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Futebol
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De volta às finais, Portuguesa batalha por valorização da marca

Time enfrenta o São Paulo nas quartas do Paulista por acordos mais vantajosos e confiança da torcida

Marcel Rizzo, iG São Paulo |

A Portuguesa volta a disputar mata-mata na elite depois de 13 anos – esteve na semifinal do Brasileiro de 1998, quando perdeu para o Cruzeiro. Jogo ao vivo em horário nobre (o rival nas quartas de final do Paulistão é o São Paulo, às 16h de domingo, em Barueri) e imprensa acompanhando a semana de treinamentos, o que significa patrocinadores e jogadores valorizados. Em jejum de títulos desde 1973, quando dividiu a taça do Estadual com o Santos, a Lusa procura resgatar torcedores e carisma.

“A Portuguesa chegou e agora vai brigar pelo título. O nome é forte”, disse o zagueiro Domingos, duas vezes campeão paulista (2006 e 2007) e uma vez Brasileiro (2004) pelo Santos.

Recuperar moral não é fácil. Dois dias depois de o time conseguir a vaga como oitavo classificado, em jogo emocionante contra o São Bernardo, os jogadores se reapresentaram no Canindé sem alarde. O clube estava vazio e na arquibancada funcionários limpavam o estádio, que recebeu 3001 pagantes na vitória por 1 a 0.

Do lado de fora, porém, uma fila dobrava a esquina e desembocava justamente na bilheteria. “Estou aqui para comprar ingresso para o jogo do Santos”, explicou Pedro Dias, estudante que matava a aula para garantir bilhete para o jogo de seu time, que nesta quarta decide vaga nas oitavas da Libertadores contra o Deportivo Táchira-VEN, no Pacaembu.

O Canindé se transformou em ponto de venda de ingressos para jogos de outros clubes e shows e também é "casa" para rivais. O Palmeiras mandou partidas por ali para pagar menos do que o Pacaembu cobrava. Como se classificou em oitavo, a Portuguesa só jogará em seu estádio no primeiro jogo de uma eventual final, já que as quartas e a semifinal são em uma partida apenas. É quase um campo de aluguel.

“Nosso planejamento era todo voltado para a classificação (no Paulista). Não tínhamos plano B. Pensávamos somente que poderíamos enfrentar o Palmeiras, que era o líder até a última rodada”, disse Wolnei Caio, gerente de futebol do clube e ex-meia com passagens por Grêmio, Botafogo e pela própria Portuguesa. A estreia na Série B será somente em 21 de maio e, em caso de eliminação no Paulista, ficaria mais de um mês apenas treinando. “Mas não teríamos descanso. O acesso (para a Série A do Brasileiro) é o grande objetivo”, disse Caio.

Cara de mau
Anos sem títulos, mas principalmente sem estar entre os melhores causaram prejuízo. O clube não revela valores de patrocínio, mas calcula que poderia ganhar ao menos 100% mais se tivesse aparecido com frequência em finais ou se estivesse na Série A do Brasileiro (foi rebaixado em 2008 e não voltou mais). Atualmente tem dois patrocínios de camisa: o Banco Banif, que também ajuda na contratação de jogadores, e a churrascaria Tennesse. Valores não são divulgados – mas o restaurante fornece carne para o refeitório do clube.

Marcel Rizzo
Domingos faz cara de bravo para emissora de TV. Patrocinador na mídia
Por anos, a Portuguesa teve ajuda da comunidade lusitana para conseguir dinheiro com patrocínio. Até hoje o nome “Armarinhos Fernando” aparece em destaqie no clube - a sala de imprensa do Canindé, inaugurada em 2006, é batizado com a marca de um dos principais patrocinadores da história do clube. O bazar triplicou seu faturamento ao associar o nome ao futebol.

A vaga nas quartas de final trouxe visibilidade na mídia, fundamental para fazer um contrato melhor de patrocínio. Na terça-feira, além do iG, dois jornais, outro site e a TV Globo estavam acompanhando o treinamento. O zagueiro Domingos foi o entrevistado e precisou fazer caras e bocas para a câmera. De camisa de treino, o nome do patrocinador aparecia em destaque.

Para formar o time, foi contratado um diretor que foi vice-campeão brasileiro em 1996 (Wolnei Caio) e um treinador vice-campeão paulista em 1985, Jorginho – ambos como jogadores. Como auxiliar técnico está Anderson Lima, ex-lateral de São Paulo, Santos e Grêmio. No time uma mistura de experiência, como Domingos, com a base campeã paulista sub-20 em 2010. Nomes como Jaime, Guilherme, Rafael Silva e Henrique, jovens que jogam muita bola, mas são inexperientes fora de campo. Uma frase de Henrique colocou em xeque a lisura da Portuguesa na classificação para as quartas e levantou um possível acordo com o São Bernardo – o TJD-SP descartou investigar o clube.

“É duro classificar e acabam só falando nisso. Nosso time só entra para ganhar. E vai ser assim sempre”, disse Jorginho, após a partida. Ele deve ter apreendido que não se apaga anos ruins em tão pouco tempo...
 

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