Publicidade
Publicidade - Super banner
Futebol
enhanced by Google
 

Defesa da CBF na "Máfia do Apito" cita tortura e corrupção

Caso de procuradora condenada e corrupção endêmica rechearam processo. Para FPF, Corinthians foi beneficiado

Marcel Rizzo, iG São Paulo |

Em sua defesa no processo da “Máfia do Apito”, o departamento jurídico da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) fez referência ao caso de uma procuradora que foi condenada por torturar a filha adotiva de dois anos. A argumentação fez o juiz José Paulo Camargo Magano escrever, em sua sentença, que a entidade ofendeu o MPE (Ministério Público Estadual), o que gerou a multa de R$ 6,8 milhões (em conjunto com o ex-arbitro Paulo José Danelon) por má-fé no andamento processual.

Em sua decisão, Magano apontou que a CBF “associou triste fato envolvendo criança a seu requerimento”. O trecho está em um dos pontos levantados pelo advogado Carlos Eugênio Lopes para tentar mostrar que a CBF não pode ser responsabilizada pela atitude ilícita de um árbitro de futebol – no caso, Edilson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon, condenados por fraudar resultados de partidas para beneficiar apostadores.

“A CBF não responde pelos fatos narrados nesta ação, assim como o douto Ministério Público também nenhuma responsabilidade tem pelos atos praticados pela promotora acusada de torturar sua filha adotiva de dois anos, comportamento que, apesar de ter acarretado abalo à população brasileira, não foi acompanhado, nem vigiado pelo MP, de forma a inibir a prática criminosa por membro integrante de seu quadro funcional”.

O caso citado envolveu a procuradora aposentada Vera Lúcia Gomes, condenada em primeira instância, em julho de 2010, a oito anos e dois meses de prisão por torturar a filha adotiva de dois anos. Além do trecho citado, a CBF anexou ao processo página de jornal que exibe o "disque denúncia" e a foto da procuradora, com a palavra “Procurada” logo acima.

Corrupção e benefício

Marcel Rizzo
Documento de defesa da FPF. No item 27.2 o trecho em que está escrito que o Corinthians foi beneficiado
Magano critica a defesa da CBF em boa parte de sua sentença. Além dos trechos que desdenham do futebol ( revelados aqui pelo iG ), há passagem em que a defesa trata como endêmica a corrupção no país. “Os árbitros no Brasil não são suíços ou marcianos. São brasileiros como todos nós e, data vênia, não poderiam ser melhores do que a sociedade de onde se originam. Ora, sabe-se que o Brasil, infelizmente, não figura em lugar honroso no “ranking” mundial no tocante a índices de corrupção social”.

Em outra parte, desdenha dos feitos esportivos e diz que “a história não guarda nomes dos esportistas”. E que o único feito que é lembrado até hoje é o do corredor ateniense que correu 42 km para levar uma notícia, em 490 A.C., e originou a maratona e os Jogos Olímpicos. E mesmo assim, ressaltou, “porque se tratava de proeza vinculada a atividades bélicas decisivas”.

A defesa da FPF, feita pelo escritório de Carlos Miguel Aidar, conselheiro do São Paulo, também tem trechos interessantes. Em um deles, entra em tema polêmico: que o Corinthians foi beneficiado pelos 11 jogos anulados no Brasileiro de 2005. Os advogados argumentavam que não houve prejuízo para a maioria dos torcedores com a anulação das partidas:

“Ao contrário, o grande beneficiado com o esquema de manipulação de resultados foi o Sport Club Corinthians Paulista, cuja torcida é a segunda maior do país, com mais de 30 milhões de fanáticos torcedores consumidores, beneficiados com o desenrolar dos fatos e coroados com o título de campeão nacional”.

Alguns torcedores do Internacional, vice-campeão em 2005, acionaram a Justiça na época alegando prejuízo pela anulação das partidas e perda do título, mas não tiveram sucesso. Por meio de sua assessoria, a CBF informou que só vai se pronunciar sobre o caso quando for notificada, mas já antecipou que pretende recorrer da decisão. O advogado Carlos Eugênio Lopes não foi encontrado para comentar os trechos citados.

O valor a ser pago por má-fé se juntou aos R$ 160 milhões da condenação da entidade pela manipulação de resultados no futebol brasileiro e sul-americano que aconteceu em 2005, junto com o ex-arbitro Edilson Pereira de Carvalho e o empresário Nagib Fayad. A FPF (Federação Paulista de Futebol), Fayad, Carvalho e Danelon terão que pagar outros R$ 20 milhões. O total das multas chega a R$ 186,8 milhões. Cabe recurso a todos os envolvidos ( leia mais detalhes aqui ).

Leia tudo sobre: CorinthiansInternacionalMáfia do ApitoCBFFPF

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG