Secretário especial para Copa 2014 e Olimpíada 2016 afirma que cidade não descarta ter abertura do Mundial e está um ano adiantada

O secretário especial municipal para Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada de 2016, Ruy Cezar, fez palestra na manhã de quarta-feira no seminário de gestão de ordem pública em grandes eventos, que se encerra nesta quinta, na Academia de Polícia Civil do Rio. Falou principalmente sobre legado para a cidade e geração de empregos. Depois, em entrevista ao iG , afirmou que o Rio continua disponível para a abertura do Mundial e que a cidade está um ano adiantada no cronograma. Esta afirmação, contudo, não inclui dois pontos importantes, sob responsabilidade do governo estadual: a reforma do Maracanã e a ampliação do sistema metroviário.

Na sua apresentação, Cezar deu números animadores: previsão de 120.833 empregos adicionais por ano entre 2009 e 2016, e de 130.970 mil empregos por ano entre 2017 e 2027. Apenas em transporte municipal, serão cerca de R$ 4 bilhões de investimento. A geração de empregos - 330 mil permanentes e 380 mil temporários apenas no Rio - e novas receitas acarretaria um aumento de R$ 5 bilhões no consumo das famílias. Em plano nacional, o secretário deu previsão de 120.833 empregos adicionais por ano entre 2009 e 2016, e 130.970 mil empregos por ano entre 2017 e 2027. O turismo, segundo Cezar, deverá gerar 40 mil novos empregos no Rio e os bancos oficiais liberaram R$ 1 bilhão em linhas de crédito para a indústria hoteleira.

Ao iG , Cezar falou sobre prazos, preocupação com torcidas violentas, capacidade do setor hoteleiro, interesse do Rio em ter a abertura da Copa, além de confirmar as desapropriações no entorno do Engenhão para alargamento de vias e acesso direto da Linha Amarela ao estádio.

Ruy Cezar afirmou que Rio está um ano adiantado, mas sem incluir Metrô e Maracanã
Vicente Seda
Ruy Cezar afirmou que Rio está um ano adiantado, mas sem incluir Metrô e Maracanã
iG: O Corinthians entregou a tempo as garantias para o estádio de Itaquera e deverá ter a abertura da Copa do Mundo. Depois de ter o centro de mídia, a final, o sorteio para as Eliminatórias, ainda seria interessante para o Rio e para a competição ter a abertura da Copa no Maracanã?
Ruy Cezar: Recebemos algumas missões da Fifa, através do Comitê Organizador Local e os governos estadual e municipal assumiram a responsabilidade de estarem presentes em tudo o que for demandado. Não postulamos cargos ou decisões de outros níveis, mas se houver qualquer embaraço em qualquer situação ou evento, o Rio se colocou à disposição. Essa escolha cabe à Fifa e ao COL. Outro dia vi uma entrevista do ministro do Esporte (Orlando Silva) e citou quatro ou cinco cidades como candidatas, mas não incluiu o Rio. Nós estranhamos, pois seria uma das possíveis candidatas.

Ruy Cezar afirmou que Rio está um ano adiantado, mas sem incluir Metrô e Maracanã
Vicente Seda
Ruy Cezar afirmou que Rio está um ano adiantado, mas sem incluir Metrô e Maracanã
iG: O senhor falou em sua palestra sobre a geração de empregos e a necessidade de crescimento do setor de hotelaria. No Rio, esse setor está no nível desejado?
Ruy Cezar: Para a Copa do Mundo já atende. Para a OIimpíada, teremos a colocação dos navios e a construção de novos hoteis, então devemos ultrapassar a exigência de 40 mil quartos e o Rio deverá ter 50 mil quartos à disposição em 2016. O dossiê de candidatura sinaliza que serão oito navios, com 8.600 quartos. Com o surgimento de 19 novos hoteis e a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH) sinalizando que o Rio está crescendo mil quartos por ano, chegaremos a esses 50 mil quartos.

iG: Existe algum problema mais urgente que preocupe na cidade do Rio?
Ruy Cezar: No que diz respeito à responsabilidade da Prefeitura, o Eduardo Paes nos transmitiu aquilo que a comissão de inspeção do COI assegurou: estamos um ano adiantados em nossas responsabilidades. Parte de transporte, que é a maior fatia da Prefeitura do Rio, está muito bem encaminhada.

iG: A questão da segurança vem sendo amplamente discutida neste seminário, especialmente no que diz respeito aos torcedores organizados. No Brasil, eles são mais vistos em jogos de clubes do que partidas da seleção. No exterior é um pouco diferente. Isso preocupa a secretaria?
Ruy Cezar: Isso preocupa todos nós. Além da responsabilidade de preparar a cidade, temos de estar sempre divulgando a cidade pela qualidade do seu atendimento e serviços. Todas essas projeções estão sendo analisadas pelos órgãos de segurança, medidas de monitoramento. Eu tive oportunidade de acompanhar a Eurocopa de 2004 e ninguém comprava ingresso no guichê. As pessoas tinha de se cadastrar, colocar todos os seus dados pessoais em um site e recebiam um ingresso numerado. Então, todo e qualquer órgão de segurança sabe onde o indivíduo está fechado, sabe se produziu ou não desordem no estádio. Então, acho que se chegarmos a uma final Brasil x Uruguai, Brasil x Argentina, temos de estar totalmente preparados. Torço particularmente por Brasil x Uruguai, repetindo 1950, e nós vamos ganhar de 2 a 1!

iG: Para a Olimpíada, o acesso ao Engenhão continua a ser um problema grave. Como isso será resolvido?
Ruy Cezar: Há um projeto para o entorno do Engenhão. Já começa a ser construído um novo acesso para a Linha Amarela e todo aquele entorno onde há estrangulamento será alargado. Terá de haver desapropriações, mas todos receberão indenizações para compra de uma nova moradia.

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