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Cortes no "Fielzão" barraram hidromassagem e placa de mármore

Mobílias das suítes, como o número das TVs de plasma, tiveram reajuste para chegar ao valor final de R$ 820 milhões

Marcel Rizzo, iG São Paulo |

Divulgação
Vidros da fachada estão mantidos. Estádio, cotado em R$ 1,5 bi, vai custar R$ 820 mi
O orçamento para a construção do estádio do Corinthians, em Itaquera, chegou perto de R$ 1,5 bilhão, passou por quatro ajustes, e parou em R$ 820 milhões com cortes de parte de itens básicos de uma obra, como concreto, mas também de itens luxuosos, como banheiras de hidromassagem e placa de mármore. O “Fielzão” deve ser indicado em outubro de 2011, durante evento na Suíça, para a abertura da Copa do Mundo de 2014.

As banheiras de hidromassagem seriam para setores VVIP (os mais chiques) – os equipamentos dos vestiários, inclusive as banheiras, estão mantidos até por solicitação do clube. A placa de mármore constava desde o primeiro projeto apresentado pelo arquiteto Aníbal Coutinho. À construtora, Coutinho fez apenas dois pedidos: que um granito branco, para revestimento, fosse mantido, assim como toda a vidraça da fachada do estádio, no que foi atendido. Mas também houve corte em espelhos, brises (quebra-sol) e vidros de outros setores - na fachada havia pedido de um brise encomendado para a  empresa holandesa Hunter Douglas, que custaria mais de R$ 4 milhões. Veja detalhes no quadro abaixo:

Produto Valor Situação
Banheiras de Hidromassagem (12 unidades) R$ 72.498,00 Cortado
Placa de mármore 800x800x20mm, preto, acab. polido R$ 2.090.000,00 Cortado
Brise da Hunter Douglas R$ 4.018.805,80 Cortado
Vidros temperados R$ 1.175.424,00 Cortado
Pele de vidro, brises e espelhos R$ 18.310.000,00 Corte parcial
Granito branco a 60cm do eixo pilar R$ 4.670.066,00 Mantido


“O estádio, sem a Copa do Mundo e sem a abertura, custaria bem menos porque a Fifa exige hospitalidade para Vips, não sei quantos mil lugares de imprensa, que vai tudo para baixo depois, acessos para o Vip do Vip. Isso encareceu”, disse o presidente corintiano Andrés Sanchez, antes da definição do valor. A diretoria do Corinthians chegou a fazer um orçamento paralelo, com a construtora Serpal, para “forçar” a Odebrecht a baratear o seu orçamento.

Equipamentos do chamado FF&E (Furnishing, Fixtures & Equipment), que compreende toda a mobília, iluminação, carpetes, artigos de decoração e revestimentos, teve alteração nos preços. Isso inclui mobílias de suítes e de vestiários, número de televisões de camarotes, acessórios para cozinhas e bares, principalmente do chamado setor Bussines, e toda a infraestrutura eletrônica e do sistema telefônico. Foram R$ 32 milhões de economia somente nesses quesitos.

O FF&E também engloba custos que não há como mexer muito, já que a Fifa (Federação Internacional de Futebol Association) indica empresas especializadas, casos do placar eletrônico e do gramado. Os placares, que medirão 90m², foram cotados em R$ 8,680 milhões, enquanto o gramado padrão Fifa, com drenagem a vácuo, em R$ 4,410 milhões. Pode haver mudanças pequenas, com descontos pontuais - veja abaixo preço final de alguns itens de FF&E:

Produto Valor
Assentos R$ 19.140.000,00
Iluminação do campo R$ 1.810.000,00
Placar 4x90 m² R$ 8.680.000,00
Mobília de vestiários R$ 500.000,00
Catracas R$ 2.530.000,00
Gramado padrão Fifa R$ 4.410.000,00
Sonoplastia e sistema de segurança R$ 6.260.000,00


O iG analisou o orçamento definitivo que a construtora Odebrecht apresentou ao Corinthians. Parte dos custos foi barateado e outra parte cortado para que o preço final chegasse em R$ 820 milhões no documento de meados de julho. A subtração apresentada nos quadros foi feita com base nas cotações anteriores, mas principalmente da penúltima, de junho, que era de R$ 898 milhões – nos dois casos não estão incluídos os R$ 46,6 milhões (segundo o orçamento) para a colocação de 20 mil assentos provisórios (aumentando a capacidade para 68 mil lugares), que viabilizará o jogo inaugural e que o Governo Estadual de São Paulo assumiu a responsabilidade de pagar.

Realidade

A maior parte dos cortes foi em ajustes de preços de equipamentos e material de construção, que barateou os custos. Por exemplo: menos R$ 24,3 milhões (arredondado) de concreto armado para serviços externos. A cobertura do estádio também teve o preço alterado em todos os orçamentos realizados, chegando ao valor final de R$ 93,3 milhões – teve cortes, desde a primeira cotação, de quase R$ 60 milhões. Veja abaixo alguns ajustes feitos:

Produto/serviço cortado Valor economizado
Provas de carga nas estacas R$ 1.208.300,00
Laje estaqueada prédio norte R$ 413.236,32
Montagem e desmontagem caminho gruas R$ 1.450.075,38
Concreto armado serviços externos R$ 24.300.121,30
Concreto armado pisos R$ 4.166.804,40
Escavação em rocha R$ 1.510.360,00


O estádio será construído com R$ 420 milhões de incentivos fiscais concedidos pela Prefeitura de São Paulo, por meio do CID (Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento). Esses certificados são vendidos a terceiros, que conseguem abatimentos de ISS (Imposto Sobre o Serviço) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).

Os R$ 400 milhões restantes serão financiados por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), valor que será pago pelo Corinthians. O clube terá carência de três anos, depois do estádio pronto, e pretende usar o dinheiro da venda do Naming Rights (o nome do Fielzão cedido a uma empresa) e de camarotes e cadeiras cativas para zerar a dívida com o banco.

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