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Futebol
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De dossiê a técnico peladão, relembre reclamações históricas

Questionar a arbitragem não é nenhuma novidade no futebol, por isso separamos 10 'choros' inesquecíveis

Renan Rodrigues, iG Rio de Janeiro |

Na última segunda-feira, a Anaf (Associação Nacional dos Árbitros de Futebol), respondeu de forma irônica e polêmica às criticas do Botafogo sobre o nível da arbitragem nacional. No fim da nota, a entidade diz que "ninguém aguenta este choro repetitivo". Apesar de se manifestar exclusivamente contra o time carioca, as reclamações contra os "homens do apito" não são novidade no futebol brasileiro, nem exclusividade de algum time.

Dossiês entregues à CBF (Confederação Brasileira de Futebol), presidente pedindo demissão no vestiário após derrota e até técnico ficando pelado em campo para protestar. As mais diversas cenas, algumas cômicas, outras tristes, já foram protagonizadas por dirigentes, treinadores e jogadores. O iG separou algumas reclamações históricas (com razão ou não) e relembrou cada momento na lista abaixo.

DVDs, dossiês e representações
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Árbitro em três Copas, Simon não escapou das reclamações de clubes
Cruzeiro 3 x 2 Flamengo – Campeonato Brasileiro de 2008
As duas equipes disputavam uma vaga no G4, nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro. Nos acréscimos, Diego Tardelli caiu na área pedindo pênalti. O árbitro Carlos Eugênio Simon não deu falta e ainda expulsou o atacante do Flamengo por reclamação. Inconformados, dirigentes do time carioca pediram punição ao árbitro na CBF e enviaram um vídeo à Fifa, contestando a capacidade do árbitro.

Simon teve que apitar partidas da Série B, mas um vídeo divulgado posteriormente mostra que ele acertou no lance. Apesar de não ter errado, o material enviado à Fifa quase custou caro ao árbitro brasileiro. Antes da partida entre Inglaterra e Estados Unidos, na Copa do Mundo de 2010, parte da mídia inglesa lembrou dos erros do juiz e questionou a qualidade do árbitro brasileiro, que teve participação sem grandes erros no Mundial.

Gazeta Press
Jucilei e Ronaldo comemoram gol polêmico do Corinthians em jogo importante contra o Cruzeiro
Corinthians 1 x 0 Cruzeiro – Campeonato Brasileiro de 2010

Brigando pela liderança do Brasileirão, que posteriormente seria vencido pelo Fluminense, Corinthians e Cruzeiro fizeram um jogo polêmico e emocionante. O time da casa venceu com um gol de Ronaldo, que sofreu pênalti marcado pelo árbitro Sandro Meira Ricci. O lance divide opiniões até hoje, mas os dirigentes do Cruzeiro não aceitaram a derrota e também usaram a tecnologia para montar um DVD com 18 lances onde o time mineiro seria supostamente prejudicado pela arbitragem.

Por conta das declarações nos vestiários do Pacaembu, insinuando que o juiz do jogo teria sido comprado e que o campeonato estaria esquematizado para terminar com título do Corinthians, o presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella chegou a ser suspenso por 30 dias pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Após a eliminação precoce do Corinthians na Libertadores, Perrella voltou a provocar. "Quando não tem apito amigo, fica difícil para eles”.

Corinthians 2 x 0 Internacional – Copa do Brasil 2009
A final do torneio nacional entre o time paulista e a equipe gaúcha foi o estopim de uma rivalidade criada por lances e jogos polêmicos. Em junho de 2009, Fernando Carvalho, então presidente do Internacional, convocou a imprensa para uma coletiva. Nela, apresentou um DVD com erros de arbitragem favorecendo o Corinthians. Na época, Corinthians venceu o primeiro jogo da final por 2 a 0, e o Inter contestou vários lances do encontro, apitado por Héber Roberto Lopes.

O DVD trazia erros que teriam beneficiado o clube paulista na Copa do Brasil e lances passados, como do confronto entre as duas equipes pelo Brasileirão de 2005, quando Márcio Resende de Freitas deixou de marcar um pênalti claro de Fábio Costa em Tinga. A competição daquele ano já estava recheada de ingredientes para reclamação por conta da anulação de jogos por causa do escândalo da “máfia do apito”. O Inter acabou empatando a segunda partida da final em 2 a 2 e o Corinthians se sagrou campeão da Copa do Brasil.

Choro, literalmente

Vipcomm
Presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella já montou DVD com erros contra o Cruzeiro
Portuguesa 2 x 2 Corinthians – Campeonato Paulista de 1998
Vencido pelo São Paulo, este campeonato ficou marcado pela arbitragem do argentino Javier Castrilli. Contratado pela FPF (Federação Paulista de Futebol) para garantir a lisura do torneio, o juiz cometeu um dos maiores erros da história. Os três primeiros gols da partida já haviam nascido em lances duvidosos. Mas o mais grave veio no final da partida, quando o zagueiro César, da Portuguesa, cortou um cruzamento com o peito na grande área. Castrilli viu toque de mão e marcou pênalti.

O colombiano Freddy Rincón bateu e marcou o gol que garantiu a classificação do Corinthians à final, já que a equipe jogava por um empate. Desolado, o zagueiro César deixou o campo em lágrimas, abraçado por companheiros de equipe. Tanto a torcida quanto a diretoria da Portuguesa protestaram muito contra a arbitragem de Castrilli, mas o prejuízo já estava concretizado.

Gazeta Press
Souza provoca Botafogo sobre 'chororô'
Flamengo 2 x 1 Botafogo – Campeonato Carioca de 2008
As duas equipes cariocas faziam a final da Taça Guanabara, primeiro turno do Campeonato Carioca. Com um pênalti marcado para o Flamengo, pelo árbitro Marcelo de Lima Henrique, e dois jogadores expulsos, os botafoguenses, que alegavam já terem sido prejudicados na final do estadual do ano anterior, não suportaram.

Todos os jogadores do Botafogo foram para a entrevista coletiva chorando, liderados pelo técnico Cuca e pelo volante Túlio, reclamando da atuação do árbitro e dizendo que eram os verdadeiros campeões. O presidente do Botafogo na época, Bebeto de Freitas, também chorando, anunciou que estava se desligando do cargo, decisão que seria revogada posteriormente. Dias depois, em uma partida da Copa Libertadores, contra o Cienciano, o atacante Souza fez um gol e comemorou "chorando", provocando a torcida rival no que ficou conhecido como ‘chororô’.

Gás, caravela de papelão, técnico ‘peladão’ e sheik descontrolado

Gazeta Press
Goleiro Rogério Ceni alegou ter passado mal por causa de um gás no vestiário do São Paulo
Palmeiras 2 x 0 São Paulo – Campeonato Paulista de 2008
No segundo confronto da semifinal do estadual, o grande alvo das reclamações do São Paulo não foi o juiz Wilson Luiz Seneme, mas o próprio adversário do time do Morumbi. No intervalo do clássico, os são-paulinos teriam encontrado o vestiário com um tipo de gás que provocou irritação e tosse nos jogadores. O incidente causou uma troca de acusações entre os dois clubes sobre a origem do gás.
Com a vitória na segunda partida, o Palmeiras se classificou para a final. Posteriormente, a equipe comandada por Vanderlei Luxemburgo seria campeã sobre a Ponte Preta. Por conta do incidente, o Palmeiras perdeu o mando de campo de dois jogos.

Botafogo 1 x 0 Vasco – Campeonato Carioca de 1990
A final do estadual daquele ano teve um ingrediente diferente. Um ‘choro’ que se transformou em comemoração constrangedora. Mesmo tendo sido derrotado na final, o Vasco, presidido por Eurico Miranda, por uma interpretação equivocada do regulamento, alegou que a partida iria para a prorrogação.

Os jogadores botafoguenses deixaram o gramado do Maracanã, se recusando a disputar o tempo extra. Considerando que o rival havia abandonado o campo, os vascaínos se proclamaram campeões. Como a taça verdadeira já estava longe, o time do Vasco pegou uma caravela de papelão, de um torcedor que estava na geral do Maracanã, e deu um a volta olímpica. Após alguns dias, a Justiça Desportiva confirmou o título para o Botafogo.

Itaperuna 2 x 3 Vasco – Campeonato Carioca 1997
Erros de arbitragem fazem muitos torcedores perderam a cabeça, mas em 1997 o técnico do Itaperuna perdeu as calças por acreditar que sua equipe estava sendo prejudicada. Os dois times empatavam até os 38 minutos do segundo tempo, quando o atacante Edmundo, em posição legal, marcou o gol que deu a vitória ao Vasco.

Nos minutos finais a partida descambou para a violência e três jogadores do Itaperuna foram expulsos. Revoltado, o técnico Paulo Mata invadiu o campo para reclamar do árbitro José Carlos Santiago. Contido por policiais, ele simplesmente abaixou as calças e ficou nu por alguns segundos, antes de ser retirado de campo.

França 4 x 1 Kuwait – Copa do Mundo de 1982
A reclamação do sheik Fahid Al-Ahmad Al-Sabah, presidente da Associação de Futebol do Kuwait, se transformou numa das cenas mais inusitadas de todas as Copas. Sua seleção perdia por 3 a 1 para a França, quando a seleção europeia aumentou o placar. Pensando que o árbitro Miroslav Stupar havia apitado, os jogadores do Kuwait pararam em campo e levaram o gol. Foi então que o sheik entrou em cena. Ele desceu da tribuna de honra, invadiu o gramado e exigiu que o árbitro anulasse o gol. Miroslav, pressionado pelo sheik, voltou atrás e anulou o gol, mas seria eliminado dos jogos seguintes pela Fifa.

Fluminense 0 x 1 Internacional – Copa do Brasil de 1992
Nem dossiê, nem representação. O time do Fluminense resolveu de uma forma simples a insatisfação com a arbitragem de José Aparecido de Oliveira. O juiz marcou um pênalti para o Internacional na final da Copa do Brasil, aos 43 minutos do segundo tempo. Com a vitória por 1 a 0, o time gaúcho conquistou o título do torneio, mas os jogadores do time carioca não iriam deixar barato.

No dia seguinte a partida, a delegação encontrou o árbitro e o trio de auxiliares no Aeroporto Internacional de Porto Alegre. Quando descobriram que ele voltaria no mesmo voo que o Fluminense, os jogadores não deixaram o árbitro embarcar e obrigaram que o juiz pegasse outro voo.

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