma cirurgia em agosto. “Ele me convidou para ver o jogo no Santiago Bernabeu no domingo. Deve ser o primeiro que vai começar como titular”, aposta.

Gazeta Press
Fisiologista tratou da recuperação de Kaká
Em entrevista ao iG, o fisiologista revela como foi a recuperação do jogador do Real Madrid e os problemas físicos que ele teve nas últimas temporadas. “De 2008 até o ano passado, Kaká sempre teve algum problema físico. Ele nunca esteve 100%. Teve problema no tornozelo, lesão muscular no adutor da coxa, pubalgia e, por último, essa lesão no joelho. Desde 2008 ele não tem a condição física de hoje”, afirma Turíbio Leite de Barros.

Doutor em biociência, o fisiologista é professor da Unicesp. Durante 25 anos trabalhou no São Paulo, de onde saiu em julho de 2010. Foi no clube paulista que ele conheceu o jogador do Real Madrid. Após, a Copa do Mundo, Turíbio foi convidado pelo pai do meia para tratar da sua recuperação.

O tratamento, ou pelo menos parte dele, foi terminado em dezembro, quando o jogador voltou a treinar. Nesta segunda-feira, Kaká jogou 15 minutos na vitória de 3 a 2 sobre o Getafe. Foi o primeiro jogo do meia em seis meses. A última partida havia sida a derrota do Brasil de 2 a 1 para a Holanda, na Copa do Mundo, em julho.
Getty Images
Meia brasileiro voltou a jogar nesta segunda-feira com a camisa do Real Madrid


Na Espanha, a situação de Kaká é tratada como grande mistério. Após passar um ano sofrendo com uma pubalgia e depois de meses com problemas no joelho esquerdo, o meia foi submetido a uma cirurgia em agosto, na Bélgica. Após a intervenção, o cirurgião Marc Martens afirmou que o brasileiro havia colocado a sua carreira em risco ao disputar a Copa do Mundo, na África do Sul.

“Ele quis fazer sensacionalismo. Foi um momento de empolgação, em que ele falou mais do que devia. Não acredito que deixariam ele correr esse risco. Ele não estava 100%, mas correr risco de comprometer a carreira é um exagero”, afirma.

Confira a entrevista:

iG: O técnico do Real Madrid, José Mourinho, elogiou a recuperação de Kaká, mas afirmou que ele não tem condições de ser titular. É possível prever quando isso irá ocorrer?
Turíbio: É difícil dizer, mas acredito que em breve. Esse é o momento que todos nós estamos esperando. Tenho certeza que o Kaká vai voltar a ser o jogador que era. Ele está com a musculatura restabelecida Hoje ele tem condições de voltar a estar numa condição que ele não tinha há muito tempo.

iG: Há quanto tempo? Desde quanto o Kaká não está 100%?
Turíbio: Desde 2008 ele sofre com algo. Ele não joga sem um problema físico desde lá. Teve problema no tornozelo, lesão muscular no adutor da coxa, pubalgia e, por último, essa lesão no joelho. Desde 2008 ele não tem a condição física de hoje.

iG: Como foi feita a recuperação dele?
Turíbio: Eu fui chamado após a Copa do Mundo pelo pai do Kaká. Ele foi examinado aqui no Brasil e depois se apresentou em Los Angeles ao Real Madrid. Ai houve a avaliação que acabou definindo qual era o procedimento emergencial a ser feito, a cirurgia. Depois, tivemos o período de recuperação, onde trabalharam, além da equipe do Real Madrid, cerca de dez profissionais aqui do Brasil. Profissionais da Escola Paulista de Medicina e da USP. Em 30 anos de carreira, eu nunca tinha acompanhado um caso assim. Foi o mais tecnológico e cientifico que se pode imaginar. Ele fez avaliações no laboratório de biomecânica da USP. São procedimentos que você vê com imagem de computador, diagnósticos de desequilíbrio muscular, músculo. Ao mesmo tempo, foram realizados exames convencionais, com ultra-som. O Real Madrid deu todo o apoio necessário para ele só voltar quando estivesse 100%.

EFE
Kaká não entrava em campo desde maio pelo Real
iG: O que foi mais difícil?

Turíbio: A fase de reequilíbrio muscular. Durante o tempo em que o Kaká jogou com problema no joelho esquerdo, a situação foi se acentuando e causou um desequilíbrio muscular. Ele sentia um desconforto no joelho esquerdo e, por causa da dor, o corpo mudava o eixo de equilíbrio. Isso desequilibrava o eixo muscular e tinha conseqüências que fomos constatando, como a pubalgia, ou até as dores na planta do pé. De um lado, a musculatura atrofiava; do outro, sobrecarregava. Após a cirurgia tivemos que corrigir isso, o que foi bem difícil.

iG: Em algum momento o Kaká se desesperou com a situação de ficar sem jogar ou até temer que não voltaria com as mesmas condições?
Turíbio: Olha, a gente se falava quase todos os dias. Durante, os últimos meses, fui duas vezes para Madri. Ele é um caso diferenciado. Estudava o caso dele e participava das escolhas. É lógico que em cinco meses de tratamento houve momentos muito difíceis para ele. O profissional quer voltar sempre o quanto antes. Ele ia atrás de informações na internet. Era até engraçado, porque às vezes ele vinha com dúvidas absurdas, mas são coisas de quem está sofrendo. Brinco que hoje ele tem um conhecimento sobre o assunto que poucos profissionais têm.

iG: Em agosto, após a cirurgia, o médico Marc Martens afirmou que Kaká havia colocado a sua carreira em risco ao disputar a Copa do Mundo. Você concorda?
Turíbio: Não, ele quis fazer sensacionalismo. Foi um momento de empolgação, em que ele falou mais do que devia. Não acredito que deixariam ele correr esse risco. Ele não estava 100%, mas correr risco de comprometer a carreira é um exagero.

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