Organização pretende investir R$ 5 milhões no acompanhamento e divulgação dos gastos públicos com eventos

O Instituto Ethos lançou nesta quarta-feira, com apoio de outros setores da iniciativa privada e organizações não-governamentais, o projeto Jogos Limpos Dentro e Fora do Estádio, que pretende aumentar a transparência e o controle da população sobre os investimentos governamentais para a realização da Copa de 2014 e das Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016.

A iniciativa pretende investir cerca de R$ 5 milhões nos próximos cinco anos em ações que serão realizadas nas 12 cidades-sede da Copa de 2014, além do lançamento de um site, em que os organizadores do projeto querem divulgar os gastos com obras e também disponibilizar informações para facilitar o entendimento dos contratos firmados pelo governo.

"O volume de investimentos vai ser grande. A presidente Dilma disse que devem ser R$ 33 bilhões em infraestrutura e quanto maior o investimento público, maior é o interesse público", disse o presidente do Instituto Ethos, Jorge Abrahão, que ressaltou a importância de evitar que se repita o que aconteceu nos Jogos Pan-americanos de 2007, que extrapolaram o orçamento planejado e deixaram um legado pequeno ao Rio de Janeiro.

"Existem várias questões nebulosas sobre o assunto e o nosso trabalho é tirar essas nuvens do caminho", explicou.

Entre as organizações que apoiam o projeto está a Atletas pela Cidadania, representada pelo ex-jogador Raí. A principal função da entidade será usar a imagem e o apelo comercial dos esportistas para mobilizar a população e setores da iniciativa privada a se engajarem no projeto.

"É importante que esses eventos deixem um legado social para o esporte de desenvolvimento, para o esporte de lazer. A gente precisa usar isso para criar uma política nacional de esportes", afirmou Raí, que demonstrou preocupação com a falta de fiscalização sobre as ações de infraestrutura para o Mundial e as Olimpíadas.

"Até esse momento econômico do país e essa transformação que a gente está vivendo podem ser prejudicados, e a sociedade não pode se eximir. Todo cidadão, pelas suas entidades de classe, pode participar", disse o ex-jogador de São Paulo e Paris Saint-Germain.

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