Clube pressiona autoridades para conseguir levantar o financiamento das obras do “Fielzão”

O Corinthians adotou uma tática conveniente a ele para que seu estádio saia a qualquer custo. Ainda sem ter um financiamento fechado e vendo a cada dia um orçamento maior para iniciar e concluir as obras, o presidente Andrés Sanchez agora discursa que há a possibilidade de o estádio ficar fora da Copa de 2014 . O discurso tem um só intuito: pressionar as autoridades locais e federais a se mexerem para evitar o “mico” de não verem São Paulo no Mundial.

“A abertura está correndo o risco a cada dia que passa. O estádio sai, isso eu garanto para o torcedor corintiano. Se vai ser abertura ou não, não depende do Corinthians", disse Sanchez na última sexta-feira à TV Globo.

Gazeta Press
Andrés rodeado de políticos no palco da obra: "Fielzão" ainda não começou a ser construído
Ao falar que a Copa do Mundo na cidade corre risco, o Corinthians espera que as autoridades consigam parceiros capazes de ajudar o clube a fechar a conta que pode chegar a R$ 1 bilhão, de acordo com o diretor de marketing Luís Paulo Rosenberg em recente entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

Inicialmente projetado para abrigar 48 mil espectadores, a arena corintiana lançada oficialmente no dia 1º de setembro de 2010 tornou-se primeira opção paulista para sediar o Mundial na cidade. O Corinthians argumenta que foi “recrutado” pela Fifa (Federação Internacional de Futebol e Associados) e pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para ser o palco da abertura e que agora precisa da compreensão dos envolvidos para ser capaz de erguer o estádio de acordo com as normas da entidade, que exige um espaço para 65 mil pessoas, maior espaço para imprensa, estacionamento e obras no entorno.

“O Corinthians foi quase que recrutado para se incumbir da tarefa de prover a São Paulo um palco digno da abertura da Copa. Então nós fomos à Fifa, e começamos a trabalhar o projeto. O projeto Fifa é um negócio muito peculiar porque os estádios recém inaugurados na África do Sul já são obsoletos. O nível de exigência para nós é muito mais rigoroso. E esse padrão de rigor que vai se aprofundando a medida que o tempo passa. É um projeto vivo que está continuamente em mutação”, disse Rosenberg em recente entrevista coletiva.

A previsão de custo inicial das obras, ainda com 48 mil lugares, era de R$ 400 milhões. O clube tinha uma ponte com o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) para financiar a obra a ser comandada pela construtora Odebrecht. Com a ampliação do estádio, o valor foi inicialmente para R$ 600 milhões e mais recentemente a R$ 700 milhões. O clube argumenta, porém, que a cada nova exigência da Fifa o valor aumenta e daí chegou ao valor de R$ 1 bilhão. É aí que entra o recente discurso de Andrés Sanchez. Sem “ajuda extra”, não há abertura. Por "ajuda extra" entenda-se novos investimentos - talvez dinheiro público.

O Corinthians já recebeu ajuda da prefeitura de São Paulo com incentivos fiscais e agilidade burocrática quanto às liberações legais para o início das obras. A última aconteceu nesta segunda-feira e se refere ao impacto na vizinhança. O clube até conseguiu um acordo com o Ministério Público para converter em multa o período em que o clube não usou o terreno de Itaquera para construir seu estádio. Segundo o Portal 2014, ainda está prevista a votação na Câmara dos chamados CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento), papéis negociáveis que valem até 60% do empreendimento, e também uma série de incentivos fiscais para as obras do "Fielzão" .

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.