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Danny Jordaan: Não há tempo para falar, tem que fazer

Presidente do comitê organizador da Copa da África do Sul analisa aspectos do Mundial no Brasil e avisa que não há tempo a perder com falatório. Para Jordaan, aeroportos e segurança são pontos cruciais

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

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O presidente do comitê organizador da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, Danny Jordaan, participou de dois painéis nesta quarta-feira na Soccerex, convenção de negócios do futebol que acontece no Forte de Copacabana, no Rio. E mandou diversos recados aos brasileiros, entre eles o de falar menos e fazer mais. Jordaan considera a questão dos aeroportos, muito criticados pelo ministro do Esporte, Orlando Silva, na segunda-feira, um ponto crucial para o evento em 2014: É o cartão de visitas, disse.

O sul-africano lembrou da obra para o aeroporto de Durban, um dos pontos de entrada no país para a Copa que aconteceu em junho e julho deste ano. Queríamos um novo aeroporto em Durban. Discutimos por 15 anos e nunca começou. E por causa da Copa do Mundo, construímos o aeroporto em 15 meses. O problema é esse. Às vezes a gente fala demais. O que temos de fazer é um projeto, monitorado e vigiado, com prazo. Um estádio leva 24 a 27 meses para construir. Então não há mais tempo para falar, tem que começar a fazer. Tem de dizer:  Se me chamar para uma reunião, eu não vou. Se me chamar para para o local de construção, eu vou. Acho que a primeira coisa é ter as leis e todos os aspectos burocráticos resolvidos. O segundo é delegar responsabilidades, definir quem faz o quê.

Aeroportos e unidade
Ao comentar a questão dos aeroportos, Jordaan explicou que, na África do Sul, eram três cidades como pontos de entrada e que esses aeroportos precisaram ser reestruturados para receber uma quantidade enorme de turistas. Segundo ele, é o cartão de visitas do país. Outro ponto importante destacado pelo executivo foi o nivelamento da capacidade das cidades-sede. Ele afirmou que todas têm de estar em um mesmo patamar, pois para o mundo, a imagem que será transmitida é do Brasil, sem diferenciação de local ou região.

Aeroporto é muito importante, o cartão de visita a porta de entrada do país. A maior parte vem da Europa, da Ásia, então é um ponto crucial da organização. Na África precisaram de um trabalho especial. Foi um esforço de equipe, pessoas trabalhando juntas. E espero que os brasileiros saibam que essa é uma oportunidade incrível, vale toda a energia, vale todo o esforço, a nação precisa entregar, o mundo não se importa, o mundo verá apenas a Copa brasileira. Não importa se é São Paulo, Salvador, vocês vencem juntos ou perdem juntos, o mundo verá todos como brasileiros, disse.

Comando único de segurança
Um dos problemas que a África do Sul também teve de enfrentar, além das questões de infra-estrutura, foi lidar com a segurança. Para Jordaan, a solução para eliminar problemas burocráticos e de comando, é unificar a segurança no país inteiro durante o Mundial. Segurança é muito importante, mas é complexo. No nosso país você tem uma estrutura de polícia que tem um chefe de polícia nacional, outro na cidade, então precisa ser um plano de segurança único, com comando único. As pessoas não ficam apenas em uma cidade.

Planejamento
Jordaan falou sobre as falhas que detectou no próprio país. Admitiu que os gastos ultrapassaram o orçamento inicial e avisou que isso pode acontecer em decorrência de lacunas no planejamento. A lógica do sul-africano é simples. Se existe uma falha, pode haver atraso e isso custa dinheiro.

Tivemos um problema por exemplo. Você precisa de energia extra, de água extra no estádio, e isso gera um debate sobre de quem é a responsabilidade de resolver. Se você entrar sem isso definido, provavelmente terá problemas e gastará mais para acelerar o processo e tirar o atraso. Então sejam claros no começo, distribuam as responsabilidades claramente, escrevam e assinem. Fomos um pouco além do orçamento, mas se você for atrás, vai ver que isso foi causado por algumas falhas de planejamento. Reunimos todas as cidades-sede ao mesmo tempo. A capacidade em cada uma é diferente. E tentamos manter todas no mesmo nível. A Copa do mundo exige isso e tem de ser detectado cedo. Tem de diminuir a lacuna de cidades por exemplo como São Paulo e Rio, para Salvador e Recife.  Então acho que vocês precisam compreender em que nível está cada cidade para fazer um plano consistente, explicou.

Testes nos estádios antes da Copa
Danny Jordaan considera fundamental que haja testes progressivos em cada estádio que será usado na Copa de 2014. É um ponto chave para saber que tipo de problemas poderão aparecer e já planejar soluções antes que ocorram.

Acho que a Copa no Brasil será fantástica, é o país do futebol. O desafio agora é a infra-estrutura. Para o estádio, você precisa testar, então você precisa de três ou quatro partidas antes da Copa do Mundo. Não sei como está sendo feito aqui, mas é importante que se teste com 25%, depois 50%, depois 100% da capacidade. Tem de testar tudo, credenciamento, iluminação, estacionamento, enfim tudo o que faz o estádio estar em operação para a Copa do Mundo. Se o Brasil conseguir isso, acho que o resto será tranqüilo, disse o sul-africano, se colocando à disposição para ajudar o comitê organizador brasileiro no que for necessário.

Destino das verbas arrecadadas pelo comitê organizador
Ao responder sobre como foi usado o dinheiro arrecadado pelo comitê organizador da Copa de 2010, Jordaan afirmou que toda a verba excedente foi direcionada ao desenvolvimento do futebol no país. O comitê organizador era uma companhia registrada e nessa companhia tínhamos o governo, sindicatos, futebol e empresários. Decidimos que qualquer dinheiro gerado iria para o desenvolvimento do futebol no país. Não sei como o comitê aqui é constituído, então não vou comentar sobre isso.

Maracanã para uso diário
Jordaan afirmou que o Maracanã, estádio que será a sede da final da Copa de 2014, tem de ser reestruturado para que possa ser usado todos os dias, não apenas em dias de jogos. O Maracanã tem de ser um dos melhores estádios do mundo, temos de ir lá não apenas para ver o estádio, mas para ver um museu, comer em um bom restaurante, passar o dia lá, mesmo que não haja um jogo de futebol. Então tem de planejar como usar o estádio diariamente, não apenas em dias de jogos. Na África, as cidades precisam repensar a forma de comercializar os nossos estádios, que ficaram sob a gestão das cidades. Não vamos demoli-los, vamos pensar em formas de fazê-los lucrativos. Na África do Sul as cidades receberam o dinheiro do governo para construir os estádios e por isso as cidades são donas dos estádios, de toda a infra-estrutura.

Criminalidade e infra-estrutura
O sul-africano analisou as semelhanças dos problemas enfrentados pela África do Sul e que certamente o Brasil também terá de enfrentar antes da Copa, entre eles a criminalidade e a infra-estrutura deficiente.

O Brasil também vai enfrentar esse problema da violência. As estradas não vão estar prontas, os aeroportos, os hotéis, a violência, e as perguntas virão, tive de as responder por 16 anos. Há aquelas percepções, se você fizer à maneira africana, não será a melhor Copa. Se fizer à moda brasileira, não será a melhor. E nós entregamos. Então tem de improvisar, trazer a cultura, a tradição para o evento. Isso fará a diferença. Não importa aonde seja. A competição é a mesma. Nos adicionais é que pudemos expressar o que é o país. E usamos tecnologia de ponta, que nunca tinha sido usada em Copas do Mundo. Não sei se os brasileiros preferem sediar uma boa Copa e sair na primeira rodada, como nós, ou vencer a Copa e não se importar muito com a organização. Não sei qual é a prioridade. Acho que o Brasil quer os dois. Então, terão trabalho. É muito trabalho a ser feito.

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